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Reminiscências II

Por:  Júlio Cezar Colvero*

Citamos ao final do primeiro artigo, o imortal reitor de nossa UFSM, José Mariano da Rocha Filho. Ao fazê-lo, lembramos a última vez que nos vimos, já no hospital. Ao chegarmos, Dona Mª Zulmira falou-lhe: “Chegou o nosso amigo Colvero”. E, ao vê-lo, disse-lhe: “Logo estará bom e voltará ao nosso convívio.” Olhou-me, como a perguntar: “Esqueceu que sou médico?”. Foi a última vez que o vimos.

Continuamos a relembrar os que não estão entre nós: o Prof. Zózimo Lopes dos Santos, primeiro a se preocupar com os problemas dos dejetos que a sociedade rejeita. Sua tese de Livre Docência discorreu sobre o tema com muita abrangência, em uma época em que o problema existia, mas não era discutido. Também lembro o prof. Ernesto G. Arends, o primeiro do curso de Administração a realizar mestrado nos Estados Unidos, na área de Marketing. Foi secretário-geral e assessor de Planejamento de nossa universidade, o que hoje é Pró-Reitoria. Com ele trabalhamos, antes mesmo de deslocar-se para o campus, e lá no 5º andar continuamos até o afastamento para o mestrado. Volto meu pensar para a Faculdade Interamericana – CC Pedagógicas – onde perlustrava o motorista da chefia – o inesquecível Petry, sorriso largo e amigo, voluntário que era para realizações efetivas.

Recentemente, o amigo e mestre, prof. Oscar Mombach (Ir. Gelásio) nos deixou, quase centenário, sempre presente e atuante, sorridente e afável. Dizia-me seguidamente “fazer o bem, sem olhar a quem”. Visitei-o várias vezes, no seu mister na Sociedade Meridional de Educação. Fica o exemplo a ser seguido e o alerta para o dever cumprido.

O jovem Julio Cesar Figueira, que convivemos como docentes e vizinhos, nos lembra a tenaz perseverança na insidiosa moléstia que o acometeu, na flor de sua capacidade de trabalho. Deixou-nos o exemplo da paciência e pertinácia na existência corpórea.

Ao fazer-se a manifestação dos que já no oriente eterno, em espírito, nos mostraram, principalmente a mim, exemplos de fé, dedicação e amor à causa. Claro que pecamos pela ausência de centenas de colaboradores, que nossa mente já não alcança. Mas deixamos nossa gratidão, eternizando o amor à nossa ameaçada Instituição-Mor. Queira o grande arquiteto do universo, que possamos mantê-la incólume, dos ataques sombrios e nebulosos que a acometem a cada instante.

Algumas lembranças, mas...muito tem de ser feito para que não se percam no horizonte os feitos gloriosos da criação e manutenção da primeira universidade do interior do país. Pretendemos em Reminiscências III, começar a falar de outros vultos, bem vivos ainda, graças a Deus, entre nós. “Morrem homens, não homem ideais”.

(Publicado em A Razão de 13.02.2006)

* SEDUFSM



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