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22/02/2018   22/02/2018 18h41 | A+ A- | 503 visualizações

8M em Santa Maria: cidade terá agenda referente a Dia Internacional da Mulher

Debates, intervenções artísticas e ato público marcarão a semana


8M em Santa Maria traz três eixos: direitos, violência e Reforma da Previdência

 Na última terça-feira, 20, meninas e mulheres formaram um círculo no auditório Suze Scalcon da Sedufsm. O motivo que as trouxe ao local foi a construção do 8 de Março (mundialmente conhecido como 8M), Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras. Referenciadas no grande movimento de mulheres que, em 2017, protagonizou greves em diversos países do mundo, elas objetivavam organizar uma agenda de mobilização em Santa Maria. E conseguiram: rodas de conversa sobre saúde da mulher, direitos sociais e feminismo negro já estão na agenda dos primeiros dias de março. Oficinas, apresentações artísticas e uma marcha também figuram dentre as atividades elencadas.

A ideia é que tenha mobilização durante toda a semana do dia 8, tanto na UFSM, que estará recebendo milhares de novas estudantes, quanto no centro da cidade, por onde passam centenas de trabalhadoras todos os dias. Também, uma atividade será realizada na Ocupação Vila Resistência, pois um dos objetivos das meninas presentes à reunião da terça é o de construir o debate e enfrentamento à violência doméstica com as mulheres residentes nas periferias da cidade, e às quais falta, muitas vezes, direitos básicos como moradia, saúde e educação. Rhaianny Silva, moradora da Ocupação, contou que o posto de saúde mais próximo à ocupação nega-se a atender as pessoas que lá residem.

Uma próxima reunião das meninas e mulheres que estão atuando na construção da semana do 8 de Março ocorrerá na segunda-feira, 26 de março, às 18h, no auditório da Sedufsm (André Marques, 665). Todas que desejarem se somar à mobilização são muito bem-vindas.

Nos próximos dias, divulgaremos a agenda completa de atividades, com data, horário e local.

Violência para além do assédio

Na reunião da terça, a diretora da Sedufsm, Fabiane Costas, destacou a importância de se reservar um olhar cuidadoso para as diversas formas de violência às quais as mulheres são cotidianamente submetidas. Além da via mais escancarada de violência física, a professora exemplificou outras formas de sofrimento, como a violência obstétrica. Inclusive, esse é um dos temas que serão abordados na mesa de debate a ser promovida pela Sedufsm no próprio dia 8 de março, para a qual foi convidada uma estudante negra, uma estudante indígena, uma mãe perdeu seu filho em decorrência da violência obstétrica e hoje organiza a mobilização contra esse tipo de violência, e uma arquiteta responsável por um estudo nas Casas de Abrigo para mulheres em situação de risco.

Mais informações sobre as participantes da mesa de debate serão veiculadas nesta sexta, 23, em nosso site.

Eixos de luta

Para este dia 8, as mulheres de Santa Maria apontaram três grandes eixos de mobilização: direitos, violência e Reforma da Previdência. Durante a reunião da terça, as meninas ressaltaram que as mulheres estão entre os sujeitos mais violentados pela Lei das Terceirizações, pela Reforma Trabalhista e pela Reforma da Previdência, consideradas violências sócio-políticas.

“Estamos aprendendo um novo jeito de fazer movimento e a sermos sujeitos de nossas próprias histórias. Temos um papel militante de disputar os rumos da realidade. Eles têm uma agenda para nossa vida. Mas e nós, que mundo queremos?”, questionou a professora estadual Caroline Roque.

Além de Santa Maria, cidades como Rio de Janeiro, Brasília, João Pessoa, Curitiba, Florianópolis e Uberlândia já estão em mobilização para a data.

Recentemente, o coletivo Ni Una Menos (Nenhuma a menos) já lançou convocatória convidando todas as mulheres latino-americanas a paralisarem no dia 8. Com o lema “Se nossas vidas não valem, produzam sem nós”, as centenas de signatárias defendem a unidade entre os diferentes setores do feminismo e tecem duras críticas à Reforma da Previdência já instituída na Argentina, à Reforma Trabalhista brasileira e a todos os projetos que retiram direitos sociais e trabalhistas, visto que as mulheres ainda ocupam os piores postos de trabalho. “Paramos, porque nossos salários, nossos direitos trabalhistas e previdenciários são rifados em uma festa para a qual não fomos convidadas”, aponta trecho do manifesto, que pode ser lido na íntegra aqui.

ANDES-SN reforça chamado para 8M

O Sindicato Nacional reafirmou a importância de que a categoria docente participe das mobilizações referentes ao Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras.

“Tendo em vista a luta internacional das mulheres por direitos e contra todas as formas de violência direcionadas a elas e o combate às pautas conservadoras, a Diretoria do ANDES-SN orienta às seções sindicais e secretarias regionais a participarem das atividades e a construírem essa importante agenda na luta contra as opressões”, aponta trecho da circular 31/18, que ressalta a relevância do Sindicato Nacional estar presente nos atos em diversos estados e cidades do país para fortalecer a luta em defesa da vida e dos direitos das mulheres. Confira aqui a Circular 31/18.

O Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe) e o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) também deliberaram pela participação dos servidores públicos nas manifestações que serão realizadas nos estados. A CSP-Conlutas convocou todas as entidades e movimentos filiados a enviarem esforços para a construção da data.

37º Congresso do ANDES-SN

Durante o 37º Congresso do ANDES-SN, realizado no último mês de janeiro em Salvador (BA), os docentes deliberaram por lutar pela legalização do aborto, assim como pelo fortalecimento de oferta de políticas públicas de saúde direcionadas aos direitos sexuais e reprodutivos parar atender as mulheres.

Além disso, a categoria deve intensificar a luta contra a PEC 181/15, que proíbe o aborto até mesmo em casos de estupro e de risco à vida da mulher. Definiram, também, que as seções sindicais, em articulação com movimentos, lutem nas instituições de ensino para criar espaços que recebam denúncias e acolham vítimas de assédio sexual e moral, de machismo, e de outras formas de opressão, assim como apurem as denúncias com transparência.

Dossiê da Violência

O Instituto Patrícia Galvão publicou o Dossiê Violência contra as Mulheres, que reúne informações sistematizadas de dados oficiais e pesquisas de percepção sobre a realidade do problema no Brasil. Os números divulgados são alarmantes: 1 estupro ocorre a cada 11 minutos, 1 mulher é assassinada a cada duas horas, 503 mulheres são vítimas de agressão a cada hora, ocorrem 5 espancamentos a cada 2 minutos. O dossiê pode ser acessado aqui.

Dia Internacional de Luta

O dia 8 de março foi fixado a partir de uma greve iniciada nessa data em 1917 (em 23 de fevereiro no calendário juliano), na Rússia. Uma manifestação organizada por tecelãs e costureiras de São Petersburgo foi o estopim da primeira fase da Revolução Russa. Militantes socialistas, como Clara Zetkin e Alexandra Kollontai, propuseram a construção de um dia internacional de luta das mulheres.

RELEMBRANDO:

Próxima reunião organizativa do 8M em Santa Maria: Segunda-feira, 26 de fevereiro, às 18h, na Sedufsm!

 

Texto: Bruna Homrich, com informações de ANDES-SN

Foto: Bruna Homrich

Assessoria de Imprensa da Sedufsm

           



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