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24/11/2017   27/11/2017 18h12 | A+ A- | 850 visualizações

O caráter civilizatório da Revolução Russa, por Luiz Dario

Na quinta, 23, professor de História da UFRGS participou de Seminário na UFSM


Luiz Dario Ribeiro: fim da União Soviética gerou avanço brutal da pobreza

O século XX, até 1991, foi marcado pela construção do socialismo e da democracia. É o que pensa Luiz Dario Teixeira Ribeiro, professor de História da UFRGS, que ministrou a palestra "O significado histórico da Revolução Russa", na quinta-feira, 23 de novembro, no auditório Pércio Reis (CT/UFSM), durante o seminário “100 anos da Revolução Russa: análises e perspectivas”. A mediação foi do professor João Carlos Gilli Martins, vice-presidente da Sedufsm.

Para Dario, o regime iniciado pela Revolução Russa de 1917 representou um processo civilizatório sem precedentes, alcançando avanços no campo dos direitos sociais, do conhecimento científico, da Medicina, das manifestações artísticas e culturais, da escolarização e formação de homens e mulheres. Em contrapartida, a derrocada da União Soviética abriu espaço para a recuperação de práticas colonialistas, agora com novas formas e mecanismos; para o avanço brutal da pobreza e da desigualdade, com o resgate de relações de exploração bastante análogas ao escravismo; para a conformação do mundo sob a hegemonia de um único pólo, os Estados Unidos.

Além do sufragismo

Dario explica que alguns dos avanços mais expressivos conquistados na União Soviética visaram à igualdade entre homens e mulheres. Porém, uma igualdade que ia para além do que até então defendia o Movimento Sufragista - a conquista de direitos eleitorais somente às mulheres da oligarquia. Na União Soviética, diz o historiador, aprofundaram-se não somente discussões, mas medidas propositivas objetivando o empoderamento feminino.

Após a tomada do poder, os bolcheviques não demoraram a instituir uma legislação que tivesse como foco libertar as mulheres da servidão doméstica, através da criação de, por exemplo, um sistema nacional de creches e escolas de acesso democrático. Nas instâncias do partido, da economia e do Estado era reconhecida a igualdade entre homens e mulheres. O divórcio foi legalizado e as mulheres tiveram participação essencial nas Forças Armadas, alcançando papel destacado como combatentes na Segunda Guerra Mundial.

Mas elas também foram centrais para o desenvolvimento da educação e da ciência. Inclusive, este foi um ponto bastante destacado por Dario em sua palestra: a grande preocupação soviética com a escolarização da população. Preocupação ilustrada por uma diversidade grande de escolas secundárias e universidades pelo território soviético, nas quais os estudantes acessavam cursos gratuitos e tinham por direito alimentação, moradia e bibliotecas amplas e livres.

Esse forte investimento no conhecimento e na ciência fez com que o mundo, em alguns anos, assistisse bestializado ao progresso técnico e científico soviético. Em 1949, por exemplo, Dario lembra que a União Soviética explodiu sua primeira bomba atômica, resultado de estudos realizados por físicos soviéticos que, desde a década de 1930, dedicavam-se à pesquisa sobre a energia nuclear.

Já em 1957, os soviéticos lançam o primeiro satélite artificial para o espaço, o que intensificou as estratégias imperialistas de isolamento da União Soviética, pois o satélite Sputnik tinha a capacidade de jogar bombas sobre a cidade de Washington (EUA). Posteriormente, chegava ao espaço, por obra dos soviéticos, Yuri Gagarin. Dario diz que, ao voltar do espaço, Gagarin teria proferido uma frase célebre, porém amputada pelas classes hegemônicas, que apenas mencionam sua primeira parte, “A Terra é azul”, e “esquecem-se” do restante: “E eu não encontrei Deus lá em cima”.

Medicina soviética

Outra área que conheceu avanços no regime soviético foi a Medicina. Dario diz que a Segunda Guerra Mundial ocasionou uma baixa de aproximadamente 20 milhões de pessoas, o que representava cerca de 10% da população total da Rússia. A partir das pesquisas científicas, foi possível o desenvolvimento de vacinas que reduziram a mortalidade nos primeiros anos de vida, auxiliando na recomposição da população.

 A arte e a cultura, até então confinadas no palácio do czar, passaram ao domínio das massas, agora educadas para apreciar a arte do ballet, da literatura e da poesia. “Em menos de duas gerações, um camponês que antes não sabia escrever tornava-se artista, cientista, expert em cultura”, ressalta Dario.

Essa educação foi construída no respeito às diferenças existentes no grande território russo. Dario diz que as escolas soviéticas, além de ensinar em russo, lecionavam em mais 83 línguas. Muitas destas línguas, caso da pertencente aos esquimós, existia apenas na oralidade, passando a ter expressão escrita através do trabalho de linguistas soviéticos.

Apoio internacional

Dario avalia que a importância da União Soviética não se limitou ao território russo. Além de ter pressionado as burguesias dos países capitalistas a concederem direitos, originando o Estado de Bem-Estar Social, também foi fundamental para os movimentos de libertação nacional ocorridos em regiões mantidas sob o jugo dos impérios coloniais ou semi-coloniais. “A Revolução Russa nunca foi dogmática, aceitava desafios conjunturais”, diz o professor da UFRGS.

Com o fim da União Soviética, as potências imperialistas, capitaneadas pelos EUA, tentaram apagar o marxismo e seu viés societário, contudo, Dario diz que, hoje, assistimos a um resgate de tais ideais. Tal resgate, para ele, é urgente, visto que as “regressões brutais vão aniquilar tudo o que já foi construído no mundo”.

Seminário

O Seminário “100 anos da Revolução Russa: análises e perspectivas” é promovido pela SEDUFSM, pelos Departamentos de História e Ciências Sociais, além dos cursos de Pós-Graduação em História e Ciências Sociais da UFSM, da Fundação Maurício Grabois, com o apoio da Regional RS do ANDES-SN. Mais informações sobre o evento aqui.

 

Texto e fotos: Bruna Homrich

Assessoria de Imprensa da Sedufsm

            



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