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A força da mobilização

Por:  Carlos Alberto da Fonseca Pires*

Existe uma lógica que norteia alguns raciocínios: o de que a greve é um instrumento fora de moda. Entretanto, diversos estudos realizados por colegas da UFSM demonstram que se não tivesse havido greves nos últimos 15 anos, a remuneração docente seria muito inferior ao que é hoje. Mesmo assim, existem aqueles que preferem não parar as aulas e continuar agindo como se nada estivesse acontecendo. É preciso lembrar, porém, que, encerrada a paralisação, a partir dos ganhos, toda a categoria irá se beneficiar. Tem sido assim ao longo da história. Uns fazem o movimento, outros observam.

Mesmo que a greve atual tenha tido dificuldade em conseguir a adesão da maioria das Instituições Federais de Ensino Superior, concretamente, do início de setembro para cá, é inegável que ela conseguiu preocupar o governo federal. A tal ponto que, depois de meses num processo de empurrar com a barriga a negociação, após as primeiras semanas de paralisação, o MEC se apressou em fazer a interlocução com ANDES, SINASEFE, SBPC, entre outras entidades. Ressalte-se, porém, que a estratégia governamental tem sido altamente nociva aos docentes.

Os representantes oficiais costumam negociar em separado com o ANDES e o SINASEFE (representa os professores de 1º e 2º graus). A tática é conhecida por aqueles que desejam dividir as forças. Além dessa estratégia, o governo tem procurado jogar com os números. Inicialmente disse disponibilizar R$ 389 milhões e, pouco tempo depois, anunciou que estava aumentando o montante para R$ 500 milhões, acrescentando que isso significaria um reajuste de até 25% para os docentes. Puro marketing.

De qualquer forma, uma coisa é certa. Se o governo tem procurado negociar e, fala concretamente em aumento de valores para gastar com a folha salarial dos professores, é porque a pressão tem causado impacto. Sem ter cumprido até agora o prometido quando assumiu, de que faria o possível para zerar as perdas salariais do funcionalismo durante a gestão petista, o governo parece disposto a ceder ao menos em parte no que é reivindicado. Tudo isso vem demonstrar que a pressão da greve ainda surte efeito. A greve é o instrumento legítimo para uso quando nada mais nos resta.

Artigo publicado no Diário, em 31.10.2005)

* SEDUFSM



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