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09/07/2019   09/07/2019 16h01 | A+ A- | 163 visualizações

Abismo na remuneração de trabalhador se deve a predomínio do capital, diz professor

Em 2015, no Brasil, parcela mais pobre ficava com 18,3% da renda. Em 2017, caiu a 17,9%


Estudo comparativo foi realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT)

O recente relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) denominado “The Labour Income Share and Distribution”, trouxe informações sobre a distribuição de renda entre os trabalhadores em 189 países. O que se verificou é que o abismo entre os trabalhadores melhor remunerados e os com pior remuneração aumentou, e ao que tudo indica, deve continuar aumentando. A tendência é mundial, e demonstra que somente 10% dos trabalhadores melhor remunerados recebem 48,9% da remuneração salarial total, enquanto os 50% dos trabalhadores mais pobres ficam com tão somente 6,4% da remuneração do trabalho. Para o professor do departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSM, Sérgio Prieb, esse aumento na diferenciação salarial, afetando justamente os piores remunerados, tem relação com o avanço de visões governamentais alicerçadas em políticas que beneficiam o capital em detrimento do social.

A análise do documento da OIT também traz informações sobre a realidade brasileira. Os dados da pesquisa mostram que no Brasil, em 2015, os 50% dos trabalhadores mais pobres ficavam com 18,3% da renda, enquanto, em 2016 o percentual caiu para 18,13% e em 2017 ficou em 17,9%. Na perspectiva do docente da UFSM, o crescimento de governos conservadores (ou de direita) em âmbito mundial, incluindo o Brasil, tem feito avançar medidas que redundam na retirada de direitos, de garantias trabalhistas, com uma legislação nesse setor cada vez mais flexível, e assim possibilitando cada vez mais o alastramento da terceirização. “E em virtude da terceirização é que vamos ter cada vez mais trabalhadores com menor poder de barganha nas negociações salariais, e com isso, com menos direitos e salários menores”, frisa Sérgio Prieb.

O economista da UFSM ressalta que no auge do capitalismo do “welfare state” (Estado de bem-estar social) no segundo pós-guerra, devido ao perigo do desenvolvimento do bloco socialista, especialmente no Leste Europeu, havia uma tendência a tentar contrapor esse avanço com a concessão de demandas populares da classe trabalhadora. Após o fim da experiência socialista, destaca Prieb, não só esses avanços sumiram como a própria economia regulada pelo Estado foi destituída e substituída pelos princípios neoliberais. “Agora, com o avanço da direita no mundo, há uma nova clivagem na concentração de renda, não só entre a classe detentora dos meios de produção, onde inclui-se os rentistas, mas mesmo uma diferenciação intraclasse, como constatado na pesquisa”, destaca o professor.

Leia mais sobre os dados da OIT aqui.

Texto: Fritz R. Nunes com informações do UOL
Assessoria de imprensa da Sedufsm



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