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21/12/2018   21/12/2018 16h16 | A+ A- | 218 visualizações

Cidade da mordaça ou cidade cultura?

Diretoria da Sedufsm divulga nota pública sobre debate do ‘Escola Sem Partido’


Protesto contra a moção em apoio ao 'Escola Sem Partido', na Câmara de Vereadores de S. Maria

A diretoria da Sedufsm está divulgando uma nota pública sobre o projeto ‘Escola Sem Partido’. O texto, que será divulgado também no Diário de Santa Maria, edição do final de semana (22 e 23/12/2018), alerta para os riscos que educadores e educadoras sofrem com o avanço desse tipo de tentativa de legislar sobre a atuação de professores em sala de aula. O avanço desse tipo de visão obscurantista, que busca banir até pensadores de relevância nacional e internacional como Paulo Freire, é repudiada pela seção sindical.

Na nota que reproduzimos a seguir, a Sedufsm critica a postura da maioria dos vereadores de Santa Maria, que aprovaram, no dia 6 de dezembro, moção em apoio ao projeto que é contra a educação, e, ao mesmo tempo, celebra o arquivamento do projeto em âmbito federal, o do ‘Escola Sem Partido’. O objetivo da publicação é chamar a sociedade santa-mariense a ficar atenta contra retrocessos. Acompanhe a íntegra:


“Já dizia Paulo Freire que quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor. Embora referenciado mundialmente, o educador tem sido alvo de uma verdadeira cruzada encabeçada por setores conservadores da sociedade brasileira, em sua grande maioria representados pelo governo do presidente que tomará posse em 1º de janeiro de 2019. Tal cruzada está, inclusive, expressa de forma literal no programa de governo Bolsonaro, intitulado “O caminho da prosperidade”, que é taxativo: é preciso “expurgar a ideologia de Paulo Freire, mudando a Base Nacional Comum Curricular [BNCC]”.

Mas, a quem interessa expurgar as ideias de um pensador que via, na educação, um meio de emancipação dos sujeitos e transformação social? A quem interessa um projeto, como o ‘Escola sem Partido’, que silencia e persegue professores por estimularem o pensamento crítico? A quem interessa uma educação tecnicista e meritocrática, sob a qual os valores do mercado incidam diretamente? A quem interessa, em Santa Maria, colocar a mordaça nos professores?

Certamente esse projeto não interessa aos (às) educadores (as), sujeitos que abraçam a tarefa diária de lutar por um mundo mais justo, enfrentando as mais adversas condições para garantirem que as crianças e jovens brasileiros tenham acesso a todo o conhecimento que a humanidade já produziu.

A Sedufsm, que há 29 anos atua na defesa dos (as) professores (as) e da educação pública, por entendê-la como um direito dos cidadãos e um dever do Estado, repudia firmemente o projeto ‘Escola sem Partido’, bem como a aprovação, sob protestos, pela Câmara de Vereadores de Santa Maria, da moção elaborada pelo vereador João Kaus (MDB) em apoio ao projeto.

Sentimo-nos constrangidos frente à ação da maioria dos legisladores de nosso município. Santa Maria é considerada cidade cultura por abrigar uma grande quantidade de instituições de ensino e, consequentemente, deve abrigar o conhecimento elaborado, o pensamento crítico e a diversidade de ideias. Mas o que vemos?  Uma ação que expressa a falta de comprometimento público, na medida em que não são enfrentados os reais problemas da educação, limitando-os ao que chamam de “doutrinação ideológica”.

Nosso sindicato seguirá firme na defesa da liberdade de cátedra e de um projeto de educação que qualifique e potencialize a ação dos sujeitos no mundo. Ao perseguir Freire e outros (as) tantos (as) educadores (as) que pavimentaram o caminho para que hoje estivéssemos aqui, persegue-se toda a atividade docente. Uma sociedade que criminaliza seus (suas) professores (as) é uma sociedade que ainda não aprendeu nada. Não aprendeu que o papel da escola e das universidades é formar jovens completos, que consigam se colocar no mercado, mas também conservem um olhar crítico, empático e transformador.

Por ora, o projeto ‘Escola sem Partido’ foi arquivado no Congresso Nacional. Isso se deve à resistência de educadores (as), estudantes, sindicatos e movimentos sociais que protagonizaram mobilizações e momentos de diálogo com a população em todo o país. Contudo, 2019 já se avizinha trazendo a certeza de que será preciso lutar.

Continuemos atentos e mobilizados. Precisaremos do apoio de toda a comunidade.

Santa Maria, 21 de dezembro de 2018.

Diretoria da Sedufsm

Gestão 2018-2020”.

Edição e foto: Fritz R. Nunes e Bruna Homrich

Assessoria de imprensa da Sedufsm



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