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Educação: A Gente Vê por Aqui?

Por:  Wilton Trapp*

Sem a pretensão de aprofundar a análise sobre a educação escolar pública e a formação acadêmica na UFSM, deseja-se evidenciar alguns parâmetros que caracterizariam uma relação entre ambos. Defendo o conceito de sabedoria como sendo o resultado não acabado de um conjunto de reflexões e experiências acumuladas pelos sujeitos, adquiridas no confronto que se dá entre esses sujeitos e a realidade social, em busca da sua apropriação.

O curso natural/cultural da formação para a vida sofre uma interrupção quando as crianças ingressam na escola. Com muito conteúdo e pouca reflexão, e sentindo-se pequena no oceano de informações lançadas pela mídia e internet, a escola acaba produzindo para si um ambiente de desencanto e, por fim, aceita a tese da terminalidade, segundo a qual o aluno, ao final do período de escolarização, estaria pronto, uns para o vestibular, outros para o trabalho subalterno.

Quanto aos que logram ingressar na UFSM, com a expectativa de buscar um saber acadêmico que, finalmente os ajude a aprofundar a compreensão da realidade tendo em vista a sua transformação, e que também os auxilie a orientar seu futuro, descobrem os jovens um sistema de ensino voltado para o fornecimento de diplomas, para ascendê-los ao disputado mercado de oportunidades de trabalho especializado, que exige titulação acadêmica e um conjunto fechado de conhecimentos sistematizados.

Ao entender dessa forma o ensino superior, os caminhos de ingresso, vestibular e PEIES, são instâncias que necessitam tão somente o treinamento da mecanização de tarefas e a memorização de conceitos, oriundos de uma abordagem de aprender que se dá de fora para dentro. São verdadeiras tábulas rasas da sabedoria, que só servem para envaidecer seus idealizadores e que deixarão estragos por quem sabe quantas gerações ainda.

A nova Reitoria deixou-nos a expectativa da inovação, e por isso entendo como o maior e imediato desafio a pensar e executar, o de revolucionar este modelo de educação superior e estabelecer uma Política de Formação de Professores e demais profissionais. Há células de excelência na nossa Universidade, não submetidas à lógica da minimalização acadêmica e maximalização econômica. Estas serão as referências, porque éticas e socialmente referenciadas. (Diário de Santa Maria, 26.01.2006)

* UFSM



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