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27/03/2017   27/03/2017 16h00 | A+ A- | 1357 visualizações

Docentes lançam nota em defesa da Geografia no ensino médio

Assembleia da Geociências criticou reforma do ensino através de medida provisória


Protestos não foram suficientes para barrar proposta de reforma do ensino médio

Na última sexta, 24 de março, os docentes do departamento de Geociências da UFSM realizaram uma reunião com caráter de assembleia que acabou por aprovar uma nota pública “em defesa da Geografia no ensino médio”. Conforme o texto elaborado pelos professores, em que manifestam repúdio à iniciativa do governo federal de promover uma reforma do ensino médio através de medida provisória (MP 746/16), já aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Michel Temer, mas sem qualquer diálogo com a sociedade, especialmente com os profissionais envolvidos.

Na análise feita através da nota divulgada pelos professores, consta também que “ao descartar a obrigatoriedade de disciplinas fundamentais para a formação humana de nossa juventude, como é o caso da Geografia, o governo encaminha para um processo de profundas e negativas transformações na forma como se dá a formação de professores em nossas universidades.” E que esse tipo de ação “compromete a formação de um pensamento critico e autônomo, além de retroceder historicamente na possibilidade de uma integração latino-americana capaz de interpretar o mundo com uma visão diferente da que se está procurando impor.”

Leia a nota na íntegra a seguir:

EM DEFESA DA GEOGRAFIA NO ENSINO MÉDIO

Os professores do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Maria, reunidos em 24 de março de 2017 vem a público manifestar seu repúdio à iniciativa do Governo Federal de promover uma reforma no Ensino Médio por meio da Medida Provisória nº 746/2016, sem oportunizar qualquer debate mais amplo com a sociedade, especialmente com os profissionais que historicamente estão envolvidos com a formação de professores neste país.

A falta de diálogo e o regime de urgência imposto ofendem os princípios básicos de uma sociedade cuja democracia foi conquistada com muito esforço; sobretudo, compromete profundamente a qualidade de formação dos estudantes brasileiros, em especial na sua preparação para interpretar e agir sobre a realidade de um mundo cada vez mais complexo, dividido e marcado pela crescente exclusão e concentração de renda.

Ao descartar a obrigatoriedade de disciplinas fundamentais para a formação humana de nossa juventude, como é o caso da Geografia, o governo encaminha para um processo de profundas e negativas transformações na forma como se dá a formação de professores em nossas universidades. Isto compromete a formação de um pensamento critico e autônomo, além de retroceder historicamente na possibilidade de uma integração latino-americana capaz de interpretar o mundo com uma visão diferente da que se está procurando impor.

A reforma aprovada pelo Congresso Nacional, flexibilizando o processo de formação humana e ampliando a preparação técnica focada no mercado, afetará em especial a escola pública brasileira, o quê sinaliza claramente para uma substituição da formação integral do indivíduo pela formação profissional de baixa complexidade. Neste processo, caberá aos filhos das classes populares, ocupar os postos mais baixos e mal remunerados do mercado de trabalho. Tal fato estabelece uma ruptura significativa com o processo que se vinha verificando nos últimos anos, de inclusão e empoderamento dos menos favorecidos.

Desde longa data, a disciplina de Geografia representa uma possibilidade concreta de compreensão das dinâmicas econômicas e socioambientais que se estabelecem no espaço terrestre, cada vez mais conectado, tecnificado e vulnerável. Retirar da escola a obrigatoriedade de um espaço pedagógico que privilegia este tipo de debate, implica condenar as próximas gerações a um processo crescente de automação tecnológica e de alienação das condições estruturantes do mundo que as cerca. Por essas razões, manifestamos nossa contrariedade a este projeto de reforma do Ensino Médio e conclamamos a sociedade brasileira a lutar por uma formação mais qualificada e crítica da juventude do nosso país, sem a qual o futuro do Brasil como Estado soberano e em desenvolvimento estará comprometido!”.

 

Edição: Fritz R. Nunes

Assessoria de imprensa da Sedufsm



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