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MARIAS E MADALENAS

Por:  Ester Wayne Nogueira e Maria Beatriz de Morais Carnielutti*

Há poucos dias assisti um filme sueco, “Para sempre Lilya”, que relata a vida de uma menina, abandonada pela mãe aos 16 anos, seu pai escafedeu-se logo após a sua concepção. Ela, sem recursos para sobreviver, dedica-se, com repugnância, à prostituição. Encontra um rapaz que lhe mostra uma vida de sonhos, o sonho de toda adolescente e lhe promete uma vida dourada, só ele esqueceu de dizer que ganha a vida como aliciador de “escravas do sexo”. Quantas Lilya existem... Esta virou um “anjo”.

Durante este carnaval, um programa que se adapta para estes dias é assistir o desfile das escolas de samba, no meu caso, pela televisão. No decorrer das apresentações, me chamou a atenção a entrada na passarela, do Rio de Janeiro, de uma nova escola entre as tradicionais- a “Porto da Pedra”. Seu samba-enredo era “Bendita és tu entre as mulheres do Brasil.” Despertou minha atenção, procurei acompanhar com curiosidade. Para minha surpresa, surgiu uma ala típica de protesto, como as que vemos na rua, mobilizadas por sindicatos ou organizações de classe. Eram carnavalescas carregando cartazes exigindo direitos para as mulheres. Eram tantos cartazes que não foi possível memorizar todas as reivindicações, um mar deslizando na Marquês de Sapucaí exigindo respeito à mulher, isto mesmo, porque pedir é uma fase que esperamos já ter sido superada.

Foi levada para a passarela, colocada em destaque, para todo mundo ver, e aí no sentido exato da palavra, todo mundo. A Porto da Pedra levou as ruas o grito que muito vezes fica sufocado, no meio de tantos brilhos aparece aquela que tem de provar que é capaz, que tem competência e por isso precisa “matar um leão”, diariamente, para ter assegurada a sua inserção no mercado. É a mulher que tem a jornada dupla de trabalho, com sentimento de culpa a lhe roer as entranhas por ter de deixar os filhos em casa ou em creches, batalhando para o sustento da família e porque não, vamos dizer, para se sentir uma pessoa realizada, integrada e capaz de poder ter sonhos profissionais. Não pedimos nada mais, nem nada menos, que o cumprimento da Constituição: ...“todos são iguais perante a Lei”.

(Publicado no Diário de SM no dia 06.03.2006)

* SEDUFSM



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