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29/06/2018   29/06/2018 16h43 | A+ A- | 230 visualizações

Novo presidente do ANDES-SN assume destacando ‘autonomia’ e ‘unidade’

63º Conad de Fortaleza iniciou na quinta, 28 de junho, e prossegue até domingo, 1º de julho


Empossada a nova diretoria do ANDES-SN

Começou na manhã de quinta (28), o 63º Conad no auditório da Universidade Estadual do Ceará (Uece), em Fortaleza, e prossegue até domingo (1º de julho), com a ocorrência de reuniões em grupo e plenárias deliberativas. O presidente do ANDES-SN empossado na abertura do evento, professor Antônio Gonçalves Filho, discursou fazendo um chamamento para a construção da unidade, superando as diferenças políticas. “Quero reafirmar o nosso compromisso em continuar construindo um sindicato autônomo, de luta, classista, que se organiza pela base, com diálogo e democracia interna. Serão esses os princípios norteadores das nossas ações. Assumimos essa tarefa em um momento de mais uma crise internacional do Capital e de ofensiva dos setores reacionários, que têm intensificado os ataques à classe trabalhadora, com retirada de direitos, recrudescimento do conservadorismo, combate à autodeterminação dos povos, opressões, perseguições e mortes”, disse.

Já a presidente do ANDES-SN, professora Eblin Farage, encerrou sua gestão agradecendo a confiança da categoria, e afirmando que conseguiu atingir o objetivo proposto há dois anos, que era o compromisso de defender a educação pública. “Os últimos dois anos foram um período que exigiu muito de nós, pois a conjuntura demandou intensa mobilização. E o Sindicato Nacional respondeu a todo esse processo de mobilização que o país e o momento exigiam. Ouso dizer que não houve uma ação de rua sequer, com uma data nacional de mobilização, que o ANDES-SN não tenha sido protagonista e, ou, ajudado a construir ombro a ombro com as demais categorias de trabalhadores”, comentou.

A abertura do evento, que tem a participação de uma delegação da Sedufsm, contou com a apresentação cultural do grupo “Tambores de Safo”, composto por percussionistas lésbicas e bissexuais do Ceará, que usam a música como instrumento artístico e social para a construção e contribuição do pensamento crítico feminista e contra o machismo, a abertura do evento foi marcada pela batucada cearense e letras musicais e poemas sobre as lutas das mulheres.

Após a apresentação cultural, a abertura foi marcada por discursos que apontaram a necessidade de reorganização da classe trabalhadora, para intensificar a luta contra a retirada de direitos e ainda pela revogação das leis que atacaram os trabalhadores nos últimos dois anos.

CSP-Conlutas

Para Rejane Oliveira, representante da Executiva Nacional da CSP-Conlutas eventos como o Conad são fundamentais na construção das lutas da classe trabalhadora. “Eu acho que o ANDES-SN e o Sinduece SSind. cumprem uma tarefa muito importante realizando esse encontro. Para a CSP-Conlutas, o ANDES-SN é uma entidade muito importante, pelo seu papel no debate e defesa da educação pública no Brasil, e também pela sua posição política de autonomia e independência, na defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e por fazer avançar um projeto de sociedade e construir a luta de unidade da classe trabalhadora” disse Rejane.

A presidente da Sinduece SSind., Sâmbara Paula, contou aos participantes que fazer esse evento foi um grande desafio para a seção sindical. “Promover a realização do Conad é um grande desafio, mas abraçamos esse desafio com muita alegria, pela importância que constitui o Conad para a construção do movimento docente, do Sindicato Nacional e da nossa seção sindical, que se afirma na perspectiva da autonomia, pautada nos interesses fundamentais da classe trabalhadora. Mas esse desafio não teria sido enfrentado e superado pela Sinduece SSind. se não fosse somado, aos nossos esforços, o apoio da Regional e do Sindicato Nacional, que compartilharam todas as dificuldades. Convocamos todos vocês a participar e abraçar esse evento como espaço de debate com o objetivo de ampliar a nossa unidade, rejuvenescer a nossa luta e no enfretamento do espírito guerreiro de Iracema, nesses dias sombrios e na esperança de dias melhores.”, disse.

A composição da mesa da plenária de abertura contou com a participação da presidente Eblin Farage, do secretário-geral Alexandre Galvão e do tesoureiro Amauri Fragoso, que encerraram a gestão à frente do Sindicato Nacional, nos últimos dois anos.  Participaram também da mesa a presidente da Seção Sindical dos Docentes da Universidade Estadual do Ceará (Sinduece SSind), Sâmbara Paula, o reitor da Universidade Estadual do Ceará - Uece, José Jackson Coelho Sampaio, do presidente do Instituto Mosap, Edison Halbert,  a professora Celeste Pereira, representando a Frente Nacional contra a Privatização da Saúde e em Defesa do SUS, do dirigente local da coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Fábio Rodrigues,  representante da executiva nacional da CSP-Conlutas, Rejane Oliveira, 1º vice-presidente da Regional Nordeste I Raquel Dias, do presidente do ANDES-SN, empossado na ocasião, Antônio Gonçalves .

Mobilização nas bases

Eblin Farage destacou também, em sua fala, a ampliação da mobilização nas bases, com inúmeras ações. “A orientação era definida pelas nossas instâncias, unidade de ação nas ruas, e nos empenhamos muito para fazer isso. O ANDES-SN pode se orgulhar de ter construído os grandes processos de mobilização que marcaram o segundo semestre de 2016 e o primeiro semestre de  2017. Mas, também tivemos perdas importantes, a classe foi duramente atacada e perdemos direitos. Temos muitos outras lutas pela frente, e talvez a principal seja revogar essas medidas que retiraram direitos dos trabalhadores”, falou a docente, que encerra sua gestão como presidente, mas continua como secretária-geral do Sindicato Nacional, na gestão 2018-2020.

Para o novo presidente, Antônio Gonçalves, no Brasil, as políticas implementadas pelo atual governo são parte da estratégia do Capital, de romper as altas taxas de competitividade, são perversas e inaceitáveis. Segundo ele, a “Emenda Constitucional 95, que impôs um teto no orçamento público, tem retirado recursos da educação, saúde, transporte, segurança e de diversas políticas sociais, duramente conquistadas pela classe trabalhadora do nosso país. A ciência e a tecnologia públicas têm sido duramente atacadas, reduzindo a produção do conhecimento, para os restritos interesses do Capital. Enquanto os recursos para a educação superior são cortados, o fundo público está desviado para a iniciativa privada, através de programas como o Fies e o Prouni. A reforma trabalhista e a lei da terceirização, como prevíamos, ampliaram o trabalho formal e o desemprego, piorando sobremaneira as condições de vida do nosso povo. O avanço de políticas como a ‘escola sem partido’ e a aprovação da base nacional curricular comum visam à construção do pensamento único no processo de formação, retirando a necessária criticidade emancipatória”, enfatizou o presidente do ANDES-SN.

Para o docente, a reorganização da classe é uma prioridade e deve ser realizada por meio da construção do mais amplo espaço de unidade de ação. "Precisamos derrotar as contrarreformas do governo Temer. Para isso, é necessário fortalecer a CSP-Conlutas, nos esforçarmos para fazer dessa central um espaço cada vez mais democrático, que reúna amplos setores. No que se refere à categoria docente, tenho como tarefa a ampliação da nossa base nas universidades, institutos e colégios de aplicação, o fortalecimento das assembleias de base, para lutarmos por uma carreira estruturada,  melhores condições de trabalho e de remuneração salarial tanto no setor das federais, quanto nos das estaduais e municipais. Precisamos aumentar na base da nossa categoria a percepção do modo como as políticas mais gerais, que por vezes somos acusados injustamente de debatê-las demasiadamente em detrimento das pautas ditas corporativas, têm impacto direto em nossas vidas, desse modo contribuiremos para a construção da consciência de classe, indispensável para avançarmos na luta,” finalizou o presidente do ANDES-SN, declarando aberto o 63º Conad.

A plenária foi encerrada ao som da Internacional Socialista, tocada ao piano e saxofone, por dois estudantes do curso de Música da Uece.

Fonte fotos: ANDES-SN

Edição: Fritz R. Nunes (Sedufsm)



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