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23/01/2018   23/01/2018 03h26 | A+ A- | 442 visualizações

37º Congresso do ANDES-SN abre enfatizando autonomia do Sindicato

Participação supera 500 pessoas no evento que iniciou nesta segunda, em Salvador


Eblin: autonomia permite que sindicato não seja subordinado a governo ou a partidos

Ao fazer a abertura do 37º Congresso do ANDES-SN, na manhã desta segunda, 22, no campus da Uneb (Universidade Estadual da Bahia), em Salvador (BA), a presidente do ANDES-SN, Eblin Farage, enfatizou a importância de o sindicato manter a sua autonomia. Segundo ela, é o processo histórico de autonomia que garante que o movimento docente não se subordine a qualquer governo ou partido político. Eblin fez a sua explanação, logo após a fala de diversas lideranças universitárias, sindicais, estudantis e do movimento social. A dirigente saudou a presença confirmada de mais de 550 pessoas no evento, dentre delegados (as), observadores (as), convidados (as) e diretores (as), superando a expectativa inicial de cerca de 500 participantes.

A presidente do ANDES-SN destacou em seu discurso que a organização do Sindicato é fundamental para barrar os ataques do Capital, mas que a luta não pode ser feita de forma isolada. É preciso, frisou ela, que o ANDES-SN, siga buscando construir uma ampla articulação com centrais sindicais, sindicatos e movimentos que possuem uma postura de combatividade. Eblin lembrou os 30 anos da Constituição Federal (promulgada em 1988), e que desde a década de 1990 encontra-se sob ataque. Ela lembrou, por exemplo, as sucessivas reformas da previdência, passando pelos governos do PSDB, do PT (2003) e do atual, de Michel Temer. A dirigente enfatizou que foi a Constituição de 1988 que permitiu à ANDES transformar-se em o ANDES-SN, entidade que hoje é referência na luta docente.

 

CSP-Conlutas: fundamental é combater contrarreformas e não pensar eleições

Saulo Arcangeli, representando a CSP-Conlutas na plenária de abertura do Congresso, saudou o “sindicato que nunca vacilou”. Na análise de Arcangeli, o ANDES-SN lutou nos governos do PSDB (1995-2002), lutou contra a inércia da CUT nos governos de “Frente Popular” (PT e outros), inclusive contra a reforma da previdência de 2003. Sublinhou que o Sindicato Nacional lutou contra a reforma universitária dos governos petistas que teria entregue a educação ao mercado através de políticas que fortaleceram o ensino privado, como por exemplo, o FIES e o Prouni. E, completou ele, continua lutando para barrar as contrarreformas do governo de Michel Temer.

O representante da CSP-Conlutas criticou as demais centrais sindicais, que segundo ele, recuaram em momentos importantes em 2017, enfraquecendo movimento de greve geral, e permitindo, por exemplo, que Temer conseguisse aprovar a reforma trabalhista. Para Saulo Arcangeli, o fundamental para os trabalhadores não é a eleição de 2018, mas sim o embate contra a reforma da previdência e outros projetos do governo Temer que reduzem direitos dos trabalhadores, exemplificando o caso dos servidores públicos, atingidos pela MP 805, que promove uma
reestruturação das carreiras.

MTST: unidade na ação evitando sectarismos

Felipe Brito, do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), foi outra importante liderança presente à abertura do 37º Congresso. Ele comparou a atuação do MTST com a do ANDES-SN, entidades que “não tergiversam”. Brito afirmou que em 2018 o Movimento continuará “a todo o vapor”, lutando pelos setores mais depauperados da sociedade.

O dirigente destacou que é preciso lutar contra o “processo golpistas” representado pelas contrarreformas de Temer. Frisou que é preciso “ampliar as pontes” para a construção dessa resistência. Para ele, é possível “unidade na ação”, evitando se deixar levar por “narcisismos” que só causam quebra da unidade. O sectarismo, disse ele, não ajuda a construir.

Escola Olodum

Antes da plenária de abertura, os docentes conheceram um pouco mais da riqueza da cultura baiana, com a banda jovem da Escola de Tambores Olodum. Este ano, a instituição completa 35 anos de história e oferece desde a sua fundação cursos de formação – entre eles, música e dança. Em seguida à apresentação cultural, foi realizada a plenária de abertura.



Caroline Lima, 1º vice-presidente da Regional Nordeste III do ANDES-SN e da comissão organizadora do evento, saudou os participantes e falou da importância desta semana de debates para construção do plano de lutas dos docentes. “Este vai ser um congresso importante e o resultado dele fará a diferença em 2018. Salvador é a capital da resistência. Aqui, os indígenas e malês resistiram, a população baiana expulsou os portugueses, no histórico 2 de julho que marcou o processo de independência da Bahia, e as mulheres participaram da Revolta dos Búzios. A capital da resistência recebe vocês para que saiamos daqui com uma Greve Geral que pare as contrarreformas. O ANDES-SN é um dos poucos sindicatos que mantém a sua autonomia e, a partir disso, faremos esse enfrentamento”, disse.

Aliança com os trabalhadores

Para Milton Pinheiro, coordenador geral da Aduneb SSind., as discussões do congresso, além de definirem as pautas de luta deste ano, também permitem melhor entendimento da realidade das universidades públicas e da conjuntura política do país. “A nossa aliança com a classe trabalhadora é para resistir às contrarreformas, avançar na luta pela transformação da sociedade e dar uma reposta dos trabalhadores nessa conjuntura tão difícil de um novo ciclo da direita no Brasil”, disse.

Gabryel Henrici, da Oposição de Esquerda da União Nacional dos Estudantes (OE/UNE), criticou a conjuntura do país e a crise econômica seletiva. “Precisamos rememorar um projeto de educação, como a Reforma de Córdoba, que foi emancipadora e mudou o caráter da educação na América Latina. Infelizmente, os que estão no poder tentam acabar com mínimo que temos. Temos hoje quase 16 milhões de desempregados, e uma crise econômica seletiva, que atinge a população mais pobre. E a Reforma da Previdência só não foi aprovada ainda, porque existe uma insatisfação popular. Então, precisamos defender a democracia, o nosso projeto de educação, juventude e a classe trabalhadora”, disse.

Estudantes e o projeto de emancipação

José Júnior, representante da Federação Nacional dos Estudantes do Ensino Técnico (Fenet), explicou que os estudantes estão na luta, em unidade com a classe trabalhadora, em defesa de um projeto social que emancipe a população brasileira. “Esse congresso está sendo realizado em um momento histórico desse país, de muitas lutas que representam a ponta de lança contra aqueles que querem retirar os nossos direitos, apresentando projetos neoliberais, que exploram os oprimidos da nossa sociedade. Se temos um projeto da reforma da Previdência que tramita no congresso, temos também gente que luta por seus direitos”.

Participaram também da mesa Alexandre Galvão e Amauri Fragoso de Medeiros, secretário-geral e 1° tesoureiro, respectivamente, do Sindicato Nacional; Marcelo Ávila vice-reitor da Uneb; João Carlos Salles da Universidade Federal da Bahia (Ufba); Ronaldo Naziazeno do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe); Firmino Júlio de Oliveira Filho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau (Sintest), Sheila Queiroz, representante do Conselho Federal de Serviço Social (Cfess); Adilson Sampaio representante do Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc); Lídia de Jesus da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps); e Marlúcia Paixão da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco).

Lançamento de materiais

Com pequenos intervalos na plenária, os diretores do ANDES-SN, Olgaíses Maués e Luís Acosta, apresentaram o Manifesto de Córdoba de 1918, distribuído aos participantes, e tema do 37° Congresso. Na sequência ocorreu o lançamento dos materiais Caderno 28 do ANDES-SN com o tema "Neoliberalismo e Política de C&T no Brasil. Um balanço crítico (1995-2016)" e, por último, a apresentação da 61ª edição da Revista Universidade e Sociedade, com o tema "Desmonte da Educação Pública - os ataques às universidades estaduais e aos colégios de aplicação".

Texto: Fritz R. Nunes com a colaboração da assessoria de imprensa do ANDES-SN

Fotos: Fritz R. Nunes

Assessoria de imprensa da Sedufsm

 



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