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25/04/2020   16/07/20 10h27 | A+ A- | 1308 visualizações

Ansiedade, medo e insegurança: o ensino médio e fundamental na pandemia

Embora favoráveis ao isolamento, redes estadual e municipal relatam desafios do trabalho em tempos de Covid-19


Para entidades, realidades distintas impedem a utilização de um modelo de aulas à distância único para toda a rede.

O período de isolamento social pelo qual o Brasil está passando trouxe novos desafios para trabalhadores e trabalhadoras das mais diversas categorias. Nesse contexto, a Sedufsm já conversou com comerciários, metalúrgicos, rodoviários, bancários e servidores técnico-administrativos em educação, buscando traçar um panorama dessa situação através de diferentes perspectivas.

Com atividades presenciais suspensas, mas precisando dar sequência ao ano letivo através do ensino à distância (EAD), o trabalho de professores e professoras é mais um a sofrer com as novas dinâmicas impostas pelo atual momento. Em que pese a opinião favorável pelo isolamento, professores das redes estadual e municipal relatam dificuldades, angústias e incertezas. No intuito de mapear as avaliações e os principais problemas enfrentados pelo setor da educação de nível médio e fundamental, conversamos com o diretor-geral do Cpers (rede estadual), Rafael Torres, e com a coordenação do Sinprosm (rede municipal).

Avaliação

Como já dito, tanto Cpers quanto Sinprosm são favoráveis ao processo de isolamento social que resultou na suspensão das atividades letivas presenciais. “O isolamento social é medida necessária para conter o avanço da doença, conforme amplamente divulgado e defendido pelos os órgãos de saúde”, afirma a diretoria do Sinprosm, que suspendeu também as atividades presenciais do próprio sindicato. Já Rafael Torres, do Cpers, destaca que, embora escolas de ensino médio e fundamental não se enquandrem entre os “grupos de risco”, o que preocupa é a capacidade de disseminação do vírus. “A gente sabe do poder de disseminação desse vírus e não queremos que as nossas escolas sejam vetores de transmissão. Embora crianças e adolescentes não façam parte do grupo de risco, nenhuma criança vai para a escola, pega o vírus, coloca em um potinho e guarda. Então é um risco que se tem também pela característica das nossas famílias, onde os jovens convivem com os idosos e muitas vezes são os idosos as principais fontes de sustento da casa com as suas aposentadorias”, avalia.

Contudo, no que pese a defesa do isolamento social e a suspensão das aulas, isso não significa que a atual situação não angustie a comunidade escolar. Para as duas entidades, é necessário pensar nos possíveis impactos desse processo. “Há um distanciamento entre alunos e professores que já dura um mês. Nesse período, algumas escolas estão encaminhando atividades enquanto outras não, já que não há uma orientação clara da Secretaria de Educação. Além disso, não há clareza do alcance das atividades enviadas. Isso tudo afeta a categoria que vê com insegurança seu trabalho e percebe seu planejamento desfeito”, avalia a coordenação do Sinprosm, que acrescenta ainda as preocupações advindas do cenário político brasileiro (a entrevista foi concedida ainda antes da demissão do ex-ministro da justiça, Sérgio Moro). “Em meio a essa incerteza, ainda convivemos com a instabilidade política do Brasil no combate à pandemia. Ao mesmo tempo em que os profissionais da saúde recomendam o isolamento social, e a falta dele já produziu efeitos desastrosos em outros países, o presidente demite o ministro da saúde e provoca aglomerações, num verdadeiro espetáculo irresponsável para atender a ‘sua torcida’. Além de incentivar e defender o fim do isolamento, a volta às aulas e a retomada da ‘normalidade’, como se isso fosse algo possível num momento grave como o que vivemos. Isso tudo gera ansiedade, medo e insegurança tanto na categoria quanto nas comunidades”, conclui. A avaliação de Rafael Torres, do Cpers, segue a mesma linha. “É um período de reflexão e no qual também se ressaltam algumas diferenças graves do ponto de vista da escola pública. A dificuldade de estar, nesse momento, mantendo um mínimo de contato pedagógico com os alunos, nos deixa também bastante desconfortáveis”.

Ano letivo

Para ambas as entidades, é inevitável que o isolamento traga impactos na execução do ano letivo, que ainda estava no início no momento da suspensão das aulas. Esse cenário, avalia o Sinprosm, deverá resultar em um “recomeço”. “Em três semanas, as escolas ainda estavam num processo de planejamento e organização do ano. Os vínculos estavam começando a se estabelecer. Neste sentido, acreditamos que será um recomeço. O início de caminhada já feito não será simplesmente retomado, terá que ser construído um novo caminho”, avalia a entidade da rede municipal. “De fato o retorno e a forma como retornar ainda são incógnitas. Não sabemos quando voltaremos e de que forma isso poderá ser atenuado ou recuperado de alguma maneira. Obviamente haverão prejuízos que não sabemos ainda mensurar. Um ano em que teremos muita dificuldade de retomar alguma ‘normalidade’. Normalidade entre aspas, pois acredito que não haverá normalidade. Temos que entender que é um ano atípico, e um ano atípico necessita de soluções atípicas”, complementa Rafael Torres, do Cpers.

Aulas online

Nesse cenário de novidades e incertezas, a demanda de aulas à distância é fator determinante na angústia de professores e professoras. E isso se dá por vários motivos, mas especialmente pelas distintas realidades nas quais as escolas se encaixam, o que inviabiliza um método único de ensino remoto. “Vemos com temeridade a utilização de atividades remotas, sejam elas virtuais ou não, como uma alternativa para a manutenção do ano letivo. A rede municipal é diversa e não há como proporcionar acesso de forma equitativa a todos os alunos, seja pelo acesso à tecnologia, seja pelas condições das famílias em acompanhar a realização das atividades propostas”, afirma a direção do Sinprosm. Análise muito similar é feita também pela rede estadual. “Isso é um fator que revela ou reforça toda a diferença e o abismo social que existe dentro do Estado. Nós, enquanto escola pública, atendemos a camada mais necessitada, nós trabalhamos com os filhos da classe trabalhadora, e em via de regra nossas escolas estão inseridas em contextos periféricos de bastante vulnerabilidade social. Então as escolas estão, dentro das suas realidades, se desdobrando para enviar as atividades da forma que é possível dentro da sua comunidade. Não podemos inventar plataformas ou enviar atividades nas quais os alunos não terão condições de acessá-las. Porque escolas do centro da cidade atendem um público diferente que muitas vezes tem condições e um acesso minímo, algo que grande parte das escolas não têm. Os nossos alunos não têm sequer um ambiente para poder estudar, uma mesa para sentar, e na maioria das vezes o alimento na sua mesa”, aponta Torres.

Nesse cenário, a escassez de recursos e a precariedade de infraestrutura historicamente infringidas à escola pública, também se evidenciam e agravam ainda mais a situação. “Algumas escolas estão imprimindo material para entregar, e aí também já vem a dificuldade dos recursos escassos dentro das escolas. Como imprimir material de todas as disciplinas para entregar para os seus alunos quando não se tem os recursos mínimos?”, questiona o diretor do Cpers, para quem o esforço das direções em atender a política de educação à distância, é heróico. “É praticamente impossível realizar com um mínimo de qualidade, sem ter as condições mínimas necessárias. Não é uma questão de vontade. Vontade todas as escolas, as equipes diretivas e os profissionais têm. O problema é dar condições para que esses alunos possam acessá-las e responder minimamente com condições. Mas dadas as condições e dado o momento, tenho certeza que todas as escolas estão fazendo o melhor que podem para atender satisfatoriamente ou minimamente essa demanda”, conclui. Complementando a avaliação, o Sinprosm aponta que tal cenário deve desembocar, inclusive, na própria dificuldade da retomada das aulas. “Como proceder no retorno às aulas, se em uma mesma escola, numa mesma sala de aula, não temos certeza se todos os estudantes tiveram as mesmas oportunidades de desenvolvimento das aprendizagens? Como reconhecer o real aproveitamento das atividades enviadas? É preciso considerar que as crianças e jovens possuem estilos de aprendizagem e necessidades diferentes que, em condições ‘normais’, são identificadas e atendidas sob a orientação de seus professores. Não desconsideramos a importância da participação das famílias nos processos de aprendizagem de seus filhos e filhas, mas não ‘assumindo’ essa tarefa de modo exclusivo e por um período tão prolongado”, afirma a direção da entidade.

Além disso, no caso da rede municipal, o Sinprosm reforça que a manutenção de atividades à distância se trata de uma decisão particular de algumas escolas, frente a falta de orientação da Secretaria Municipal de Educação. “Apesar de não ter sido oficialmente orientado pela Secretaria Municipal de Educação, algumas escolas optaram por encaminhar aos estudantes atividades para serem realizadas remotamente durante a suspensão das aulas. Essa escolha ocorre sob o argumento de não prejudicar o processo de ensino aprendizagem ou ainda ‘ocupar as crianças e adolescentes’ durante este período, numa tentativa de nos mantermos próximos de nossos alunos e comunidades escolares neste período de isolamento social, priorizando saúde mental e o bem estar mínimo dos estudantes”, declara a entidade.

Retorno

Para além da ansiedade que o retorno das atividades já gera, professores e professoras não tem muita materialidade sobre quando e como isso ocorrerá. Sabem, no entanto, que é preciso ter cuidado com esse movimento, que deve sempre estar amparado na ciência e na opinião das autoridades sanitárias. “Acreditamos que ainda há muita incerteza quanto a uma possível volta às aulas. Além disso, pensamos não ser nossa competência opinar quanto a prazos. É necessário que esse processo seja conduzido com responsabilidade, sempre considerando o que os órgãos e profissionais da saúde orientam”, avalia a direção do Sinprosm, em opinião que é compartilhada pela rede estadual. Além disso, o representante da rede estadual, Rafael Torres, alerta para a possibilidade de um retorno precipitado significar, por consequência, um novo período de isolamento. Essa situação, para o professor, praticamente inviabiliza a retomada de atividades ainda no primeiro semestre. “Entendemos que qualquer tentativa ou previsão ainda é precipitada, embora, claro, tenha que se ter uma previsibilidade para as pessoas se organizarem em suas vidas e também para dar respostas para a sociedade. São apresentadas algumas datas, mas entendemos que é muito precoce ainda e qualquer retorno antes de junho certamente deverá ser interrompido novamente, pois a previsão hoje é de que o pico de casos seja entre junho e julho, também com a questão, aqui no Rio Grande do Sul, do inverno mais rigoroso. Então, por enquanto, é precoce qualquer avaliação e entendemos que no primeiro semestre praticamente não há condições de qualquer tipo de retorno”, avalia.

Para a direção do sindicato dos professores municipais, outra questão a ser considerada, frente a um retorno das atividades, são as distintas realidades da rede de educação. “As decisões a serem tomadas pelos órgãos competentes devem considerar a rede como um todo, levando em conta a sua diversidade e as peculiaridades de cada comunidade escolar”, avalia o Sinprosm. Tal preocupação também atinge o Cpers. “Tenho certeza que já estão pensando e organizando, as secretarias de educação, em uma forma de respeitar o tempo do aluno e também as características individuais das diversas escolas públicas, que tem especificidades bastante diferenciadas”. Aliás, falando das diferentes realidades da rede de educação, a entidade municipal lembra também que os impactos sentidos de maneira geral pela sociedade devem, por consequência, ser levados para o ambiente escolar. E que a escola precisará lidar com essas questões. “Quantas famílias de alunos estarão com problemas financeiros causados por desemprego, impedindo atendimento de necessidades básicas? Que condições de manter os cuidados necessários com higiene, fundamentais em tempos de Covid-19, as famílias dos alunos da rede municipal, sobretudo os mais carentes, têm? Que impactos emocionais essa parada e esse recomeço trarão tanto para alunos quanto para os professores? Como se trata o retorno às aulas depois de uma parada por calamidade pública tão grande, que abrange o mundo inteiro? São perguntas para as quais não temos resposta”, avalia a entidade.

Conjuntura política

Para o Cpers, nessa avaliação sobre o retorno das atividades novamente o contexto político preocupa. “Acho muito difícil no ano a gente trabalhar com normalidade, mas entendemos que todas as orientações que vem baseadas em estudos, em evidências científicas, em dados, nós acatamos e louvamos que seja feito dessa forma, que nesse momento não seja usado qualquer tipo de ideologização. Nós vemos que são os governadores que estão realmente segurando de forma mais efetiva e forma racional o aumento desse pico. Então, se não fosse o trabalho dos governadores, com bastante prudência, certamente já teríamos um colapso total, haja visto que do governo federal, especialmente do presidente, há uma loucura e uma banalização, uma diminuição da importância que estão tendo no mundo inteiro as evidências científicas e os estudos”, declara Torres, para em seguida concluir. “Então será um ano completamente atípico mas com certeza não será um ano perdido. Um ano de bastante aprendizado para as nossas relações, da importância que tem a higiene, a importância que tem de se manter a ciência, de se manter os investimentos em educação ativos. Porque todos nós esperamos que surja uma cura e uma cura não vai vir senão de pesquisa, de estudo e de educação. Então que possamos estar nos reiventando e aprendendo algo com tudo isso. Mas qualquer retorno agora é apenas uma suposição e muito difícil”.

Texto: Rafael Balbueno
Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil, Sinprosm e arquivo pessoal de Rafael Torres
Assessoria de Imprensa da Sedufsm



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