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09/11/2018   09/11/2018 18h39 | A+ A- | 344 visualizações

O que ‘A Onda’ nos diz sobre o momento político brasileiro?

Professores (as) tentaram responder questão durante cine-debate na quarta, 7, na Sedufsm


Filme de 1h e 45 min instigou debate sobre crescimento do autoritarismo

Rainer Wenger é professor de História em uma escola da Alemanha. Escolhido pela direção para lecionar um curso, de uma semana, sobre autoritarismo, ele elabora uma estratégia pouco convencional, empírica, a fim de envolver os alunos. Tal estratégia reside em transformar a turma em uma organização totalitária intitulada ‘A Onda’, para a qual só poderia entrar quem usasse determinada cor de roupa e realizasse gesto específico de saudação. O objetivo do professor era mostrar, na prática, como a população alemã permitiu que um regime como o nazismo fosse instaurado no país. Mais ainda, como a humanidade não venceu de todo o totalitarismo, sendo este uma ameaça sempre à espreita.

Ocorre que o empirismo didático assumiu proporções gigantes, afetando a percepção e a psique dos estudantes. Ao se deixarem envolver pelas ideias de superioridade e purismo, eles provaram ser possível, já no século XXI, experenciarmos novos regimes desta ordem.

O filme ‘A Onda’ é de 2008 e foi exibido na noite da última quarta-feira, 7, no auditório Suze Scalcon da Sedufsm.  Após a exibição, a película foi comentada pelos professores Leonardo Botega (História/Politécnico UFSM), Helenise Antunes (Educação/UFSM) e Rondon de Castro (Comunicação Social/UFSM) Todos eles promoveram aproximações entre o relato ficcional trazido pelo filme, e a realidade atual brasileira.

“Não pensávamos que nossos piores pesadelos poderiam se concretizar”, disse Helenise, emocionada, ao contar que, no dia seguinte ao resultado do segundo turno das eleições presidenciais, viu professores (as) de seu departamento se abraçando e chorando pelo seu próprio futuro, e pelo de seus filhos (as) e estudantes. Não obstante a dificuldade do momento, a professora acredita que o medo, de caráter paralisador, não nos serve. “É preciso mobilizar e criar novas formas de resistência. Não podemos perder tudo para só aí nos colocarmos em luta”, concluiu, lembrando, também, a perseguição aos (às) professores (as). Segundo a docente, regimes como nazismo e fascismo perseguiram educadores e universidade. “Resta-nos a força pulsante dos microespaços de resistência”.

Ultraliberalismo

Leonardo Botega avalia que o discurso ultraliberal, representado por Jair Bolsonaro (PSL), ganhou força no Brasil, aliado a um conjunto de ideias de caráter fascista ou protofascista. Mesmo diante do cenário preocupante, o professor destaca algumas iniciativas, desenvolvidas ao longo do segundo turno eleitoral, que se mostraram com grande potencial de mobilização, a exemplo das campanhas “Vamos Conversar” e “Vira Voto”.

“Toda a esquerda tem que se desarmar um pouco e abrir o diálogo, construir um lastro social”, diz o docente, citando como exemplo uma atividade recentemente promovida em Santa Maria, para a qual foram convidadas a juventude de torcidas organizadas e a juventude militante.

Em favor do mercado

Para Rondon de Castro, a equipe de Bolsonaro não tem ideia do que irá fazer com o país. Mas uma coisa é certa: os projetos a serem implementados não beneficiarão os trabalhadores. “Eles sabem que vai dar errado, mas querem lucro fácil e rápido. Tudo vai se desmantelar em favor do mercado”, disse o docente, destacando, também, que a perseguição à universidade explica-se pelo fato de ela ser espaço de movimento crítico.  “Já temos colegas de universidade torcendo pelo financiamento privado das pesquisas. E como ficarão as ciências humanas?”, reflete.

O docente caracterizou o momento atual como um “susto”, mas lembrou que “o lado bom é que estamos nos reunindo. É importante sentarmos e conversar, mesmo que entre poucas pessoas”.

Outro ponto positivo foi lembrado pelo presidente da Sedufsm, professor Júlio Quevedo: enquanto 58 milhões de eleitores votaram em Bolsonaro, 89 milhões não votaram (somando brancos, votos, nulos e abstenções). “É preciso trazer essas pessoas para nosso lado”, destacou o dirigente.

29 anos

O cine-debate integrou a agenda de comemoração aos 29 anos da Sedufsm, tendo sido precedido pelo lançamento da revista do Grupo de Trabalho de Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria (GTSSA) e por ato simbólico em referência ao aniversário da seção sindical.

Texto: Bruna Homrich

Fotos: Ivan Lautert e Fritz Nunes

Assessoria de Imprensa da Sedufsm



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