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01/11/2017   01/11/2017 11h34 | A+ A- | 100 visualizações

Especialistas debatem incertezas no cenário eleitoral de 2018

Mesa de debates na UFSM ocorreu na quinta, 26 de outubro, na 2ª Jornada de Ciência Política


Cabrera (d) destacou no atual cenário político, o protagonismo do Judiciário

O cenário eleitoral de 2018 tem um horizonte recheado de incertezas. Entretanto, uma dúvida que muitos levantam, se haverá ou não eleição no próximo ano, tem resposta positiva com “alguma margem de certeza”, ou seja, ocorrerão eleições. A análise é de Carlos Artur Gallo Cabrera, doutor em Ciência Política pela UFRGS, professor do programa de pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Cabrera esteve na UFSM na última quinta, 26, participando da 2ª Jornada de Ciência Política, promovida pelo departamento de Ciências Sociais e também pelo Núcleo de Estudos sobre Democracia e Desigualdades (NEDD), e o Núcleo de Pesquisas e Estudos em Ciência Política (NPCP). Junto com ele, à mesa, esteve debatendo o professor Rafael Machado Madeira, também doutor em Ciência Política pela UFRGS, e professor da PUC-RS. O tema abordado por eles foi “A encruzilhada da eleição de 2018”. A coordenação da atividade foi do professor Cleber Martins, cientista político e professor do departamento de Ciências Sociais da UFSM.

O cientista político citou o que considera alguns dos vários dilemas eleitorais para o próximo ano. Um desses dilemas é o da moralização política. Carlos Gallo Cabrera sublinhou o aspecto que tem sido muito discutido recentemente, que é o protagonismo do Judiciário. Para ele, se houver o impedimento de candidaturas por questões morais, abre-se um precedente para o sistema democrático. Na avaliação do professor, ou há uma flexibilização nesse processo, ou caso contrário, teria que se punir a todos os citados.

Papel do vice

Depois do episódio envolvendo Michel Temer, que pressionou pela queda de Dilma Rousseff, e acabou assumindo a Presidência, Cabrera entende que é possível que no pleito de 2018 as pessoas prestem mais atenção no candidato a vice, o que não vinha acontecendo em eleições recentes. Para o professor, o vice-presidente ganhou um protagonismo que não se via desde a década de 1960, quando João Goulart foi o vice de Jânio Quadros.

Uma outra reflexão levantada pelo cientista político é quanto à pauta da agenda eleitoral do próximo ano. Cabrera questiona se a ideia do “antipetismo puro” se manifestará com força em 2018, tendo em vista que o PT não é mais governo. Para ele, a alusão de “coxinhas” ou “petralhas” pode ter menos força, e o que se sobressairia no debate político é a pauta econômica.

Incógnitas partidárias

Na análise de Carlos Cabrera, o fator Lula é uma incógnita, pois não se sabe se ele estará habilitado a concorrer, depende de decisão judicial. E, no caso de não poder concorrer, avalia o professor, cria-se um vácuo sucessório, pois não há no PT um plano B. Mas, o PT não é a única pergunta sem resposta. Além do fator Aécio (Neves) e o escândalo que abalou o partido, é preciso ver se Fernando Henrique Cardoso poderá ser um ponto positivo ou negativo na campanha tucana.

Cabrera citou ainda outros potenciais candidatos e as interrogações que sobre eles paira. Em relação a Ciro Gomes, considera que o mesmo tem um discurso interessante, mas se envolve fácil em polêmicas. No caso de Marina Silva, aponta como fragilidade o fato de ela ter dificuldade em tomar posição sobre questões políticas polêmicas. Em relação a Bolsonaro, representa a “polêmica em pessoa”, mas diz coisas que muita gente quer ouvir. Especificamente em relação a Jair Bolsonaro, o cientista político o vê como um “risco claro”.

Incerteza pessimista

Além de incertezas no cenário político eleitoral, o segundo professor a falar na mesa de debates, Rafael Machado Madeira, acrescentou um tom de pessimismo à conjuntura. Para Madeira, desde 2013 vivemos um clima de instabilidade. Há, conforme o cientista político, uma turbulência no caminho das instituições. “Perdemos a rotina da institucionalidade”, disse ele. Para Madeira, nos anos 80, se vivia um quadro de incerteza, mas dentro de um quadro otimista, em função de que se esperava pelo fim da ditadura e a reconstrução democrática. Entretanto, nos dias atuais, a incerteza é pessimista, pois tudo indica que “o que está ruim pode piorar ainda mais”.

Uma das novidades na conjuntura atual, segundo o professor, é que a direita ideológica resolveu se assumir e não vivencia mais a situação conceituada pelo pesquisador Leôncio Rodrigues, que cunhou a expressão “direita envergonhada”. Enquanto em tempos não tão remotos, a direita era ausente, hoje ela passa a ter um protagonismo inédito. Com isso, setores qualificados em bancadas no Congresso Nacional, como por exemplo, a “bancada da bala”, passa a ter um papel bem influente, e deverão ser importantes atores no processo eleitoral de 2018.

Texto e fotos: Fritz R. Nunes

Assessoria de imprensa da Sedufsm



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