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Assassinaram um operário! Muitos silenciam

Por:  Diorge Alceno Konrad*

Quem se defende porque lhe tiram o ar ao lhe apertar a garganta (Bertolt Brecht)

No Vestibular da UFRGS de 2005, os irmãos William e Cristian Silveira, perderam uma vaga em Engenharia Mecânica. Atrasados, ousaram correr para chegar a tempo para a prova, mas foram abordados por policiais militares como suspeitos criminosos. Na época, escrevi questionando que tipo de sociedade perpetua-se quando vítimas são criminalizadas previamente? Poucos ergueram suas vozes.

Passado um tempo, em Sapiranga-RS, no dia 31 de setembro, durante um protesto contra o desemprego na indústria calçadista do Vale dos Sinos, o operário e líder sindical Jair Antônio da Costa, 31 anos, foi preso e morto por asfixia mecânica, com contusão hemorrágica na laringe e traumatismo cervical, depois de ser dominado por policiais militares. Precisa perguntar se foi assassinato ou ele, imobilizado pelas forças do Estado, optou por sair da vida para entrar na história, apertando o cassetete contra si?

Não bastasse tudo, dois dias depois, sob o pretexto de conter torcedores exaltados, novamente a Brigada Militar iniciou violenta repressão, com bombas de gás lacrimogêneo e tiros de balas de borracha dentro do Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre. Entre famílias, mulheres e crianças, só não houve mortes.

Em Santa Maria, surgem denúncias do desaparecimento e de agressões sofridas pelo filho que visitava o pai no acampamento do Movimento de Luta Pela Moradia em área estadual na BR-158, ao lado do CASE, no Cerrito. Diante da gravidade do fato, ocorrido em final de setembro, investigações rigorosas devem ser realizadas.

Quantos policiais militares morreram nos últimos anos por traduzirem em ação a orientação, pretensamente segura, de atirar ou reprimir primeiro para depois averiguar?

Quantas vítimas ainda teremos em razão da concepção de segurança pública que criminaliza os movimentos sociais? Só sairemos do silêncio quando formos atingidos?

O poeta alemão também encerra por nós: “a tempestade que faz dobrar as bétulas é tida como violenta. E a tempestade que faz dobrar os dorsos dos operários na rua?”. Enquanto isso, a greve na UFSM continua, enquanto muitos silenciam e outros continuam erguendo suas vozes na defesa da continuidade do comércio de armas...

* SEDUFSM



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