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29/08/2014   02/09/2014 16h41 | A+ A- | 726 visualizações

Delegação da Sedufsm comenta decisões do 59º Conad

Seção Sindical esteve representada por três professores em Aracaju


A representação da Sedufsm no Conad: professores Adriana Zecca, Adriano Figueiró e Getúlio Lemos

A Seção Sindical dos Docentes da UFSM (Sedufsm) esteve representada no 59º Conselho do ANDES-SN (Conad), que ocorreu de 21 a 24 de agosto em Aracaju (SE), por três professores: Adriano Figueiró (delegado no encontro), Getúlio Silva Lemos e Adriana Zecca, ambos observadores. Dentre as várias discussões e encaminhamentos do evento, se destacam a questão das mudanças propostas na metodologia dos futuros congressos do Sindicato Nacional, e o seminário para debater a reorganização frente a temas como a organização multicampi, a precarização do trabalho e a expansão do ensino a distância (EaD).

Na avaliação do professor Adriano Figueiró, presidente da Sedufsm, o debate sobre a mudança de metodologia dos encontros do ANDES-SN é de extrema importância, pois as alterações poderão garantir um debate mais qualificado dos delegados e observadores sobre as temáticas dos eventos, sem o habitual cansaço gerado pelas longas e cansativas plenárias, que se estendem noite adentro.  Para Figueiró, a única forma de possibilitar isso sem que se prejudique o debate pleno sobre as resoluções a serem aprovadas, consiste num maior controle sobre os textos que são enviados para o caderno de textos e ao caderno anexo. Some-se a isso, segundo ele, uma melhor definição sobre as decisões deliberadas nos grupos de discussão e que seguem para a plenária.

Para o presidente da Sedufsm, é dessa forma, limitando o envio dos textos de conjuntura ao caderno principal dos eventos (e evitando o envio ao caderno anexo) e criando mecanismos para impedir que resoluções discutidas e rejeitadas em todos os grupos de discussão possam ir novamente à discussão e votação nas plenárias, é que se pode esperar que os congressos e CONADs possam assumir um maior dinamismo, melhorando a qualidade da participação dos docentes nestes eventos.

Organização

Sobre o debate em relação às questões organizativas do sindicato, que terá sequência entre o final de outubro e o início de novembro, Adriano Figueiró considera o tema bastante pertinente. Para ele, o processo de expansão das universidades federais promovido pelo Reuni, além da precarização do processo de formação profissional, devido à instalação de novos campi sem as estruturas adequadas para o funcionamento de muitos cursos, trouxe um problema adicional ao sindicato, já que as seções sindicais passaram a ter os seus filiados em diferentes campi, muitas vezes separados por longas distâncias entre si. Ele explica que isso dificulta a participação dos docentes descentralizados em assembleias, além de tornar mais penosa a atividade das direções sindicais, que precisam estar constantemente se deslocando de um campus a outro. Por isso, ressalta, é fundamental que o ANDES-SN possa construir uma reflexão e um debate sobre quais as possibilidades organizativas para fazer frente a estas novas dificuldades, considerando que a formação de seções sindicais independentes em cada campus seria um retrocesso para o sindicato, já que produziria uma pulverização de seções muito pequenas e sem capacidade financeira para garantir a sua participação nas atividades do sindicato nacional.

Na análise de Figueiró, a questão fundamental nesse debate consiste em compreender que na organização por local de trabalho, defendida historicamente pelo ANDES-SN, esse "local de trabalho" precisa ser entendido como a IFES descentralizada e não como cada campus individualmente. Para ele, desse debate depende a capacidade futura de mobilização e manutenção de uma agenda nacional de lutas do sindicato, garantindo a unidade de ação da categoria e a articulação com os demais servidores públicos federais.

EaD

A discussão sobre o Ensino a Distância (EaD) não é nova dentro do ANDES-SN e sua atualidade continua sendo absolutamente constatada pelo funcionamento cotidiano das universidades, enfatiza o professor Adriano Figueiró. Para o dirigente da Sedufsm, o ensino a distância representa hoje uma das grandes fontes de ingresso de recursos que alimentam as fundações ditas de apoio e todo o sistema de privatização que estas acarretam.

Figueiró avalia que o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) ampliou a terceirização de funções administrativas, o que gerou perda de qualidade e de garantias para os trabalhadores que executam estas atividades, como por exemplo, na  limpeza, nos transportes e na segurança. Já o governo Lula (2003-2010), dá início à terceirização da atividade fim, ou seja, a terceirização do ensino. A realidade constatada hoje é que muitos professores e tutores são contratados de forma precarizada para os cursos de EaD, ou seja, não pertencem aos quadros das universidades. Isso cria um quadro em que, além da perda de garantias e direitos trabalhistas desses profissionais, há também uma retirada da universidade de parte do controle sobre a qualidade do trabalho realizado. Dessa forma, explica ele, cada vez mais, a universidade pública real passa a se confundir com a universidade virtual de direito privado, numa complexa trama jurídico-administrativa que apenas contribui para aumentar o dinheiro apropriado de forma privada por alguns grupos que controlam este sistema.

Em sua análise, Figueiró destaca ainda que a comprovação desse quadro é que nenhuma instituição oferece os cursos "de ponta" na produção do conhecimento e da tecnologia, como as engenharias, o direito, a medicina, na modalidade de ensino a distância. “Priorizam-se especialmente os cursos de formação de professores, garantindo uma reprodução ampliada de uma formação aligeirada e de patamar rebaixado, que já inicia desde um processo seletivo diferenciado. É por isso que o ANDES-SN precisa manter a sua luta contra esta forma de ‘crescimento’ estrutural das universidades, que pouco contribui para efetivar o padrão unitário de qualidade historicamente defendido, que se baseia na indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”, enfatiza o presidente da Sedufsm.

A primeira vez

Para a professora Adriana Zecca, que atua no Cesnors, em Frederico Westphalen, a experiência de ter participado pela primeira vez de um evento do Sindicato Nacional, o Conad, foi muito importante. Segundo ela, especialmente porque desde que acabou a greve (2012) ela não havia mais se envolvido nas discussões sobre os rumos e ações do ANDES-SN. Ela ressalta ter voltado mais motivada para participar ativamente da vida sindical. “A oportunidade de conversar com professores de todo o Brasil é sempre muito rica, a gente sai do mundinho do nosso campus, onde estamos isolados e tem a chance de trocar experiências e ideias”, frisa a professora.

Em relação ao Conad em si, Adriana se diz frustrada, pois foi com muitas perguntas de seus colegas, que a procuraram na volta do encontro, mas que ela não teve essas respostas. Segundo a docente, as preocupações dos colegas se centram bastante na questão salarial, mas que o evento de Aracaju, no seu entendimento, pouco avançou em relação a esse tema.

Contudo, a docente do Cesnors ressalta como elemento positivo, a aprovação do seminário que irá discutir temas que angustiam bastante a categoria, como por exemplo, a questão da precarização do trabalho e a expansão do ensino a distância.

‘Renovação’

Getúlio Silva Lemos, diretor da Sedufsm e que esteve como observador no Conad, destaca que, dos eventos nacionais do ANDES-SN, dos quais participa desde 2012, o encontro de Aracaju pode ser considerado como o da “renovação”.  Na análise de Lemos, de todos os eventos que já participou, o 59º Conad foi aquele em que a preocupação sobre a temática dos aposentados mais teve ênfase.

Sublinha o professor: “Saímos de Aracaju prontos para os desafios que estão colocados no horizonte, como as mudanças metodológicas do Congresso do ANDES-SN e o seminário que discutirá o aperfeiçoamento da estrutura do sindicato. É dessa forma que vamos conseguir refazer os modos de ação do sindicato, tornando- cada vez mais identificado com a nossa categoria”.

Texto e fotos: Fritz R. Nunes

Assessoria de imprensa da Sedufsm



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