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14/08/2019   14/08/2019 18h55 | A+ A- | 501 visualizações

Projeto ‘Future-se’ é rejeitado com firmeza nas ruas de Santa Maria

Estudantes e trabalhadores contam os motivos que os levaram à mobilização na terça, 13


Protesto em defesa da Educação Pública e contra a Reforma da Previdência

Adriele Machado Rodrigues é técnica em Assuntos Educacionais no Instituto Federal Farroupilha e tem andado bastante preocupada com a situação orçamentária do local onde trabalha, já que, com os dois últimos contingenciamentos de verba, a instituição só teria condições de funcionar normalmente até o início de setembro. “Depois não sabemos o que vai acontecer”, conta a servidora, que esteve ao lado de muitas outras pessoas que lotavam a Praça Saldanha Marinho na tarde da última terça-feira, 13, durante a Greve Nacional da Educação. O motivo da concentração era a rejeição ao projeto ‘Future-se’ e à Reforma da Previdência, ambos defendidos com unhas e dentes pelo governo de Jair Bolsonaro.

Para Adriele, na terça, “seria impossível estarmos trabalhando como se nada estivesse acontecendo. Essa política do governo vem, cada vez mais, acirrando a desigualdade social e atentando contra a educação pública. Não podemos parar. O ‘Future-se’ desvaloriza o suor dos nossos alunos. Temos muitos alunos carentes. Como vamos parar de lutar sabendo que muitos deles ficarão sem oportunidades?”, questiona a servidora.

Desgoverno

Foi assim que o estudante de História na UFSM, Silvio Neto, de 22 anos, definiu a gestão de Bolsonaro. Ressaltando a importância da mobilização para barrar os ataques à universidade, ele lembra que a educação vem sendo atacada em todos os seus níveis, a exemplo do recente bloqueio de mais de R$ 300 milhões no orçamento da educação básica. “É importante lembrar que a UFSM é um polo que mantém Santa Maria. Hoje estamos nas ruas novamente para lutar contra mais uma pauta que degrada nossa educação pública”, diz o estudante.

Educação é futuro

José Iran Ribeiro, 45 anos, docente do departamento de História da UFSM, acredita que, se por qualquer motivo tivesse, hoje, uma profissão diferente, também estaria na rua. “Sou um lutador em favor da Educação e por saber a importância que a Educação tem no presente e no futuro do nosso país, é que estamos aqui. Estamos lutando pelo futuro do Brasil, pela ampliação do acesso às universidades, manutenção da qualidade e aprimoramento do trabalho realizado nas instituições e escolas”, diz Ribeiro.

Colonialismo puro

Na análise do vice-presidente da Sedufsm e membro da Executiva Estadual da CSP-Conlutas, João Carlos Gilli Martins, que realizou intervenção na Praça Saldanha Marinho durante o ato, o ‘Future-se’ integra um projeto mais amplo de recondução do Brasil à condição de colônia. Ao lado das já aprovadas Reforma Trabalhista e Emenda Constitucional 95 (que congelou os investimentos públicos por 20 anos) e da ainda não inteiramente aprovada Reforma da Previdência, o programa destinado às universidades e institutos federais brasileiros teria por objetivo minar a produção de ciência e tecnologia nacionais.

“As universidades públicas brasileiras são responsáveis por mais de 90% de toda a produção em ciência, tecnologia e humanidades no país. A privatização dessas instituições representa o fim dessa produção e a nossa consequente dependência de produtos tecnológicos de ponta dos países metrópole, que são sede das multinacionais. Quando o governo Fernando Henrique Cardoso assumiu, 28% de todo o Produto Interno Bruto vinha de nosso parque industrial. Hoje esse montante corresponde a apenas 9%, o que representa a dilapidação do parque industrial brasileiro e uma dependência ainda maior”, relembra Gilli. Sendo assim, para o dirigente, “defender a universidade pública, gratuita, laica, democrática e socialmente referenciada implica, necessariamente, na luta contra o ‘Future-se’, que significa a privatização dessas instituições”.

A saída, para Gilli, passa pela organização de uma Greve Geral que reúna os trabalhadores brasileiros para derrotar toda essa gama de projetos “puramente coloniais”. E conclui: “Temos que confiar em nossa própria força e nos rebelarmos nas ruas”.

Sedufsm em luta

Júlio Quevedo, presidente da Sedufsm, lembrou que a entidade sempre esteve na luta, porém, desde janeiro de 2019, vem intensificando suas ações a partir de assembleias docentes, do Comando de Mobilização da UFSM (que reúne os três segmentos) e da Frente Única de Trabalhadoras e Trabalhadores de Santa Maria (FUTT), responsável por organizar o ato da terça.

“Estamos aqui primeiro para denunciar esse ataque violento a UFSM, que vem acontecendo desde o contingenciamento – que, na verdade, é um roubo à nossa instituição, posto que no ano passado foi votado o orçamento da UFSM e esse valor já estava disponível. No entanto, o governo de Bolsonaro retirou esse valor e usou para comprar deputados a fim de que votassem a favor da Reforma da Previdência. Temos que denunciar e dizer o quanto este roubo institucionalizado está afetando nossa universidade. Somos contra o ‘Future-se’, pois defendemos uma universidade pública, gratuita, laica, de qualidade e socialmente referenciada. Para tal, ela não pode ser entregue à iniciativa privada e aos projetos de mercantilização. Aqui trabalhamos pela qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão. O ‘Future-se’ é o fim desse tripé”, critica Quevedo, lembrando a importância da UFSM para toda a região central do estado. “Que esse dia 13 sirva para repudiarmos e denunciarmos esse desmonte total da universidade”.

Marcha

Após ficarem concentrados cerca de duas horas na Praça Saldanha Marinho, os manifestantes saíram em marcha por algumas das ruas centrais da cidade, como Acampamento e Riachuelo.

*Depoimentos cedidos a Amanda Xavier (estagiária de jornalismo)

Texto e fotos: Bruna Homrich

Assessoria de Imprensa da Sedufsm



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