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17/12/2018   17/12/2018 18h14 | A+ A- | 345 visualizações

Professor compara projetos de mineração a “colonialismo interno”

Docente da Unifesspa estabelece relação entre exploração de minérios e conflitos pela terra


Souza abordou a questão da mineração e os conflitos agrários no país

Existem atualmente quatro mil conflitos latentes no país, que podem explodir a qualquer momento a partir do que se pretende implementar em termos de projetos de mineração. O balanço é de Haroldo de Souza, professor de Educação no Campo na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), também doutorando da UFRJ. Ele participou na última quinta, 13, da conferência de abertura do II Seminário Regional sobre impactos dos projetos de mineração, organizado pelo Grupo de Trabalho de Políticas Agrárias, Urbanas em Ambientais (GTPAUA) do ANDES-SN, pela Secretaria Regional RS do ANDES-SN e demais seções sindicais do RS. Conforme analisou, em um cenário novo, com um governo que desconsidera a importância da luta em favor do meio ambiente, o que se vislumbra é uma espécie de “colonialismo interno”, com a ocupação da Amazônia.

Souza apresentou a conferência que ele intitulou de “Mineração: educação do campo e conflitos territoriais na região de Carajás”, no Pará. Ele explicou que Carajás é a província de exploração mineral mais antiga do país, datando desde o início da década de 80, com a extração de cobre, ouro, entre outros produtos. A novidade mais recente é o Complexo S11-D, em Canaã dos Carajás, que vai explorar a serra sul. A extração de minério de ferro teve sua produtividade duplicada, com um grau de pureza que ultrapassa 70%, afirmou o professor. “Praticamente é só tirar o minério e embarcar no porto”, enfatizou Haroldo de Souza.

Eixo político e resistência

Na análise do professor da Unifesspa, a resistência aos projetos destrutivos de mineração precisa existir, mas há muitos obstáculos a serem enfrentados. O poder econômico é extenso e dinâmico, usando táticas diversas, como por exemplo, através da propaganda.  “A articulação ocorre em diferentes escalas, com a cooptação dos diferente sujeitos pelas estratégias coercitivas econômicas e de responsabilidade social corporativa”, destacou Haroldo de Souza.

Dentre essas estratégias, ele cita a aliança das mineradoras com as elites locais, a desconstrução dos sujeitos locais; a gestão da informação e o “apagamento dos sujeitos e dos conflitos”. E, em última instância nesse processo, ainda existe o que ela chama de “pistolagem moderna”, ou seja, se necessário, pode-se recorrer à força bruta para “convencimento” dos contrários.

Quando se trata de articular a resistência, Souza enfatiza que é preciso inserção dos movimentos no processo educacional. E, por outro lado, frisa que é fundamental o aprofundamento da relação entre universidades e movimentos sociais.

Texto e fotos: Fritz R. Nunes

Assessoria de imprensa da Sedufsm



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