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05/06/2019   05/06/2019 18h40 | A+ A- | 775 visualizações

Cortes congelam mais 35 bolsas de mestrado na UFSM

Cursos de Matemática, Ciências da Computação e Agrobiologia são os afetados


Anderson Lozi, diretor de Gestão da Capes

O anúncio de novos cortes feito pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) na última terça-feira, 4 de junho, afetou diretamente três cursos da UFSM. Segundo o pró-reitor adjunto de Pós-Graduação e Pesquisa da UFSM, Thiago Ardenghi, os cursos afetados na instituição foram os de Matemática, Ciências da Computação e Agrobiologia. Os dois primeiros obtiveram nota 3 nas duas últimas avaliações da CAPES, e o terceiro teve seu conceito diminuído de 4 para 3 no último processo avaliativo.

Esses são justamente os critérios anunciados pelo órgão para novo congelamento das bolsas: cursos que tenham sido avaliados consecutivamente com conceito 3, ou que tenham baixado a nota de 4 para 3. Desta vez, serão bloqueadas, em todo o país, 2.724 bolsas (2.331 de Mestrado, 335 de Doutorado e 58 de Pós-Doutorado).  

Na UFSM, a situação é a seguinte: o curso de Mestrado em Matemática, que até então contava com 12 bolsas, passará a contar com apenas 4; o curso de Ciências da Computação tinha 22 bolsas e passará a ter 7; e a Agrobiologia terá uma redução das atuais 18 para 6 bolsas.

Congelamento não afeta quem já recebe bolsas

O pró-reitor adjunto fez questão de ressaltar que os/as estudantes destes três cursos que já estão contemplados pelas bolsas não terão seu pagamento interrompido. O congelamento afeta a renovação dos benefícios, e não aqueles que já estão sendo pagos.

“Até então, quando o/a aluno/a defendia seu trabalho final, a cota da bolsa ficava para o curso. O que acontecerá agora é que o curso de Matemática terá apenas 4 das atuais 12 bolsas renovadas; o curso de Ciências da Computação só terá 7 das 22 bolsas renovadas; e o curso de Agrobiologia terá 6 das atuais 18 bolsas renovadas. O congelamento se dará a partir do momento em que os atuais alunos/as forem se formando”, explica Ardenghi, salientando que, ao todo, entre os três cursos, o congelamento representa cerca de 70% das bolsas atualmente ofertadas.

Ainda que não vá afetar as bolsas pagas hoje, o impacto desses bloqueios é bastante salientado pelo pró-reitor. “Esses cursos são importantes e trabalham com a resolução de problemas da sociedade e com o desenvolvimento da região. A Matemática, por exemplo, forma muitos professores para a rede de ensino do nosso país. Esses bloqueios de bolsas acabam diminuindo a possibilidade de novos alunos ingressarem, e, assim, afetam a geração de novos conhecimentos e talentos. Qualquer contingenciamento nas verbas na educação tem um impacto que não é simples de ser medido. A ciência não se mensura de forma direta. Não é como uma luz que eu apago numa sala e, quando acendo novamente, está tudo igual. O conhecimento científico está sempre avançando e, quando eu paro, não volto naquele estágio em que estava. Tínhamos [e seguimos tendo] um planejamento muito sério para esses cursos crescerem. Embora eles tenham tido duas avaliações nota 3, ou tenham caído do conceito 4 para 3, eram cursos que estavam em plena organização e discussão de suas fraquezas”, pondera o pró-reitor adjunto da PRPGP.

Indignação

Bruno Schreiner, da Associação dos Pós-Graduandos da UFSM (APG), diz que o anúncios dos novos bloqueios foi recebido com indignação pelos/as estudantes.

“Os cortes representam uma concentração hegemônica de conhecimento nas regiões que já prevalecem com mais poder dentro do país – o sul e o sudeste – e afetam as outras regiões que já têm dificuldades de expansão na educação. O corte de bolsas vai sair apenas quando as pessoas terminarem as teses e dissertações, então nesse momento imediato a tendência é que os programas que perderem as bolsas fechem. Isso pode conduzir a uma privatização da pós-graduação, o que acarreta diretamente no que vamos querer para a ciência. Vamos estar, mais do que nunca, executando o que as empresas privadas querem, o que a indústria quer, o que o próprio capital quer. No livre comércio, quem detém o capital? Para quem servirá o conhecimento com o financiamento privado?”, questiona o estudante.

Para fazer frente a este cenário, ele diz que a APG vem participando ativamente das mobilizações em defesa da Educação e irá participar, junto às outras categorias, da Greve Geral do dia 14 de junho. Nos próximos dias, também, deverá ocorrer nova assembleia geral de pós-graduandos da UFSM.

Cabe lembrar que, já em maio, a Capes havia anunciado o corte de 3.500 bolsas . Porém, após repercussão negativa, 1.200 bolsas foram reabertas em cursos com conceitos 6 e 7.

Texto: Bruna Homrich

Foto: Rádio Guaíba

Assessoria de Imprensa da Sedufsm



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