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06/03/2017   06/03/2017 17h49 | A+ A- | 468 visualizações

Nesse 8 de março, elas farão greve

Mulheres do mundo inteiro organizam marchas e paralisações para a data


A próxima quarta-feira, 8 de março, é mundialmente conhecida como o Dia Internacional de Luta da Mulher Trabalhadora. E, para marcar a ocasião, meninas e mulheres trabalhadoras de vários países do mundo organizam greves e manifestações, aderindo a chamado feito após a grande marcha de mulheres no dia seguinte à posse do presidente Donald Trump, nos Estados Unidos, em 21 de janeiro.

Publicado originalmente na Viewpoint Magazine, o manifesto Para além do “faça acontecer”: por um feminismo dos 99% e uma greve internacional militante em 8 de março, assinado pelas professoras, filósofas e feministas Angela Davis e Nancy Fraser, conclama mobilizações de cunho anticapitalista. No texto, elas criticam as correntes feministas que não destacam os recortes de classe, de etnia e de orientação sexual dentro do movimento. Para ler o manifesto na íntegra, clique aqui.

Na avaliação de Caroline de Araújo Lima, 1ª vice-presidente da Regional Nordeste III e da coordenação do Grupo de Trabalho de Política de Classe para as questões Etnicorraciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS) do ANDES-SN, a greve é uma resposta ao avanço do conservadorismo.

 “A data 8 de março é uma data historicamente da mulher trabalhadora, e o movimento de greve internacional das mulheres está fazendo um debate necessário e importante sobre a condição da mulher no século XXI. Desde 2015 -  com os ataques de Eduardo Cunha [então presidente da Câmara dos Deputados]-, nós acompanhamos dentro do parlamento brasileiro vários projetos de lei que têm como objetivo o controle dos nossos corpos e a retirada dos nossos direitos. E diante de todos esses ataques, nós começamos a reagir”, disse a docente.

Origem da data

A origem do Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras remonta ao início do século XX, tendo sido fixado a partir de uma greve iniciada em 23 de fevereiro (calendário russo) de 1917, na Rússia, por tecelãs e costureiras de São Petersburgo. A paralisação foi o estopim da primeira fase da Revolução Russa. Contudo, essa origem foi sendo apagada, propositalmente, a partir da Guerra Fria.

Atualidade

Hoje, as mulheres têm se organizado de forma contundente pela conquista de seus direitos. Exemplos em 2016 foram a greve geral organizada pelas mulheres polonesas para reivindicarem o direito ao aborto; protestos pela igualdade salarial na Islândia; protestos contra o feminicídio na Argentina, no Brasil e em outros países da América Latina.

No Brasil, além da mobilização contra todos os tipos de violência que incidem sobre as mulheres, elas resistem, também, às contrarreformas da Previdência e Trabalhista. A contrarreforma da Previdência, que tramita como Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/16, pretende igualar o tempo de contribuição de homens e mulheres, ignorando o fato de que mulheres realizam dupla e até tripla jornada de trabalho. Eles e elas só poderão se aposentar com, no mínimo, 65 anos de idade e 25 de contribuição.

Já a contrarreforma Trabalhista, Projeto de Lei (PL) 6.787/16, que prevê regras de contratos temporários de trabalho e prioriza o negociado sobre o legislado em relação a alguns direitos (inclusive os contidos na Consolidação das Leis do Trabalho - CLT), terá graves consequências às mulheres, uma vez que permite a jornada de trabalho por até 220 horas mensais, abrindo a possibilidade de turnos de 12 horas por dia.

Mapa da Violência

Segundo o Mapa da Violência de 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), 13 mulheres são assassinadas por dia no Brasil. O país é o 5º que mais mata mulheres no mundo, perdendo somente para El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia.

A coordenadora do GTPCEGDS do Sindicato Nacional, Caroline de Araújo Lima, afirma que os números da violência no país retratam a sociedade machista em que vivemos, necessária de ser combatida em sua raiz, a partir do desenvolvimento de cidadãos conscientes em relação à igualdade de gênero, com o debate nas instituições de ensino, em casa, no trabalho e em toda a sociedade.

Por tudo isso, Caroline afirma ser necessária a participação dos docentes, técnico-administrativos em educação, estudantes e de toda classe trabalhadora brasileira na mobilização do dia 8 de março, em cuja essência está a contrariedade a todos os tipos de violência que incidem sobre as mulheres, sobretudo as mais vulneráveis: negras, lésbicas, periféricas e transexuais.

“Não existe um mundo sem mulheres, sejam elas cis [cisgênero: termo utilizado para se referir às pessoas cujo gênero é o mesmo que o designado em seu nascimento] ou trans. Essa luta é por direitos e pela vida das mulheres. Por isso, é de extrema importância a CSP-Conlutas e o ANDES-SN - assim como as demais centrais e entidades - aderirem ao dia 8 de março”, ressaltou a diretora do Sindicato Nacional.

O ANDES-SN e a CSP-Conlutas orientam os docentes e toda a classe trabalhadora a participarem dos atos públicos nos estados – em unidade com entidades, movimentos sociais e populares, estudantes e toda a sociedade -, no Dia Internacional de Luta da Mulher Trabalhadora e no Dia Nacional de Luta contra a Reforma da Previdência, na perspectiva da construção da greve geral.

A participação dos docentes no Dia Nacional de Luta em defesa da Mulher Trabalhadora foi aprovada no 36° Congresso do ANDES-SN, que ocorreu em janeiro deste ano em Cuiabá (MT). O Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe) também indicou adesão ao 8 de março.

Agenda em Santa Maria

Acompanhe, abaixo, algumas atividades referentes ao 8 de março em Santa Maria, e participe!

Terça-feira (07/03):

Debate “A Reforma da Previdência e seus impactos para as mulheres trabalhadoras”, às 19h, na Sedufsm.

Quarta-feira (08/03):

- Caminhada pelo campus da UFSM. Concentração a partir das 9h30, em frente ao Colégio Técnico Industrial (Ctism);

- Debate em frente ao Restaurante Universitário (RU), às 12h;

- Debate “A Reforma da Previdência e os impactos para as mulheres”, promovido pela Atens, às 14h, na sala 218 do prédio da Reitoria;

- Marcha pelo centro de Santa Maria, com concentração às 16h, na Praça Saldanha Marinho. Saída às 18h30, em direção à Praça dos Bombeiros, para cine debate com o documentário “Lute como uma Menina”.

Sexta-feira (10/03)

- Roda de Conversa “Igualdade de Gênero da Universidade: implicações para o ensino, pesquisa, extensão e gestão”. Às 8h30, na sala 218 da Reitoria.

 

Fonte: ANDES-SN, com edição de Bruna Homrich

Imagem: ANDES-SN

Assessoria de Imprensa da Sedufsm

 



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