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Educação, ética e política

Por:  Júlio Cezar Colvero*

O conhecimento não é atributo exclusivo dos títulos. Essa afirmação foi-me feita por um amigo, quando dialogávamos sobre assunto de sua formação e doutoramento. Refleti e concluí ser verdadeira a afirmação, pois, conhecimento, educação, ensino, política e ética, embora com nuances diferentes, aproximam-se.

O conhecimento adquirido ou emanado da cultura familiar, da etnia, da nação, que, por sua vez aglutina a seqüência evolutiva, cumpre-lhe o direito e a obrigação de difundir, expandir em todos os setores, os saberes, sem distinção. A todos cabe o direito, posto em questão. O que nos impressiona e fere nosso espírito, é a exclusividade, a proteção e não difusão universal de todos conhecimentos propícios ao desenvolvimento do espírito humano. Ora, é justamente no início da vida, mesmo intra-uterina, na pré-infância e por toda a vida o direito de aprender.

Mediar, obstruir, oferecer direitos sem consistência, graciosamente, sem antes alcançar-se patamares de ensino confiáveis, bem difundidos, embasados em necessidades pessoais e ou, públicas, é engodo. A educação inicial básica é essencialmente o alicerce permanente de tudo que vier a fluir. Pensei em colocar nome no artigo – Educação, ética e política. Ora, estes três elementos em duas ocasiões distintas foram objetos de dois livros editados pela UFSC, os quais possuo, leio e releio.

Já falei em ensino e educação – que ao meu ver são inseparáveis – mas falar em ética e política é bem mais difícil. A ética tem sido confundida com a moral, que se modifica, atualiza-se com novos costumes.

Julgo nos meus saberes parcos, que a ética, embora não sendo dogma, sua mutabilidade se encaixa em profundas raízes do caráter, da personalidade corpórea e espiritual. Lembra Goldschmidt, que Heráclito há 2500 anos, diz que “a existência está em constante movimento”, o que a meu ver é verdadeiro, já que hoje, sou espírito em carne, e serei apenas espírito, quando deixar o corpo. Já que há mudanças, não creio que estas, na política, devam transformar-se em engodos, traições, roubos descarados e aulas de danças eróticas, descerebramentos e outras nuances cretinas nos parlamentos nacionais.

Sinto dor na alma depois de tantas lutas pessoais e em conjunto com companheiros e camaradas de jornada, verem-se repetidas cenas infaustas. Já que falo em dor, embora surda no íntimo do meu ser, choro e velo, crendo na eternidade do espírito, segundo suas obras, a vida eterna em espírito de minha tia-avó AMERICA ACHUTTI TREVISAN (née Reschden Achutti). Que Jesus, o Cristo, vele por nós.

(Publicado em A Razão no dia 03.04.2006)

* SEDUFSM



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