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23/11/2017   23/11/2017 17h30 | A+ A- | 372 visualizações

Sem a URSS o mundo ficou pior, diz Enrique Padrós

Historiador da UFRGS falou na quarta, 22, no Seminário da Revolução Russa, na UFSM


Mesa com Enrique Padrós (d) foi coordenada pelo professor Éverton Picolotto, da UFSM

Há quem comemore o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) no início da década de 90, pois representaria o fim do Comunismo e o triunfo do Capitalismo. Não é o que pensa Enrique Padrós, professor de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Para ele, o mundo ficou muito pior sem o contraponto da antiga URSS e o Capitalismo ficou ainda mais selvagem. Padrós foi o conferencista, no final da tarde desta quarta, 22, durante o Seminário “100 anos da Revolução Russa. Análises e perspectivas”. O evento, que tem a Sedufsm como uma das promotoras, segue até esta sexta, dia 24.

O desenvolvimento da experiência da URSS a partir de 1917 de certa forma obrigou os países capitalistas a instituírem uma face mais humanizada, considera o historiador. Para ele, com a derrocada do projeto socialista, o que se percebe é uma ofensiva contra os direitos sociais e dos trabalhadores. Além disso, afirmou Padrós, é nítida a postura dos Estados Unidos de implementar, de forma acelerada, na política externa, o “terrorismo de Estado”.

O professor Enrique Padrós manifesta ares de pessimismo e se diz preocupado com a “falta de sonhos” na atualidade, especialmente após o término dos regimes socialistas enquanto contraponto aos modelos capitalistas, hoje neoliberais. Ele vê um hiato entre as gerações que lutaram por um mundo mais igualitário e as que vivem hoje. Há, segundo o historiador, uma retomada da perspectiva “Socialismo ou barbárie”.

Quando se fala em alguns efeitos do colapso do regime soviético, o historiador destaca o ressurgimento do nacionalismo e de conflitos étnicos; a fragmentação política; a ‘russificação’ regional e a europeização de parte do que era a antiga URSS.

Padrós enfatiza que é muito difícil entender o século XX sem citar a influência da Revolução Russa. A vitória da URSS sobre o nazismo, apesar da perda de 22 milhões de pessoas, e da destruição material da nação-continente, transformou a União Soviética em referencial para todo o planeta. O influxo da URSS, destaca o professor, gerou, de um lado, a construção de processos revolucionários em todo o mundo, especialmente nos países que ainda eram colônias, e por outro, gerou a criação de um “Estado de bem-estar social” em países da órbita capitalista.

Legado

Quando fez um resumo sobre o legado da Revolução Russa, Enrique Padrós apontou alguns pontos positivos e outros negativos. Para ele, o exemplo russo comprovou a importância do processo de organização de trabalhadoras e trabalhadores. Evidenciou o papel dos partidos de orientação revolucionária, com a necessidade de qualificação dos quadros dirigentes. Contudo, olhado no tempo histórico, também ressalta problemas como a degeneração burocrática, a autofagia da esquerda, entre outros aspectos.

Para o professor da UFRGS, um dos principais legados é deixar transparente a necessidade de luta efetiva por uma sociedade com justiça, igualdade e fraternidade, bandeira levantada na Revolução Francesa, mas que não foi cumprida pela classe que emergiu daquele processo, que foi a burguesia. Sobretudo, destaca Padrós, um dos legados principais da Revolução Russa é a capacidade de ter utopias. Ou seja, o ser humano tem o direito de sonhar. E agir para buscar esse sonho.

Veja mais aqui sobre a programação do seminário.

Texto e foto: Fritz R. Nunes

Assessoria de imprensa da Sedufsm

 



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