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Velhos métodos

Por:  Carlos Alberto da Fonseca Pires*

A greve dos docentes da UFSM completou 95 dias no sábado, 10 de dezembro, pois foi iniciada em 5 de setembro. O movimento já é um dos mais longos da história. A comunidade certamente deve estar perguntando o porque de o movimento estar durando tanto tempo? A resposta tem que ser buscada no lado do governo, mais especificamente na área econômica. Ao menos é o que alegam os negociadores do Ministério da Educação. Mesmo que em todo o país as assembléias dos professores tenham rejeitado de forma reiterada a proposta do governo que, procurou trabalhar sempre com percentuais que são diferenciados, beneficiando os mais graduados, em detrimento dos menos graduados e, prejudicando especialmente os aposentados. A proposta foi rechaçada por romper com princípios basilares como a paridade e a isonomia. Mas, apesar de ser um governo dito de esquerda, comprometido teoricamente com as mudanças sociais, insiste em usar métodos antigos, que se consolidaram nos oito anos da dinastia tucana.

Contudo, os velhos métodos não se restringem a priorizar o superávit primário, alegria dos banqueiros, economizando nas áreas sociais e no investimento no ensino superior. Depois de meses empurrando com a barriga uma negociação salarial efetiva, os representantes do governo resolveram de forma unilateral encerrar as negociações. No caso dos docentes, o MEC decidiu simplesmente enviar um projeto de lei ao Congresso. A vontade da categoria e o desejo de ver seus pleitos atendidos valeram pouco.

A postura desrespeitosa ultrapassou vários limites. Um dos momentos que merece referência é quando o ministro Fernando Haddad (Educação) iria anunciar à imprensa a posição do governo de enviar o projeto de reajuste ao Legislativo. Nesse caso, a assessoria de imprensa sindical foi barrada na entrevista coletiva, o que representa fato lamentável. E, num segundo momento, a nota paga de página inteira, por exemplo, nos principais jornais do rio Grande do Sul, mostra o quanto de dinheiro o governo tem para gastar em publicidade para desgastar os trabalhadores das universidades e, ao mesmo, vender falsas ilusões à população. Realmente, parece claro que esquecer o que foi dito ou escrito não se restringiu ao governo Fernando Henrique Cardoso. E a coerência, onde será que foi parar?

Em tempo: Nesta segunda tem assembléia às 14h, no Auditório Sérgio Pires. A presença de todos os professores é fundamental.

(Publicado na Razão em dezembro/2005)

* SEDUFSM



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