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Educação e ensino

Por:  Júlio Cezar Colvero*

O ensino distanciado da educação é inócuo. Ocorre que a educação nasce no grupo cultural em que nascemos, cresce e se desenvolve com a convivência diuturna, nas diversas fases da vida. A distância entre ambos – educação e ensino – inexiste no sentido em que entrelaçam e trocam informações e é importante no despontar da personalidade humana.

Quando o núcleo familiar transfere suas responsabilidades a outrem, ou seja, às escolas e professores, vê-se o declínio assustador da civilidade. Pior, ainda, quando os familiares, culpam ou impõem aos professores em geral a responsabilidade que lhes cabe, esquecendo que as salas de aula multiplicam geometricamente o número de pessoas. Aparecem, assim, com crescente mal-estar, as agitações inoportunas e deletérias. Aparentam às vezes serem movimentos de massa, próximos dos caminhos norteados, por um “chamado modelo de virtude cívica” que fragmentou-se em escândalos morais e éticos.

Os mensalões da vida, as benesses sem contrapartida, os arroubos de prepotência e superioridade levam ao descalabro e à impunidade. Generaliza-se o viver à sombra do patriciado, definem-se as personalidades jactando-se de receber sem esforço próprio para o cumprimento de seu dever patriótico e humano.

O saber haurido seja em que nível for, mesmo que sem aplicabilidade direta ou remota é ao humano um requisito de ampliação de seus horizontes espirituais. Ora, hoje, nos Galápagos (as ilhas que Darwin imortalizou, com a evolução das espécies) reúnem-se especialistas, cientistas de todos os níveis com a possibilidade de observar e definir novas formas que a Matéria, no Universo existentes, mas não definidas ou catalogadas. Será que estamos no limiar de novas civilizações universais?

Por isso tudo é urgente que repensemos as formas de agir e sentir, de harmonizar o trato entre os homens, mulheres, crianças e ambiente em geral e tudo que nos cerca. Não esqueçamos a imensa responsabilidade das Universidades. Cada um recebendo a sua fatia de resolução, no porvir da humanidade.

É com grande júbilo que lemos – o grupo de alunos de História e Arquivologia – orientados pelo professor Joél Abilio Pinto dos Santos, o Mestre, em amplo sentido – afeitos ao estudo, análises e sugestões nesse extraordinário campo da educação. A humanidade evolui, cresce, o saber desponta, nem por isso podemos ou devemos esquecer o aprendizado direto no contato físico, na transmutação, no olhar, na observação dos movimentos cíclicos da natureza.

(Publicado em A Razão no dia 03.07.2006)

* SEDUFSM



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