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25/08/2016   25/08/2016 18h27 | A+ A- | 651 visualizações

“aPOcaLÍpTICO” abriu debate sobre crise política do país

66ª edição do Cultura na Sedufsm teve primeira parte na noite de quarta-feira


Espetáculo musical carregado de muita reflexão política

A trilha sonora que abre o espetáculo de dança “aPOcaLÍpTICO” é recheada de gravações de discursos inflamados na Câmara dos Deputados durante a abertura do processo de impeachment da então presidente da República, Dilma Rousseff, em abril deste ano. Elogios à família brasileira, à ditadura civil militar, em meio a pronunciamentos denunciando o que seria um golpe jurídico-parlamentar contra um governo eleito nas urnas.

Esse é o clima que ajuda a nortear a peça musical, que tem a coprodução da Crystian Castro Cia de Dança e também do curso de Dança (Licenciatura) da UFSM, através da dramaturgia do professor Odailso Berté, que é do curso de Dança do Centro de Educação Física (CEFD/UFSM). O teatro Caixa Preta, do Centro de Artes e Letras (CAL) ficou lotado na noite desta quarta, 24, por uma plateia que riu bastante e, ao final, aplaudiu de pé o espetáculo, que compôs a primeira parte da 66ª edição do projeto Cultura na Sedufsm. A segunda parte, que completa a edição que se propõe a uma reflexão sobre a crise política e econômica que o país atravessa, acontece na sexta, 2 de setembro, com um debate no auditório da Sedufsm.

Na análise dos criadores do espetáculo, a forma como o discurso político é construído e disseminado nas mídias televisivas, nos jornais, nas revistas e redes sociais, e também em diálogos cotidianos, estabelece controvérsias e pode acabar por insuflar o ódio, a intolerância social, o desrespeito. Dessa forma, a peça tenta não só refletir sobre essas questões, mas também sugerir atos políticos que deem voz aos sujeitos, buscando desconstruir visões preconceituosas e retrógradas sedimentadas por discursos políticos distorcidos.

Ao longo do espetáculo ficam claros os estereótipos disseminados na sociedade e que fortalecem preconceitos, como por exemplo, o papel subalterno das mulheres, a política de interesses ‘do é dando que se recebe’, os programas televisivos de auditório, através dos quais são reforçadas as diversas formas de discriminação, entre outras mazelas sociais.

É preciso politizar

Na sequência da apresentação, seguiu-se um debate com interação do público, do qual participaram o professor Odailso Berté, autor da dramaturgia do espetáculo, e a professora Tatiana Recompensa Joseph, que além de docente do curso de Dança do CAL, é também diretora da Sedufsm.

Tatiana abriu dizendo que um dos grandes desafios da atualidade é como politizar o debate dentro da universidade. Segundo ela, em que pese a conjuntura política do país, que afeta diretamente a educação, com projetos de cunho privatistas, há uma dificuldade para que as pessoas encontrem tempo para discutir essas questões. E o quase esvaziamento do teatro após o término da apresentação de dança demonstrou que essa dificuldade em debater é bem concreta. A docente também elencou alguns projetos como o PLP 257/16 e a PEC 241/16, cujos efeitos são dramáticos para as áreas sociais, a educação em especial.

Odailso Berté destacou que o espetáculo não precisava de explicações detalhadas, pois a interpretação dependia bastante da subjetividade de cada um. Todavia, o professor de dança do CEFD ressaltou que o objetivo maior era justamente politizar, fazer uma apresentação que não se resumisse a algo que as pessoas achassem “bonitinho”, mas que provocasse uma reflexão crítica.

Maristela Souza, diretora Sedufsm e também professora do CEFD, analisou que a pouca participação das pessoas nos debates políticos tem relação direta com a falência de um sistema político tradicional, no qual imperam as trocas de favores. Para ela, os governos do PT colaboraram com essa “falência”, pois teriam descumprido promessas e se rendido à tradição conservadora da política.

Alguns integrantes da plateia expressaram preocupação com o avançar de retrocessos no país, especialmente a partir do que foi visto por alguns, como a derrubada da presidente Dilma Rousseff. Odailso Berté teme a ascensão de ondas conservadoras, como por exemplo, o que está expresso no projeto ‘Escola Sem Partido’. Para ele, pode se chegar a um momento em que espetáculos como o assistido na noite de quarta-feira sejam proibidos.

Fora Temer

O debate sobre a crise política e econômica do país, ponto central da 66ª edição do Cultura na Sedufsm, prossegue na sexta, 2 de setembro, às 19h, no Auditório Suze Scalcon. Participam como palestrantes o professor Jerônimo Tybusch (departamento de Direito da UFSM), a professora Sofia Manzano (curso de Economia da Universidade do Sudoeste da Bahia-UESB) e Paulo Barela (dirigente sindical da CSP-Conlutas). O evento será poucos dias após a votação final do processo de impeachment de Dilma Rousseff no Senado, portanto, oportunidade ímpar para ouvir opiniões sobre “golpe ou não golpe” e refletir sobre a consigna “Fora Temer” e seus reflexos.

Texto e fotos: Fritz R. Nunes

Assessoria de imprensa da Sedufsm

 



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