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06/06/2019   07/06/2019 17h37 | A+ A- | 1175 visualizações

Visita de Mourão à UFSM divide opiniões

Entidades dos segmentos criticam governo que ataca a educação


Convite da reitoria também foi estendido a Bolsonaro e ao ministro Abraham Weintraub

No próximo dia 15, o vice-presidente Hamilton Mourão deve visitar a UFSM, participando de atos de inauguração de algumas obras no campus sede, em Camobi. A Assessoria de Imprensa da Sedufsm ouviu representações das entidades sindicais e estudantis da instituição a respeito da visita, que foi um convite da Administração Central não apenas ao vice, mas ao próprio presidente Jair Bolsonaro e ao ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Para o presidente da Sedufsm, Júlio Quevedo, é importante que a reitoria aproveite a presença do vice para cobrar do governo posições favoráveis à universidade. “Que a reitoria tenha a coragem de dizer para eles que se a universidade continuar do jeito que está, vai acabar fechando, e eles serão responsáveis por esse fechamento”, analisa.

Opinião semelhante tem o presidente da Atens, Clóvis Senger, para quem a presença de Mourão, por ser representante do governo, pode ser interessante para a universidade mostrar a ele os projetos desenvolvidos, bem como sua centralidade para a prestação de serviços à população.  

“Como representante é importante que venha, mas isso não impede que a gente se contraponha firmemente em relação à política desenvolvida pelo atual governo, que desde a sua posse tem tratado a educação e a saúde pública com certo desprezo, retirando investimentos e recursos desses setores que a gente considera extremamente importantes para o desenvolvimento do país. Temos de mostrar que a universidade faz muito mais do que aquilo que é colocado na mídia”, diz Senger. 

Contradição

É contraditório um governo que vem impondo uma série de cortes às universidades querer visitá-las. A opinião é de Kauã Wioppiold, membro do DCE-UFSM.

“O convite formal realizado pela UFSM demonstra uma postura da instituição em tentar dialogar sobre o quanto a UFSM está sendo afetada com os cortes da educação e, consequentemente, tentar reverter a situação. O DCE tem a convicção de que o atual governo não irá mudar de posição em relação aos cortes, pois eles fazem parte do projeto que elegeu Bolsonaro e Mourão. Portanto, sabemos que o diálogo não irá ter nenhum resultado.  Em razão deste cenário, é importante a mobilização da categoria estudantil e de todas as outras categorias, para estarem nas ruas lutando pela educação pública do nosso país, porque somente assim derrotaremos este projeto. Dia 14 de junho será um dia importante, a população demonstrará, um dia antes da vinda de Bolsonaro e Mourão, que está insatisfeita com as políticas adotadas pelo atual governo, como a reforma da previdência e os cortes na educação”, diz o estudante.

Inimigos da educação

Wioppoild ainda destaca que que “o atual governo, na figura de Mourão, representa os inimigos da educação pública, que estão sucateando as nossas universidades e dificultando a permanência da maioria dos estudantes. Por isso, é uma falta de coerência Mourão querer visitar a universidade, após uma série de atos, que com protagonismo de estudantes e milhares de pessoas, lotaram as ruas de Santa Maria, contra os cortes da educação.

Régis Piovesan, da Associação de Pós-Graduandos da UFSM (APG), avalia que o governo federal vem se distanciando das universidades federais ao cortar investimentos e não propor nada significativo para essas instituições.

Parece ser proposital fazer com que as IFE's tenham sua manutenção ameaçada, forçando-as a aderirem a iniciativas de privatização da educação no país, como é o caso da cobrança de mensalidades em cursos de pós-graduação e graduação. Portanto, não há nenhum motivo até o momento que justifique uma visita dos representantes do governo a nossa UFSM. Sem projeto que seja interessante a população, não há motivo para visitar”, critica Piovesan.

Natália San Martin, coordenadora de Formação Política e Sindical da Assufsm, também avalia como importante que a gestão à frente da reitoria da UFSM evidencie a situação da universidade para os representantes do governo. “Nesse momento em que o governo está tirando vários recursos da educação, é necessário explicar a importância da UFSM para a região de Santa Maria. Pelo que percebemos, este governo não sabe bem o que é a universidade e para que ela serve. Somos contra esse governo pois estão retirando nossos direitos”, diz a dirigente.

Sem impedimentos

“Não há nenhum problema até porque são autoridades legitimamente eleitas. Outra coisa é o nosso viso político acerca dessas autoridades. O que, se é negativo, é perfeitamente compreensível diante de um ambiente democrático”, diz o professor do departamento de Ciências Sociais da UFSM, Reginaldo Perez. Para ele, do ponto institucional, não haveria impedimentos para o convite ou para o aceite por parte do governo.

Esclarecimentos da reitoria

Segundo a Assessoria do Gabinete do Reitor, Burmann teria costurado a visita em abril, quando foi recebido, em Brasília, por Mourão. Cabe lembrar que no mesmo 15 de junho, data da visita de Mourão à UFSM, ele e Bolsonaro participarão da Festa Nacional da Artilharia no Regimento Mallet. Bolsonaro e o próprio ministro Weintraub, contudo, já declinaram do convite para conhecer a universidade.

Mourão irá inaugurar obras da UFSM, em cerimônia às onze da manhã no Centro de Convenções (campus de Camobi). Na ocasião, será inaugurado um conjunto de 16 prédios situados no campus sede, nos campi de Cachoeira do Sul, Frederico Westphalen e Palmeira das Missões e no Espaço Multidisciplinar de Pesquisa e Extensão de Silveira Martins. 

O evento contará com a participação de autoridades do governo, comunidade acadêmica e público em geral. Será permitido acesso às autoridades confirmadas, à imprensa e ao público presente com vagas limitadas, mediante credenciamento a partir das 9h30min.

 

Entrevistas concedidas a Lucas Reinehr (estagiário de Jornalismo) e Bruna Homrich (Jornalista)

Texto: Bruna Homrich

Foto: UFSM

Assessoria de Imprensa da Sedufsm



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