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21/05/2018   21/05/2018 15h46 | A+ A- | 342 visualizações

Campus de Frederico Westphalen ainda enfrenta desafios da multicampia

Deslocamento para reuniões na sede está entre os pontos a serem tratados em reunião com o reitor


Infraestrutura é uma das questões preocupantes

Já se passam mais de dez anos desde que a expansão universitária deixou sua principal marca na UFSM. Isso porque em julho de 2007 eram oficialmente inaugurados os campi da universidade em Frederico Westphalen e Palmeira das Missões. E se o passar de uma década organizou muitas questões nas unidades descentralizadas do norte do estado, muitos também seguem sendo os desafios no funcionamento de uma universidade multicampi – intensificados ainda mais em um contexto de cortes no orçamento da educação. Muitos desses desafios foram pauta, no dia 2 de maio, em Frederico Westphalen, da reunião do Fórum de Diretores de Centro e Unidades da UFSM. E não foi um encontro qualquer, já que pela primeira vez o Fórum (cujos encontros são mensais) se reuniu fora da de sede de Santa Maria.

Para o diretor do campus da UFSM em Frederico, Arci Dirceu Wastoski, essa foi justamente uma oportunidade ímpar para que os diretores conhecessem a realidade de um campus descentralizado – muitas vezes bastante distante do cotidiano da sede. Desse encontro uma pauta foi construída e será apresentada na próxima segunda-feira, 28, ao reitor Paulo Burmann, em agenda que, apesar de reunir diretores de centro e unidades, não se trata de uma reunião da reitoria com o Fórum de Diretores de Centro e Unidades da UFSM, já que essa é uma instância específica da universidade, segundo a assessoria do gabinete do reitor.

Deslocamentos para atividades na sede

No encontro da próxima segunda, para além das diversas pautas que devem ser abordadas, referentes ao conjunto dos centros e unidades da UFSM, algumas demandas das unidades descentralizadas receberão destaque. Uma delas é o deslocamento. Distante cerca de 300km de Santa Maria, as participações de docentes do campus de Frederico Westphalen e Palmeira das Missões em atividades na sede é uma demanda antiga e representa um problema em diferentes aspectos. Um deles diz respeito à segurança, já que muitos veículos circulam com uma quilometragem bastante acima daquela considerada ideal. Segundo Arci, hoje, por exemplo, o campus de Frederico Westphalen conta com um veículo com mais de 500 mil km rodados. “O  mais velho a gente usa para trecho curto, e nós sempre dizemos para usar numa velocidade controlada, ir devagar, porque são carros que estão com a manutenção em dia mas não tem a segurança de um carro novo. Não tem airbag, não tem freio ABS. Está bem mantido, mas é carro velho. Esses a gente acaba dando para o servidor para pesquisa em projetos próximos, 10km, 15km”, relata o diretor, que lembra ainda um segundo problema que é a autorização para que docentes dirijam os carros, diferente do que ocorre na sede.

“Eu sei que a sede está proibindo que servidores usem os carros da universidade (na condução do veículo). Nós temos autorização para usar os carros da universidade porque não temos motoristas. O ideal seria que o motorista levasse e ficasse como responsável, mas não, a gente acaba colocando o servidor. É a maneira que a gente está resolvendo para poder minimizar”. Além da segurança, segundo Arci, há ainda o impacto financeiro. “Esses carros têm uma quilometragem muito alta. Nós estamos com um que vai para 500 e poucos mil quilômetros e já estourou o motor de novo, então a manutenção já está ficando muito cara com esses carros”, aponta o diretor.

Outro problema, na opinião do diretor do Campus, se refere ao modelo de serviço prestado pela empresa terceirizada responsável pelos motoristas que a unidade dispõe. Segundo Arci Wastoski, os trabalhadores da empresa, em regra, estão autorizados a cumprir no máximo jornadas de 11h. Sendo assim, considerando que o deslocamento entre Frederico Westphalen e Santa Maria leva cerca de 4h o trecho, seriam 8h apenas de percurso. “Em outras instituições o motorista faz uma viagem para Porto Alegre em 6h, ele chega lá e descansa, ele não está dirigindo, mas está trabalhando. No nosso terceirizado, de motorista, ele pode ficar no máximo 11h fora e nós estamos com um problema, porque aí eu vou para Santa Maria para uma reunião do Consu, 4h para ir, 4h de reunião, já deu 8h e eu não consigo voltar para fechar as 11h”. Esse imbróglio, segundo o professor, faz com que em muitas ocasiões dois carros precisem fazer o mesmo trecho em um mesmo dia, para que nenhum dos dois ultrapasse o limite de horas da empresa, o que, para Arci, impacta no custo mais que o pagamento de horas extras. “Eu tenho reunião às 9h e outro colega tem às 7h, dá para ir um pouquinho antes, junto, para a reunião das 7h e das 9h, só que daí tem que ajeitar com o motorista também, porque vai fechar mais que 11h, e já está acontecendo de ir dois carros por dia para Santa Maria. Um vai bem cedo, para reunião às 8h30, e outro sai às 8h daqui para uma reunião mais tarde. Então isso nós também estamos levando para discutir para ver o que dá para fazer”, afirma.

Ainda sobre a questão referida, o diretor também acrescenta que em ocasiões nas quais é necessário ultrapassar o limite de 11h, os terceirizados relatam que são advertidos pela empresa, apesar das justificativas dadas pelos docentes. “Às vezes eles tem prejuízo no almoço, pois correm para almoçar porque tem que ir embora, e até de alta velocidade, porque logo mais pode acontecer de o cara pensar que tem que chegar, porque tem que bater o ponto se não vai ganhar uma advertência. Então isso também é uma coisa chata que está acontecendo dentro da universidade”, enfatiza Wastoski.

Igor Senger (vice-diretor) e Arci Wastowski (diretor)

Soluções

Para o diretor, algumas possibilidades de solução para esse problema são de curto prazo, e algumas delas, inclusive, serão apresentadas ao reitor Paulo Burmann na reunião da próxima segunda. “Nós estamos trabalhando em duas frentes. Uma é a possibilidade de renovação de frota. E nós também queremos propor uma normativa, alguma coisa que diga que em reuniões na sede que não sejam Cepe (Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão) e Consu (Conselho Universitário), sejam feitas via internet. Usa o Skype, usa videoconferência, porque aí vai evitar o deslocamento do servidor. Ele vai 4h, volta 4h, ele fica 8h dentro do carro e 40min em uma reunião. Isso é péssimo. No Conselho (Cepe, Consu) não, porque normalmente Conselho é uma manhã inteira e é uma coisa que por Skype fica inviável, porque não vai conseguir ficar quatro horas via vídeo conferencia”, aponta o professor.  

Conforme Wastoski, também será apresentada ao reitor a proposta de flexibilização no que toca à compra de passagens. Hoje, segundo o diretor, só é autorizada a compra de passagens de empresas que tenham participado do pregão da UFSM, enquanto, para ele, poderiam ser autorizadas compras devidamente identificadas com nota para posterior ressarcimento. “A gente quer que, até para resolver o problema do carro, o servidor público que vem para banca, por exemplo, compra a passagem, traz o ticket e a gente reembolsa ele. Porque o que acontece é que às vezes poderia ter a passagem, mas a gente manda carro, porque carro a gente tem, mas aí tem um custo maior. E passagem não tem como superfaturar, não tem como enganar, porque é um ticket pago pelo valor que está ali, e a hora que ele chegar aqui, ele vai entregar o ticket e a gente vai fazer o processo”, sugere Wastoski.

Multicampia em época de cortes

Para além da questão do deslocamento, alguns outros são os desafios que se colocam para as unidades descentralizadas da UFSM, muitos deles impactados pelo período de cortes no orçamento da educação. Segundo o diretor de Frederico, em termos de obras, o campus conseguiu concluir alguns projetos importantes, como a segunda casa do estudante, mas ainda carece de alguma infraestrutura para seu funcionamento ideal. No que toca às salas de aula, por exemplo, hoje o campus atua com alguns laboratórios servindo como espaço para disciplinas teóricas enquanto aguarda a conclusão de um novo prédio.

Diz o professor: “Nós temos aqui, na ambiental, dois laboratórios que eram para ser laboratórios de pesquisa com reagentes, e que nós usamos como sala de aula porque não tem espaço”, afirma o diretor. Tais obras – que além de salas de aula preveem uma casa do estudante – estão paralisadas desde que a empresa que as executava faliu. Uma nova empresa, segundo o diretor, já assumiu a obra, mas aguarda o encerramento dos trâmites jurídicos com a empresa anterior. A expectativa é que após o recomeço das obras, em 6 meses o prédio esteja pronto.

Outro ponto, no que toca à infraestrutura, se refere a um trecho de estrada de terra que liga os prédios da universidade ao restaurante universitário, além do ginásio de esportes que o campus dispõe. Segundo o diretor essa questão já está relativamente definida com o reitor, que manifestou a possibilidade de fazer um calçamento tanto da via para carros quanto para pedestres. Futuramente, quando o orçamento permitir, a ideia é, inclusive, que o trajeto de pedestres seja totalmente coberto. “Os alunos reclamam bastante do barro ali, e tem razão. Só que é um investimento que nós na direção não temos como fazer. Tem que ser a universidade com o orçamento dela mesma, porque ali também é uma infraestrutura da universidade, no sentido Reitoria, Pró-reitoria, como se fosse qualquer acesso dentro da própria universidade-sede. Aqui é a mesma coisa”, avalia o diretor.

Além disso, entre as obras já conversadas com a pró-reitoria de infraestrutura, segundo o diretor, está também a construção de um salão de atos – espécie de espaço multiuso, segundo Wastoski, para atividades da universidade e também da comunidade em geral. “Não é fazer um salão de atos igual ao da universidade, porque para nós fazer daquele estilo seria pouco usado. A gente vai chamar de salão de atos, mas vai ser um espaço para diversas atividades, para formaturas, semanas acadêmicas. Existem vários simpósios que a gente faz e alguns a gente faz na URI ou em um auditório de um colégio que fica no centro, no IFF também, então a gente usa outros espaços”, aponta o professor.

Instituto Federal Farroupilha

Há também um outro acontecimento que impactou diretamente no funcionamento do campus de Frederico: a migração do Colégio Agrícola de Frederico Westphalen (o Cafw), antes pertencente à UFSM, para o Instituto Federal Farroupilha (IFF). Na migração do Cafw, o campus da UFSM perdeu espaço físico (de 203 para 95 hectares), infraestrutura e servidores. Desde então, por exemplo, a universidade utiliza o restaurante universitário do IFF, embora existam conversas, segundo Wastoski, para a construção do próprio restaurante da UFSM. Além disso, UFSM e IFF também compartilham outras estruturas, como água e luz. Essas, segundo o professor, seriam pagas pela UFSM e receberiam o repasse, referente ao consumo específico, do IFF. Nessa situação, contudo, o diretor tem informações de que existe, hoje, uma dívida de cerca de R$ 1 milhão do Instituto Federal Farroupilha com a universidade, referentes ao pagamento justamente da água e da luz. Segundo o diretor, no que se refere à distribuição de energia elétrica, o IFF já manifestou interesse em ter um abastecimento próprio, o que, no momento, é inviável por conta dos custos.

Com relação aos servidores, o diretor afirma que as vagas que ficaram com o IFF já foram repostas. Além disso, há uma outra situação que aguarda desfecho, já que, segundo informações não oficiais, dos valores referentes a essa migração – R$ 14,5 milhões – apenas R$11 milhões foram repassados pelo MEC à UFSM. Além disso, todo o valor teria sido destinado ao orçamento geral da universidade, sem nenhuma destinação específica, por exemplo, às reparações advindas da perda de infraestrutura no próprio campus de Frederico Westphalen com a migração.

Texto e fotos: Rafael Balbueno
Edição: Fritz R. Nunes
Assessoria de imprensa da Sedufsm



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