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25/05/2018   25/05/2018 17h28 | A+ A- | 384 visualizações

Rádio Universidade: 50 anos difundindo educação, cultura e política

Um pouco de história e reminiscências sobre a emissora que soube se adaptar ao tempo


Parte da atual equipe da rádio em foto recente

Domingo, 27 de maio. Uma data especial não apenas para a UFSM e comunidade santa-mariense, mas para toda a comunidade gaúcha. A Rádio Universidade, emissora pública inaugurada oficialmente em 27 de maio de 1968, pelo então reitor-fundador, José Mariano da Rocha Filho, completa meio século de vida- 50 anos. Foram cinco décadas levando pelas ondas sonoras, e hoje também através da internet, programas de caráter educacional, cultural, e até mesmo político, tendo em vista a abertura para programas de segmentos sindicais, do movimento estudantil e dos movimentos sociais.

Inicialmente operando na frequência de 1320 Khz, com uma potência de 1 Kw, e posteriormente, a partir de 1976, a rádio passaria a ser sintonizada em 800 Khz no dial e com potência ampliada para 10 KW. Nos tempos atuais – há exatos seis meses- a emissora da UFSM, que é coordenada, em âmbito federal, pela Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), também pode ser ouvida em frequência modulada (FM), em 107.9 Mhz (UniFM).

A partir da instalação do novo parque de transmissores no campus universitário de Camobi, no final de 1995, o sinal da emissora em Amplitude Modulada (AM) foi ampliado para toda a região centro-oeste do Estado.  A antena instalada à época, com 77 metros de altura, dobrou a capacidade de alcance da AM, melhorando a qualidade de som. Atualmente, durante o dia, as transmissões da Rádio Universidade atingem mais de 150 municípios do Rio Grande do Sul – à noite, sem a necessidade de redução da potência, chegam às fronteiras do Uruguai e Argentina, Santa Catarina e Paraná.

O caráter público da emissora permitiu não apenas a ênfase em programas educacionais, científicos e culturais, mas também a abertura para inovações. É o caso de “Antes que a natureza morra”, produzido e apresentado por James Pizarro durante mais de 27 anos nos 800 AM. O programa foi pioneiro no rádio local ao antecipar discussões sobre temas ligados à sustentabilidade. “Na época, significava falar mal das multinacionais, contra a centralização do poder, do capital. Eu não podia fazer nas rádios comerciais, me sobrava arrumar um espaço com a Rádio Universidade”, contou Pizarro, docente aposentado da UFSM em depoimento ao site da UFSM.

A emissora se destacou muito na esfera cultural, com programas tratando de música, cinema, esporte, com apresentadores como Jair Alan Siqueira, Rejane Miranda, Milton Oliveira, Candido Otto da Luz, César Saccol, entre outros. A rádio se abriu para programas de música nativista, música gospel, e se envolveu, em vários momentos, na transmissão e cobertura de eventos esportivos, com destaque para o trabalho do jornalista Gilson Piber e estagiários que passaram pela rádio e depois se tornaram excelentes profissionais.

No que se refere aos temas científicos, um dos jornalistas mais longevos da emissora, Candido Otto da Luz, lembra que foi partícipe da primeira cobertura internacional da emissora, ao estar presente, em 1992, no Rio, acompanhando a conferência do meio ambiente (Eco-92). Candido também foi responsável, junto com Cléber Costa, pela premiação que a Rádio Universidade recebeu, em 2001 (prêmio Landell de Moura) devido ao trabalho realizado em “Universidade Comunitária”.

Mais veterano que Candido Otto da Luz nos corredores do 10º andar do prédio da Reitoria, em Camobi, somente Roberto Montagner, que também já dirigiu a emissora em várias oportunidades e é conhecido como “a voz” da rádio. Em quase quatro décadas de trabalho, Montagner participou de inúmeras transmissões, como as do listão do vestibular, e comandou programas como o ‘Informe Cultural’, que é o programa mais antigo em atividade ininterrupta na Rádio Universidade. Em 37 anos a serem completados em junho, já foram quase nove mil documentários culturais e científicos veiculados, destaca matéria do site da UFSM.

Trabalho de viabilização da nova torre da emissora (Aurea Fonseca em primeiro plano). Anos 90

Educação e sindicalismo

Em meio século de vida, a emissora da UFSM enfrentou diversos desafios, mas sempre em um processo de evolução, tanto tecnicamente como de conteúdo. No que se refere ao conteúdo, merece destaque a concretização do projeto “Rádio Escola”, responsável por uma ligação umbilical entre o curso de Comunicação Social da instituição e a emissora. Foi a partir de 1994, quando esteve à frente da direção da rádio a jornalista Aurea Fonseca, que esses laços se estreitaram. E sob a batuta do saudoso professor Paulo Roberto Araújo, os alunos de jornalismo se apropriaram de fatias importantes da programação.

Foi na década de 1990 também, que entidades representativas dos segmentos passaram a ocupar mais seguidamente a programação da emissora. Tanto Sedufsm como Assufsm, além do DCE, passaram a ter programas para divulgar suas pautas através das ondas do rádio. Entre 1997 e 2000, até a Central Única dos Trabalhadores (CUT) veiculou, sem necessidade de contrapartida financeira, um programa nos 800 AM chamado de “Reage Brasil”.

Comemoração referente à inauguração da nova torre de transmissão. Década de 90

Marcas evolutivas do tempo

Quais as diferenças fundamentais, por exemplo, entre o trabalho que se realizava em 1996, quando a jornalista Rejane Miranda assumiu como servidora na Rádio Universidade (função de programadora de rádio e tv) e o que ocorre nos dias atuais? Para Rejane, que responde pela direção da rádio desde maio de 2017, as diferenças na parte técnica são gigantescas. Em 1996, os discos de vinil estavam em atividade, eram usadas máquinas de escrever, papel carbono. Contudo, lembra ela, logo na sequência passou-se a usar computador, CDS, até chegar nos dias atuais, com tudo digitalizado e em rede.

No que se refere ao conteúdo, a diretora destaca que a programação “é voltada principalmente para a divulgação da produção científica e cultural da UFSM”, mas que “estamos sempre acompanhando os temas contemporâneos com a realização de entrevistas e debates”. Rejane frisa que “a vocação da emissora para rádio escola impulsiona a produção de programas e conteúdos que contemplem temas que os estudantes querem ouvir como a discussão sobre gênero, trabalho, preconceito...”.

Com 41 anos de UFSM e 29 anos de rádio, o jornalista Candido Otto da Luz avalia que desde que ingressou na emissora, percebe grandes avanços na parte técnica, em que pesem as dificuldades financeiras históricas. Para Candido, a Rádio Universidade é a melhor aparelhada da cidade e, segundo ele, “ouso dizer que é a melhor aparelhada entre as emissoras do interior”.

Quando se fala em conteúdo, o jornalista considera que melhorou bastante em quase três décadas. Candido ressalta que quando começou a trabalhar não havia programa jornalístico no ar. Foi iniciativa dele a criação do ‘Redação Aberta’, que existe desde março de 1990 até os dias de hoje.  Ele lembra também da criação do programa ‘Universidade Esportiva’ e da reativação do ‘Radar Esportivo’.

Debate no 'Rádio Ativo', carro-chefe do programa Rádio Escola

Desafio tecnológico

Diretora da rádio entre os anos de 1994 e 1997, a jornalista Aurea Fonseca responde sobre os desafios da época dizendo que o principal deles era ter uma “mentalidade disposta a encarar o novo e o diferente”. Ela cita que foi preciso enfrentar as questões técnicas, que exigiram “não só a implementação do uso de computador na redação e posteriormente nos estúdios e as primeiras aquisições de equipamentos digitais, mas também a mudança de todo o aparato de transmissão.” Na prática, isso incluiu “a transferência de local da torre da emissora para o campus da universidade, a aquisição de nova torre, uma licitação internacional para compra do novo transmissor de 10KW e todos os ajustes para que a rádio da Universidade voltasse a operar com sua potência original”.

Em paralelo aos desafios das novas tecnologias, a mentalidade aberta (citada por ela) para novas interações, como foi o caso da inserção abrangente de estudantes de jornalismo com programas na emissora, isso tudo proporcionado através do projeto “Rádio Escola”. Para Aurea, “uma rádio inserida numa instituição de ensino necessariamente tem um papel educativo primordial”. Para a jornalista, que atuou na emissora como servidora, de 1980 até março de 2012, quando se aposentou, “nada mais natural que as rotinas produtivas sejam integradas à formação acadêmica dos novos comunicadores”.

Questionada sobre a importância de a rádio ter aberto espaço para sindicatos e movimentos, Aurea Fonseca afirma que “abrir-se ao contraditório e estimular que as várias vozes tenham espaço garantido nos meios de comunicação da instituição evidencia maturidade intelectual e política necessárias a um ambiente acadêmico”.

Diferencial e desafios atuais

Quando perguntado sobre qual o diferencial entre a programação da Rádio Universidade e as demais emissoras (comerciais), o jornalista Candido Otto da Luz considera que é “a riqueza da diversidade” dos programas veiculados. Já a jornalista e atual diretora da rádio, Rejane Miranda, avalia que “por ser uma emissora pública, a rádio tem mais liberdade editorial e espaço para tratar de temas que não são discutidos nas grandes mídias”.

Equipe da cobertura do vestibular no ano de 2005

Sobre os maiores desafios da atualidade, Rejane destaca o fato de que o rádio tem se mostrado um veículo de comunicação com capacidade de adaptação às mudanças sociais e tecnológicas ao longo de quase 100 anos de existência. Para ela, “o desafio principal é fortalecer a rádio AM e, ao mesmo tempo, solidificar a FM, que completa seis meses, com uma programação diversificada e qualificada”.

Leia mais aqui sobre a história da Rádio Universidade.

(Fotos e legendas logo abaixo)

Texto: Fritz R. Nunes com informações do Portal da UFSM

Fotos: Arquivo Pessoal e Portal da UFSM

Assessoria de imprensa da Sedufsm

 



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