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SOU SINDICALIZADO! E DAÍ?

Por:  Diorge Alceno Konrad*

Boa parte dos que argumentam que estaríamos em plena sociedade pós-alguma coisa tem defendido que há uma crise de organização da sociedade civil, manifesta nos planos econômico (exclusão e economia marginal), político (atomização das lutas sociais, crise de representação, limites do sistema político para atender demandas sociais) e cultural (massificação de um pensamento único), estabelecendo o anti-movimento social.

A crise está estabelecida, sobretudo porque nestes tempos de retirada de conquistas históricas, o trabalhador que tem emprego se preocupa mais em mantê-lo a reivindicar novos direitos ou recompor perdas salariais. Sabemos que a reserva de mercado de trabalho, além de manter salários baixos, pressiona para a defesa do emprego individual.

Esta situação tem transformado em tragédia a farsa histórica de que o livre mercado é alternativo aos problemas sociais e econômicos, em especial para a segurança no mundo do trabalho. Na contramão da ampliação de direitos está proposta a reforma sindical, ante-sala da reforma trabalhista. Na primeira, desestrutura-se a organização de resistência dos trabalhadores; na segunda, retiram-se os direitos conquistados.

Nas universidades públicas, marcadas por uma política de arrocho salarial, são propostas parcerias público-privadas, projetos alternativos para recursos extras de complementação salarial e outras formas de renda. Atrás disso vem sendo implantada a reforma universitária, que cria nichos de interesses privados dentro do espaço público, ameaçando a universidade gratuita e de qualidade. Acompanha essa trajetória a máxima de que os sindicatos se tornam desnecessários para as conquistas e greves são formas ultrapassadas de luta, etc. E daí? Por que a sindicalização?

A SEDUFSM iniciou uma campanha para reafirmar aos antigos e aos novos colegas professores que, diante da armadilha política de que a solução para os problemas está no individual e não no outro, logo ali, cada um pode ser este outro. Na oposição do discurso desmobilizador, continuamos chamando à organização sindical, que produziu importantes conquistas para a categoria, mesmo que ainda muito aquém daquilo que todos almejam. Pense nisso. E sindicalize-se!

(Publicado no Diário de SM no dia 17.04.2006)

* SEDUFSM



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