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08/03/2017   09/03/2017 17h28 | A+ A- | 383 visualizações

Marcha de mulheres na UFSM denuncia violência e desigualdade

Atividade marcou o Dia Internacional de Luta da Mulher Trabalhadora


Protesto, que ocorreu na manhã desta quarta, denunciou, também, a contrarreforma da Previdência

Segundo o Atlas da Violência 2016, publicação do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), treze mulheres são assassinadas por dia no Brasil. Já de acordo com o Mapa da Violência – Homicídio de Mulheres, a cada minuto uma mulher brasileira procura unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) em decorrência de violência sofrida. E, na maior parte das vezes, a agressão vem do espaço doméstico, sendo protagonizada por cônjuges ou ex-companheiros. Esses, contudo, são apenas os casos notificados.

Então, quantas mulheres são agredidas no transcorrer de uma hora de protesto? Essa foi uma das reflexões deixadas pelas manifestantes que, na manhã desta quarta-feira, 8, encabeçaram manifestação no campus da UFSM. A atividade, organizada pelo Fórum de Mulheres de Santa Maria, marcou o início da agenda em referência ao 8 de março – Dia de Luta da Mulher Trabalhadora, que também abarca debates e uma marcha no centro de Santa Maria.

Concentradas próximo ao arco de entrada da universidade, as estudantes e trabalhadoras docentes e técnico-administrativas em educação (TAEs) percorreram ruas centrais do campus, com palavras de ordem que denunciavam a situação de violência enfrentada pelas mulheres, inclusive dentro da própria instituição, com casos registrados de assédio por parte de docentes e técnicos contra estudantes mulheres – e, também, dentro das próprias categorias específicas. A reivindicação por um Conselho de Mulheres democrático em Santa Maria também esteve presente.

Fabiane Costas, diretora da Sedufsm, ressaltou a importância da participação das mulheres nos espaços de militância, frisando que, mesmo no movimento sindical, a opressão de gênero ainda necessita de ser combatida.

Uma tônica que permeou o protesto foi a necessidade de barrar a contrarreforma da Previdência, que ataca centralmente as mulheres, visto que termina com o regime diferenciado de aposentadoria, renegando o fato de que as mulheres cumprem duplas ou triplas jornadas de trabalho, já que os afazeres domésticos e o cuidado com os filhos ainda são, devido à divisão sexual do trabalho, tarefas encaradas como femininas.

 Outro eixo da manifestação desta quarta foi a necessidade de mais mulheres irem às ruas pela defesa de seus direitos. Enquanto passava pelos estudantes – muitos recém ingressando na universidade, ainda com os rostos pintados -, a marcha convidava-os a se juntarem ao movimento, pois, como disse trecho de uma ciranda realizada em frente ao prédio da reitoria: “Companheira, me ajuda, que eu não posso andar só. Eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor”.

Na parte da tarde, dando sequência às atividades, uma marcha foi realizada pelas principais ruas do centro de Santa Maria. Marcando a metade do percurso, a caminhada passou pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, na Praça Saturnino de Brito, momento no qual falas foram feitas ressaltando os números assustadores de violência contra às mulheres. Além disso, a falta de assistência foi duramente criticada, com destaque para o horário de funcionamento da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Santa Maria, que opera apenas de segunda à sexta, em horário comercial. O encerramento da caminhada se deu na Praça dos Bombeiros, onde foi realizado um cine debate que apresentou o documentário “Lute como uma menina”. Confira mais fotos das atividades de quarta a tarde aqui.

Para sexta-feira, dia 10, também estava prevista uma roda de debate na sala 208 (2º andar) do prédio da Reitoria, às 8h30, com o tema “Igualdade de Gênero da Universidade: implicações para o ensino, pesquisa, extensão e gestão”.

Texto e fotos: Bruna Homrich com colaboração de Rafael Balbueno
Assessoria de Imprensa da Sedufsm



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