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02/08/2018   02/08/2018 14h21 | A+ A- | 424 visualizações

Professor fala sobre ‘felicidade’ e o produtivismo que adoece

Dejalma Cremonese ministra disciplina no curso de Ciências Sociais da UFSM


Cremonese: muitas vezes não fazemos uma produção que se aproxime do prazer de pesquisar

No semestre passado, a disciplina oferecida de forma complementar (DCG) no curso de Ciências Sociais da UFSM – Introdução ao Pensamento Filosófico – teve apenas um estudante inscrito. Foi a menor quantidade de interessados ao longo de seis anos em que foi oferecida. Para o segundo semestre deste ano, o responsável pela cadeira, professor Dejalma Cremonese, mudou o título da disciplina, que passou a se chamar “Ética e felicidade: lições da Filosofia Antiga para uma vida boa”. A nova nomenclatura acabou gerando repercussão intensa nos meios de comunicação e na própria instituição.

Buscamos ouvir o docente para tentar entender um pouco sobre o objetivo da disciplina e, ao mesmo tempo, questionar sobre a ética e a felicidade no meio universitário, especialmente num ambiente de exigência e produtividade exacerbada. Para Cremonese, é possível observar que na universidade, na academia em geral, “há uma insatisfação, uma doença coletiva, que atinge nossos professores. Um cansaço, uma falta de tempo, um produtivismo exagerado, de um academicismo que busca uma produção, muitas vezes, para satisfazer o currículo da plataforma ‘lattes’.” Na análise do professor de Ciências Sociais, “muitas vezes não fazemos uma produção intelectual que se aproxime também do prazer de pesquisar”.

Perguntado sobre os conceitos de “felicidade” e “ética” nos dias atuais, Dejalma Cremonese disse que “há um mau entendimento, uma confusão da sociedade pós-moderna sobre felicidade”. Acrescenta ele que, “para a filosofia dos gregos, eles compreendiam a felicidade primeiramente como uma ‘serenidade de alma’. Viviam uma vida bastante simples, sem apego ao consumo e bem materiais da época. Hoje, nossos entendimentos de felicidade são bastante confundidos com momentos de satisfação, de lazer, de euforia momentânea, que não pode ser confundido com felicidade.”

Em relação à ética, o professor destaca que “os gregos criaram (o termo) simbolizando valores, costumes, hábitos, para viverem uma forma boa”. Hoje, segundo Cremonese, estamos passando por um “não entendimento devido à questão do individualismo, do consumo, da exposição em redes sociais, do narcisismo”. Para ele, “são valores que hoje encontramos perdidos nessa sociedade contemporânea.”

Veja, logo abaixo, o vídeo com a íntegra das respostas do professor Dejalma Cremonese.



 

Texto: Fritz R. Nunes
Foto: Arquivo/Sedufsm
Assessoria de imprensa da Sedufsm



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