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11/09/2019   12/09/2019 14h42 | A+ A- | 2081 visualizações

Assembleia docente reafirma indicativo de greve por tempo indeterminado

Proposição de Santa Maria, que será levada para avaliação nacional, é de que movimento inicie no próximo dia 24


Greve teria 5 reivindicações principais, dentre estas a imediata recomposição de bolsas e verbas

Reunidos (as) em assembleia na tarde desta quarta-feira, 11 de setembro, os (as) docentes do campus sede da UFSM reforçaram a decisão anterior e mantiveram (com 22 votos favoráveis e uma abstenção) indicativo de greve por tempo indeterminado. A novidade, agora, é que o movimento paredista teria data para começar: 24 de setembro. Cabe lembrar, contudo, que este é apenas um indicativo para ser avaliado nacionalmente pelas outras seções sindicais que compõem a base do ANDES-SN. Na pauta da greve estariam os seguintes pontos:

  1. Imediato descontingenciamento das verbas das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes);
  2. Imediata recomposição das bolsas de pesquisa e pós-graduação
  3. Revogação da Emenda Constitucional (EC) 95, aprovada ainda no governo Temer e que congela os investimentos públicos por 20 anos;
  4. Rejeição integral ao ‘Future-se’;
  5. Atendimento, por parte do governo, da pauta de reivindicações dos docentes das IFES, aprovada no último Congresso do ANDES-SN e protocolada no início deste ano no Ministério da Economia. A pauta está disponível na aba 'Relatórios e documentos' do site da Sedufsm.

Além de aprovar o indicativo de greve por tempo indeterminado, os (as) docentes presentes à assembleia também rejeitaram o indicativo de greve por 48 horas (com 15 votos contrários, nove favoráveis e duas abstenções), aprovado na reunião do setor das federais do ANDES-SN, no final de julho.

O resultado da assembleia desta tarde será levado pelo presidente da Sedufsm, Júlio Quevedo, à reunião do Setor das IFES do Sindicato Nacional, que ocorrerá nesta quinta, 12. Lá, as seções sindicais de todo o país deverão apresentar os resultados de suas assembleias e, a partir daí, serão definidos os rumos do movimento docente. Independentemente do resultado nacional (greve de 48 horas ou greve por tempo indeterminado), a Sedufsm voltará a convocar assembleia para que a categoria avalie os novos encaminhamentos nacionais. Esta assembleia ocorrerá na próxima semana, ainda sem data definida.

Insatisfação

Dentre os motivos que levaram os (as) docentes de Santa Maria a votarem pela greve por tempo indeterminado estão a série de ataques impostos pelo governo às universidades, começando pelo severo corte de verbas (que vem levando a UFSM, por exemplo, a impor a erstrição no uso de ar-condicionado apenas em acsos muito específicos), passando pelo corte de bolsas de pesquisa e pós-graduação e culminando no ‘Future-se’, encarado pelo movimento sindical docente como uma tentativa clara de privatização da educação superior pública. Muito além disso, uma série de outros projetos e decretos aumentam a insatisfação da categoria, a exemplo dos decretos nº 9.991/19 (que dificulta as licenças para capacitação docente) e nº 9.725/19 (que determina a extinção de cargos de comissão e funções de confiança, limitando a ocupação, concessão ou utilização de gratificações. A medida se aplica ao âmbito do Poder Executivo Federal).

Para Gihad Mohamad, diretor da Sedufsm, a intenção do governo é justamente destruir a universidade pública. “É momento de enfrentamento”, salientou. Já Diorge Konrad, do departamento de História, frisou que no dia de realização da assembleia (11 de setembro) relembram-se os 46 anos do golpe que assassinou o presidente eleito Salvador Allende e alçou o ditador Augusto Pinochet ao poder do Estado chileno. Nosso vizinho latino-americano, diz Konrad, serviu como laboratório para as políticas privatistas de Pinochet e que hoje voltam a habitar o discurso de Jair Bolsonaro. Contudo, tais políticas tiveram consequências devastadoras sentidas até hoje pela população chilena, a exemplo da privatização da universidade pública. Acompanha aqui algumas repercussões sobre o corte de gastos na UFSM.

Mobilizar

Os (as) docentes reforçaram a importância de aumentar a mobilização na UFSM. “É impossível que as pessoas ainda não tenham percebido que o que tivermos para perder, vamos perder! Mas, se lutarmos, podemos perder menos ou, ao menos, perder com dignidade”, disse Adriano Figueiró, do departamento de Geociências.

Helenise Sangoi, do Conselho de Representantes da Sedufsm, lembrou a situação dificílima enfrentada pelos (as) estudantes, que ficarão sem Restaurante Universitário (RU) ou outros auxílios. “Conversei com alguns estudantes da Veterinária que estudam de manhã e trabalham até às 23h. Eles não têm benefício sócioeconômico, mas o RU é a única refeição deles”, contou.

Delegados (as) à CSP-Conlutas

A assembleia desta quarta ainda retificou os nomes que comporão a delegação da Sedufsm ao 4º Congresso Nacional da CSP-Conlutas, marcado para ocorrer entre os dias 3 e 6 de outubro, em Vinhedo (SP). A delegação será composta pelos (as) seguintes docentes: Gihad Mohamad (diretoria), João Gilli Martins (diretoria), Júlio Quevedo (diretoria) e Adriana Zecca (diretoria, campus de Frederico Westphalen).

 

Texto: Bruna Homrich

Fotos: Ivan Lautert

Assessoria de Imprensa da Sedufsm



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