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25/04/2018   25/04/2018 15h29 | A+ A- | 213 visualizações

ANDES-SN: candidato da chapa 1 visita a UFSM

Antônio Gonçalves defendeu, na sexta, 20, autonomia sindical e refutou “conciliação”


Antônio Gonçalves, candidato a presidente da chapa 1, na sexta, 20 de abril, na UFSM

O candidato a presidente do ANDES-SN pela chapa 1 (Andes Autônomo e de Luta), professor Antônio Gonçalves Filho (lotado no departamento de Medicina da Universidade Federal do Maranhão) esteve visitando a UFSM na tarde da última sexta, 20 de abril. Por volta de 15h30, ele participou de uma roda de conversa com docentes no Auditório B1 (prédio 17, da Geociências). Antes da atividade, ele concedeu uma entrevista à assessoria de imprensa da Sedufsm. Gonçalves é o primeiro dos candidatos a visitar Santa Maria. No início de maio será a vez da professora Celi Taffarel (Faculdade de Educação da Federal da Bahia-Ufba), candidata a presidente pela chapa 2 (Renova Andes) visitar a UFSM. O roteiro pelas instituições de ensino gaúchas ainda está sendo organizado.

Durante a entrevista concedida pelo professor Antônio Gonçalves, vários temas foram abordados, dentre os quais, o que seriam as grandes preocupações dos professores na atualidade, a autonomia sindical, a perspectiva de mobilização nas universidades, a intervenção do sindicato na atual conjuntura política do país, e ainda sobre a relação com a CSP-Conlutas.

Apresentamos, a seguir, um resumo da entrevista com Antônio Gonçalves. A íntegra pode ser assistida abaixo, em vídeo.

Angústia docente

Nas visitas que têm feito Brasil afora, o candidato da chapa 1, professor Antônio Gonçalves, diz perceber que, entre as maiores angústias da categoria docente estão as condições precárias de trabalho e o achatamento salarial. Isso, tanto nas Instituições Federais de Ensino, assim como nas Estaduais e Municipais.

Autonomia sindical

A autonomia, destaca Gonçalves, faz parte da própria consigna da chapa 1. No entendimento dele, representando o coletivo, o significado de “autonomia” se dá no aspecto de independência em relação a governos, partidos e reitorias, e que essa autonomia deve permear todas as atividades sindicais. Para o candidato da chapa 1, em âmbito federal “é flagrante a falta de autonomia das instituições, desde a escolha dos dirigentes até na elaboração das políticas.” Diz ele que “a gente reivindica que autonomia é um direito constitucional.”

Mobilização nas universidades

Na análise do candidato da chapa 1, uma das causas da falta de mobilização, nas universidades, e também no âmbito dos trabalhadores em geral, é o ‘apassivamento’ gerado a partir dos governos de conciliação de classes (período dos governos petistas), que “cooptou” muitas lideranças sindicais. Conforme Gonçalves, o entendimento da chapa é de que reverter esse ‘apassivamento’ vai demorar um certo tempo, mas que isso só pode ser feito a partir de uma entidade sindical tocada com independência e autonomia a quaisquer governos.

Conjuntura e papel do sindicato

Diante do quadro atual, com o crescente ódio na política, com a democracia ameaçada, o professor Antônio Gonçalves diz que o papel do sindicato é fundamental. Apesar de a chapa 1 defender que o ex-presidente Lula tinha o direito de ser candidato a Presidente, Gonçalves avalia que o que aconteceu (prisão de Lula) foi decorrente dessa ‘colaboração’ (de classes) que ocorreu nos últimos anos, no âmbito governamental. Para Gonçalves, os setores conservadores, ligados à burguesia nacional, rompem com a democracia no momento em que não aceitam mais a conciliação com o PT.

O candidato da chapa 1 acrescenta que, um dos aspectos que os diferencia da chapa adversária (chapa 2, Renova Andes) é que “nós achamos que temos que ir para a rua defender a democracia, defender os direitos dos trabalhadores”. Contudo, diz ele, “nós não queremos ir para a rua para defender a política de conciliação ou uma candidatura político-eleitoral. A gente quer estar conectado com a nossa base, defendendo os direitos e a democracia.”

E como fazer isso?

Com muita mobilização, trabalho de base, para tentar reverter todo um processo contra o qual já temos lutado há bastante tempo, diz Gonçalves. Segundo ele, “o ANDES-SN tem sido um campo de muita resistência no último período. Foi atacado, teve sua carta sindical retirada, mas conseguiu recuperá-la. Houve uma tentativa de divisionismo da categoria, com a criação do Proifes, que se tornou o interlocutor preferencial do governo, que negociou uma carreira federal desestruturada. Mas, nós resistimos.”

Para Gonçalves, é essa “resistência que nos dá legitimidade para dirigir esse processo daqui para a frente. Nós achamos que temos mais condições políticas de construir a unidade, pela trajetória dos últimos anos. A luta que travamos nessa trincheira, nos coloca num patamar de maior capacidade política de conduzir esse processo, de reorganização da classe, desse ciclo que se encerra, de governos de conciliação.”

Andes-SN, CSP-Conlutas e isolamento político

No que se refere à crítica feita pela chapa 2 de que a vinculação à CSP-Conlutas torna o ANDES-SN isolado politicamente, o professor Antônio Gonçalves considera essa assertiva equivocada. Para ele, “é um erro dizer que o ANDES-SN está isolado, tendo em vista que o sindicato tem sido protagonista nas lutas contra todas as políticas de ataque à classe trabalhadora, como a lei do teto (EC 95), a reforma trabalhista, a lei das terceirizações, reforma da previdência. O ANDES-SN esteve à frente inclusive da greve geral de 28 de abril do ano passado.”

Para o candidato da chapa 1, é importante compreender qual a opção que o ANDES fez historicamente, de se construir na luta. “Nós compreendemos que somente a mobilização da nossa categoria é insuficiente para fazer frente a tantos ataques ou conquistar mais direitos. Por isso, nós defendemos que precisamos nos articular com os servidores públicos federais, e temos feito isso com o Fórum dos Servidores (Fonasefe). Temos buscado nos articulado com os movimentos sociais, nos unido ao MTST.  A luta tem que ser mais ampla. É essa concepção de organização que nos levou à construção da CSP-Conlutas, depois de dois anos de debate. Nós éramos da CUT, ficamos até 2005, e depois da reforma da previdência de 2003, iniciou-se um debate na base do sindicato para sair da CUT, porque entendeu-se que a CUT não atendia mais os nossos interesses e estava a serviço do governo. Aí saímos da CUT em 2005 e fomos construir a CSP Conlutas a partir de 2007, entendendo que ela tem essa estrutura que envolve tanto sindicatos como movimentos sociais.”

Antônio Gonçalves ressalta que a CSP-Conlutas é uma central ainda em construção, e por isso, problemas que surgem são naturais. “A CSP ainda é embrionária. Nós temos críticas, lutamos para ampliar a democracia interna na central. O ANDES e nós da chapa 1 temos compromisso nessa construção. E a nossa base tem reiteradas vezes, em nossas instâncias decisórias, reafirmado isso. De que é esse tipo de construção que nós queremos.”

Conforme o candidato, “recentemente, teve uma nota da CSP-Conlutas, que coincidiu com a nossa campanha, com uma avaliação muito ruim da conjuntura. E nós, da chapa 1, não temos acordo com essa nota. E, com muita independência, autonomia, a mesma que tínhamos na época da CUT, esse mesmo método se expressa agora, quando lançamos uma outra nota sobre a prisão do Lula, em que avaliamos que essa medida foi feita para impedi-lo de concorrer à Presidência.”

Apesar dessa discordância com a nota da CSP-Conlutas, Gonçalvez diz que “não vamos fazer um balanço da nossa Central a partir de uma nota pública. Já temos uma década de construção da Central. Ano passado, o ANDES-SN fez um Conad extraordinário só para fazer um balanço da CSP. E esse balanço tem que ser contínuo e necessário e vamos continuar construindo a CSP-Conlutas até o momento em que a nossa base entender que é esse o processo. Mas, se a base entender, em algum momento, que essa forma organizativa não interessa mais, aí nós vamos buscar fazer um outro tipo de construção.”

CSP X CUT

Na análise do representante da chapa 1, é importante trazer um dos aspectos que os diferenciam da chapa adversária (2, Renova Andes). “(Nós) temos um compromisso de nos organizar pela base: por assembleias de base, por Conads, Congressos, deliberativos nacionais. Inclusive, defendemos que os congressos continuem anuais, diferente da chapa adversária, que defende congressos bianuais”. Para Gonçalves, tornar os congressos bianuais é um erro, tendo em vista que a conjuntura é dinâmica, e por isso seria importante reunir-se com mais frequência.

Para Gonçalves, está claro que “o que o ANDES-SN acumulou até aqui é de que não quer voltar para a CUT. E a chapa 2, apesar de não explicitar a defesa de volta à CUT, mas sinaliza isso quando quer fazer um balanço da CSP-Conlutas, sem estar construindo a central. Então, fazer um balanço de fora, é uma suspeição muito grande, que nos leva a pensar que ao final desse processo querem levar o ANDES de volta à CUT e a gente acha que a CUT não defende mais os trabalhadores como defendeu na década de 80 e 90, pois sofreu um transformismo, um aburguesamento, que hoje impossibilita uma unidade mais ampla como gostaríamos e como a conjuntura exige”, finaliza.

Veja a seguir o depoimento em vídeo:

Texto e foto: Fritz R. Nunes

Vídeo: Ivan Lautert

Assessoria de imprensa da Sedufsm



Fotos



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