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25 anos de resistência do Movimento Docente

Por:  Carlos Alberto da Fonseca Pires*

Há 25 anos, um grupo de mais de 300 docentes reuniu-se na cidade de Campinas-SP para fundar a Associação Nacional de Docentes do Ensino Superior - ANDES. Na conjuntura da época, tinham como objetivo enfrentar a ditadura; lutar pela redemocratização do país e, buscar a construção de um projeto de sociedade na perspectiva de que a igualdade e a liberdade. Elegeram como instrumento fundamental dessa redemocratização e como um dos pontos centrais da reestruturação nacional a universidade pública que, integrada a um sistema nacional de educação pública e gratuita em todos os níveis, propiciasse a universalização de acesso, que fosse o lócus do saber, da ciência, da integração da arte e da cultura, com autonomia e democracia a serviço da sociedade. Desde a sua fundação, ainda como associação e depois como sindicato a partir de 1988, esse tem sido o compromisso do ANDES-SN: a luta pela universidade pública e gratuita e pelos direitos dos docentes que nela trabalham.

No 25º Congresso, que se desenrolou em Cuiabá, de 5 a 10 de março, o movimento docente se deparou com um quadro de ataques, agora mais profundos ainda, à universidade, aos direitos de seus trabalhadores e à organização sindical. O governo insiste em tomar de assalto a universidade pública e gratuita. Os empresários da educação festejam os avanços conseguidos junto ao governo federal. Continuam agindo de forma autocrática sobre os docentes das instituições privadas de ensino e suas organizações de luta e defesa da categoria. São cada vez mais freqüentes as ações do governo para destruir os direitos dos trabalhadores e seus sindicatos, buscando cooptá-los, para torná-los agentes de espaços institucionais, auxiliares e colaboradores do governo. Para isso, usa de todos os artifícios, inclusive semeia a cizânia interna. Nosso sindicato tem sofrido duramente esses ataques e tem resistido graças à bravura de sua militância, fiel ao princípio da autonomia e independência de organização sindical em relação a governos, partidos políticos, patronato e credos religiosos.

Como em todo congresso, o esforço é para que sejam tomadas as melhores decisões. Mas, é preciso estar preparado, desde já, para festejar os 25 anos de existência do nosso sindicato, de sua trajetória de luta, de seu lugar no movimento sindical brasileiro e de sua defesa intransigente da educação pública e gratuita. Não é pouca coisa! Têm-se ainda muitas jornadas pela frente. Há motivos de sobra a comemorar: a garra da militância, a democracia interna, a fidelidade ao sindicalismo classista, à combatividade e resistência do movimento docente.

(Publicado em A Razão no dia 13.03.2006)

* SEDUFSM



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