Artigos

Os professores são intransigentes? (*)

Por:  Ester Wayne Nogueira e Maria Beatriz de Morais Carnielutti*

O Ministro da Educação não falta com a verdade quando declara que os docentes universitários terão um aumento de 50% sobre a titulação, no seu dizer “para melhorar a qualidade de ensino em nossas universidades e estimular a formação acadêmica dos professores, parte do reajuste ocorrerá pelo aumento de 50% dos percentuais de titulação...” Não nos estenderemos muito sobre estas declarações porque foram divulgadas em vários jornais, em todo território nacional, em 18 de novembro. Vejamos a realidade, pois esta encontra-se muito longe de um estímulo à formação acadêmica dos professores.

A repercussão financeira para o professor titular, doutor, com mais ou menos 22 anos de estudo, com 40 horas de trabalho e dedicação exclusiva (DE), em final de carreira, representará em seu contracheque o valor de R$ 222,51, e para um professor auxiliar, início de carreira, com curso superior, com mais ou menos 17 anos de estudo, com 40 horas e dedicação exclusiva (DE), terá aumento de 0% (zero). O governo ainda propõe aumento na Gratificação de Estímulo à Docência (GED), de 20%, 16%, 12% e 5%, respectivamente para os docentes com graduação, especialização, aperfeiçoamento e mestrado. O professor auxiliar receberá R$ 205,97 e o professor titular, zero. Será criado o nível de professor associado que deverá atingir um grupo de doutores de aproximadamente 12% da categoria em nível nacional.

Os professores inativos receberão, a partir de julho de 2006, aumento na pontuação da GED de 91 para 115, mantendo a desigualdade entre estes e os da ativa, que recebem 140 pontos. É por ele ignorado, deliberadamente, o direito a paridade instituída com a Emenda Constitucional 47/05. O governo ainda declara: “Esses recursos representam o dobro dos valores oferecidos em 2004 e 2005.” Não nos causa euforia, porque em 2005 fomos agraciados com o vergonhoso 0,1% em nossos salários, e, a atual proposta que deveria ser para a complementação do irrisório aumento de 2005 está sendo transferida para 2006. Com base nestes fatos, o movimento dos docentes das Instituições Federais de Ensino Superior deverá continuar com a pecha de intransigente, porque o governo não mente. Ele simplesmente faz o seu jogo, joga com as palavras.

(* Artigo publicado em dezembro na Razão, assinado junto com a professora Maria Beatriz Carnielutti)

* SEDUFSM



Compartilhe com sua rede social!

© 2017 SEDUFSM
Rua André Marques, 665 - Centro, Santa Maria, RS - 97010-041
Website por BM2 Tecnologia em Internet