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10/11/2017   11/11/2017 11h46 | A+ A- | 1710 visualizações

Assembleia docente da UFSM aprova indicativo de greve

Decisão será encaminhada para debate no ANDES-SN


Plenária ocorreu no Auditório Suze Scalcon da Sedufsm

Em assembleia ocorrida na tarde desta sexta, 10, no Auditório Suze Scalcon da Sedufsm, os docentes aprovaram indicativo de greve por tempo indeterminado nas Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), a ser avaliado ainda para o mês de novembro. A decisão da categoria na UFSM, tomada pela unanimidade dos presentes, será encaminhada para debate no âmbito do Sindicato Nacional dos Docentes (ANDES-SN).

A deliberação foi precedida por uma análise de conjuntura, realizada pelo vice-presidente da Sedufsm e membro da CSP-Conlutas, professor João Carlos Gilli Martins. Em sua fala, Gilli citou os projetos que têm atingido os direitos dos trabalhadores e dos servidores públicos em especial, há bastante tempo. Lembrou a lei aprovada ano passado que congela investimentos do governo por 20 anos, citou a reforma trabalhista, que passa a vigorar nos próximos dias, da reforma da previdência, que o governo quer retomar, dos cortes que estrangulam as universidades. Destacou que, mais recentemente, ocorreu a edição da Medida Provisória (MP) 805/17, que suspende em 2018 o reajuste das tabelas remuneratórias e também aumenta a alíquota da contribuição previdenciária de 11% para 14%.

Em sua análise, o vice-presidente da Sedufsm destacou que, o que se vive no Brasil, e também em outros países, não é exatamente uma crise, mas a implementação de um projeto do capital para ampliar seus lucros à custa da espoliação dos trabalhadores e trabalhadoras. Durante a assembleia, a diretoria do sindicato informou que alguns desses temas, como por exemplo, a MP 805, estarão sendo debatidos no dia 30 de novembro, em evento no Auditório Sérgio Pires, para o qual já está confirmado o diretor do ANDES-SN, professor Amauri Fragoso.

Moção de repúdio aos cursos pagos

Durante a assembleia desta tarde também foi colocada em apreciação e aprovada uma moção de repúdio ao pagamento em cursos de pós-graduação lato sensu (especialização), que se avizinha a partir de informação da pró-reitoria de pesquisa e pós-graduação sobre elaboração de minuta de regulamentação. A leitura do conteúdo da moção foi feita pelo presidente da Sedufsm, professor Júlio Quevedo.

Conforme o texto, a assembleia se manifesta repudiando qualquer forma de cobrança, em cursos de pós-graduação, como também em cursos de graduação, em universidades públicas, pois isso afeta a gratuidade do ensino. Diz ainda a moção que “não aceitamos sob qualquer argumento e hipótese, a minuta de resolução que tramita na Proplan, institucionalizando a cobrança.”

Denúncia no campus de Frederico

A plenária desta sexta não teve apenas abordagem sobre greve ou mesmo sobre a moção de repúdio. Diversas professoras levantaram questões referente ao crescimento do assédio moral, que, aliás, será um tema a ser debatido no dia 21 de novembro, em Frederico Westphalen, por solicitação de docentes daquela unidade, sob a coordenação da Sedufsm.

Fabiane Costas, professora do Centro de Educação e diretora da Sedufsm, fez uma fala alertando para uma minuta que já estaria tramitando nos conselhos superiores, tratando do “disciplinamento discente”. A diretora do Centro de Educação, professora Helenise Sangoi Antunes, citou a existência de um Comitê de Controle de Risco na UFSM. Segundo ela, entre outras atribuições, esse comitê vasculharia até mesmo as postagens de docentes e técnicos em redes sociais para analisar.

Participando pela primeira vez de uma assembleia docente em Santa Maria, a professora do departamento de Ciências da Comunicação em Frederico Westphalen, Luciana Carvalho, fez um desabafo. Ela diz que está sendo vítima desse “controle” por parte de órgãos da instituição. Recentemente, alegou Luciana, foi chamada pela Comissão Permanente de Sindicância e Inquérito Administrativo (Copsia) e intimada a assinar uma espécie de Termo de Ajustamento de Conduta. Essa assinatura de um TAC teria como justificativa o fato de a professora, ao encabeçar uma carta aberta em apoio a uma colega de departamento (professora Melina Mota), demitida na fase de estágio probatório, e recentemente com pedido de reintegração aceito pelo Conselho Universitário, teria cometido algumas infrações.

Luciana Carvalho relatou aos presentes que as infrações das quais foi acusada se referem a supostas “quebra de sigilo, desapreço e falta de urbanidade”. A docente não aceitou assinar o termo de ajustamento de conduta e agora responderá a um Processo Administrativo (PAD), através do qual a sua conduta será investigada. Luciana disse que até postagens que fez, via facebook, sem citação de nomes, estão sendo usadas contra ela no processo.

Assentamento Madre Terra

Durante o ponto de pauta inicial, quando foram dados os informes, a educadora Daiane Marçal, do assentamento Madre Tierra, na localidade de Catuçaba, agradeceu o apoio da Sedufsm àquela comunidade, composta de assentados do movimento sem-terra. O agradecimento se referiu tanto ao caso da manutenção da escola no local, mobilização da qual a Sedufsm participou, como também no caso do evento “Primavera Libertária”.

A mesa que conduziu a plenária desta sexta foi coordenada pelos professores Júlio Quevedo (presidente), João carlos Gilli Martins (vice) e Fabiane Costas (secretária-geral). A assembleia teve a presença de 30 pessoas.

Ato por Nenhum direito a menos

Após o término da assembleia, professores se integraram à atividade do Dia Nacional de Lutas e Paralisações. Em Santa Maria houve um ato no final da tarde desta sexta-feira, 10. Estudantes, trabalhadores e movimentos sociais saíram às ruas para reivindicar a revogação da Reforma Trabalhista (que entra em vigor a partir de segunda-feira) e da Lei da Terceirização, e a retirada do projeto de Reforma da Previdência da pauta do Congresso. Além disso, o ato teve forte participação de estudantes e professores que denunciaram a tentativa do governo de fragilizar o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), cuja continuidade está ameaçada. Com os gritos de 'Fora Temer' e 'Nenhum direito a menos', a manifestação percorreu ruas centrais da cidade, finalizando na praça Saldanha Marinho.

Veja mais fotos da manifestação na página de facebook da Sedufsm

Texto: Fritz R. Nunes

Fotos: Ivan Lautert, Bruna Homrich e Fritz Nunes

Assessoria de imprensa da Sedufsm

 



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