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O espírito sindical

Por:  Clóvis Guterres*

A Seção Sindical dos Docentes da UFSM chegou aos 15 anos no dia 7 de novembro. Alguns anos atrás publiquei um artigo intitulado “Sedufsm: primeiros passos”, no qual procurei resgatar as suas origens, o processo organizacional e sua consolidação.

Em nossa narrativa o contexto, os atos e os fatos, os personagens se entrelaçam na tentativa de explicar a lógica desta história. Sempre fica faltando alguma coisa que com o tempo vamos resgatando. Neste novo texto, pretendo resgatar, mesmo que sinteticamente, um personagem do movimento docente da UFSM. Trata-se do professor Sérgio da Fonseca Pires, que foi presidente da Associação dos Professores (APUSM) no período da “abertura política” na segunda metade da década de 70 e início dos anos 80.

Conheci Sérgio Pires no final da década de 60 quando ingressava no curso de Filosofia. Ele, juntamente com a Cecília, estavam no final do curso de Filosofia. O Sérgio ainda fazia o curso de Engenharia Elétrica. Naquele período, dos mais terríveis da ditadura, em que os amigos eram presos ou simplesmente desapareciam, resistíamos nos diretórios acadêmicos e, em especial, no “Grupo Universitário”, mais tarde transformado em Movimento Universitário de Santa Maria – MUSM. Esse movimento, sob a inspiração do Padre Clarindo Redin, foi na época, espaço de troca entre um cristianismo mais aberto e comunitário e o espírito político dos universitários, reprimido em todas as instâncias da sociedade política.

Desde essa época, aprendi a admirar a liderança que o Sérgio exercia sobre as pessoas, assim como sua capacidade de ouvir e argumentar. Sua habilidade de elaborar uma conjuntura e delinear ações era surpreendente. No entanto, o que mais me chamava a atenção era sua lucidez e seu espírito de engajamento, como se fosse uma missão, mais do que uma simples intenção de participar.

Apesar desse clima repressivo da época, estávamos sempre próximos. Quando me formei em 1972, tive que recorrer a sua ajuda. Como nunca gostei de rituais e cerimoniais não aceitei que meu pai me comprasse um anel de formatura, que era caro e que eu nunca iria usar. O Sérgio emprestou-me seu anel de engenheiro. A professora Cleonice Aita, que era coordenadora da área das Ciências Sociais e Humanas do Centro de Estudos Básicos, além se ser uma pessoa muito amável e simpática, sussurrou espirituosamente no cerimonial: “Se formou na Engenharia ...”?

Na segunda metade da década de 70, o trabalho e posteriormente minhas mudanças primeiro para Porto Alegre e depois para João Pessoa, nos mantiveram relativamente afastados. Em 1980, ingressei na UFSM como professor e naturalmente na APUSM, retomando a política universitária, com a reorganização da sociedade civil. É neste contexto que reencontro o Sérgio presidindo o movimento docente na UFSM e já tendo destacado papel na criação da Associação Nacional de Docentes do Ensino Superior- ANDES. Dez anos depois, a luta pelo direito de sindicalização dos funcionários públicos se consagra com a promulgação da constituição de 1988.

No ano seguinte, quando da criação da SEDUFSM, Sérgio Pires foi o secretário ad hoc da mesa diretora dos trabalhos por mim presidida naquela ocasião. No ano seguinte, Sérgio ainda presidiria a comissão eleitoral, cujo processo elegeria as professoras Berenice Corsetti e Cecília Pires para a condução dos destinos da entidade. Sem desmerecer ninguém, o professor Sérgio Pires antecipou, ainda na APUSM, o espírito sindical que se consagraria no final de 1989, com a criação da SEDUFSM.

* SEDUFSM



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