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01/06/2020   01/06/20 17h46 | A+ A- | 461 visualizações

Docentes reclamam do pouco diálogo institucional em tempo de pandemia

Professores de três campi da UFSM participaram de ‘live’ promovida pela Sedufsm na sexta, 29


No debate virtual promovido pela Sedufsm na noite da última sexta, 29, um ponto em comum parece unir os três docentes dos campi da UFSM de Santa Maria, Frederico Westphalen e Palmeira das Missões que participaram da ‘live’: a insatisfação em relação ao escasso diálogo institucional, o que tem gerado insegurança para todos os segmentos. As decisões quanto a, por exemplo, a manutenção do calendário acadêmico em meio à pandemia do novo coronavírus, sem fazer uma ampla audição à comunidade no que se refere às condições de professores e estudantes, foi um dos principais questionamentos.

O evento organizado pela seção sindical teve como título “A pandemia e o calendário acadêmico da UFSM”, e contou com a presença das professoras Fabiane Adela Tonetto Costas (campus de Santa Maria, departamento de Fundamentos da Educação); Vera Sirlei Martins (campus de Frederico Westphalen, departamento de Ciências da Comunicação) e Gianfábio Pimentel Franco (campus de Palmeira das Missões, departamento de Ciências da Saúde). Houve convite ao campus de Cachoeira do Sul, mas não se conseguiu a participação de uma representante daquela Unidade. Além disso, o evento também contou com a presença de duas intérpretes de Libras (Língua Brasileira de Sinais): Mariléia Lucia Stolz e Juliana Correia de Lima.

A mediação do debate ficou a cargo do diretor da Sedufsm, professor Carlos Pires. Ele iniciou o evento lembrando que houve uma primeira parte dessa mesma atividade, que se propôs a discutir o calendário acadêmico de uma perspectiva nacional, na segunda, 25 de maio. Além disso, o diretor fez a leitura de um trecho de nota publicada no site da Sedufsm na qual a diretora do sindicato, professora Maristela Souza, explica um pouco da posição do sindicato a respeito de temas chave para o momento como a realização de atividades via Regime de Exercícios Domiciliares Especiais (REDE), do trabalho remoto e da manutenção do calendário acadêmico. 

Confusão entre aulas a distância e atividades remotas

Primeira a falar, Fabiane Costas afirmou ter ido buscar informações de situações parecidas para tratar da resolução sobre o problema atual, que é a questão do calendário acadêmico. E, para ela, a resposta encontrada se deu a partir das greves vividas na UFSM. “Foram as únicas situações de que eu tenho memória em que tivemos alguma situação de atipificação de calendário”, afirmou. Nesse sentido, a docente lembrou de duas greves que impactaram na execução do calendário e da solução buscada em ambos os casos.

Na greve de 2005, destacou ela, a instituição entendeu que deveriam recuperar carga horária e dias letivos. Já na greve de 2012, duas propostas estiveram em avaliação no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE). Em uma delas se defendia recuperar carga horária e dias letivos enquanto a segunda – e que foi a aprovada pela instituição – falava apenas em recuperação de carga horária. Baseado nessa decisão, a categoria teve um mês para recuperar 108 dias de greve.

Na avaliação da docente, um dos grandes problemas na manutenção do calendário é a grande variedade de posturas que estão sendo adotadas frente ao REDE. “Existem pessoas que aderiram totalmente ao regime e pessoas que mantiveram apenas atividades remotas”, exemplifica. A professora faz coro à preocupação recorrente nos últimos tempos com a confusão entre aulas a distância e atividade remota. No entendimento dela, REDE e atividades remotas são coisas diferentes e cita um exemplo: no caso de quem possui vínculo com estudantes de iniciação científica, a manutenção de algumas demandas se encaixa no conceito de atividade remota e não no regime REDE. É o mesmo caso de grupos de pesquisa e orientações em programas de pós-graduação, ressalta.

Há uma urgência de se pensar e tomar uma decisão a respeito do calendário, argumenta Fabiane. E isso, segundo ela, passa pela incapacidade de se ter uma ideia sobre o retorno às aulas e das condições nas quais isso se daria. Nesse sentido, a professora mencionou, as declarações dadas pelo reitor e pelo vice em ‘live’ realizada também na sexta, 29, a partir das quais a Administração manifesta que não há perspectiva de retorno no curto prazo. 

Efeitos psicológicos, medo da doença, e falta de padronização

Sobre a possibilidade de retorno às atividades presenciais, Fabiane destacou que é fundamental levar em consideração os fatores psicológicos que estão em jogo, entre eles, o próprio medo de se contaminar, tendo em vista que as curvas de contágio estão em ascendência no Rio Grande do Sul. Além disso, Fabiane ressalta os processos emocionais pelos quais estudantes estão passando, em especial, frente à falta de um padrão nas atividades postas em prática no momento. Conforme destacou, existem docentes que dão tarefas avaliativas, outros que dão suas aulas ao vivo em frente ao computador, alguns aderiram ao REDE, outros que aplicam tarefas apenas com o objetivo de manter o vínculo, e por aí vai. Por fim, a docente ainda questionou sobre os cuidados com a categoria.

Ao mencionar reportagem publicada no site da Sedufsm sobre o trabalho remoto aliado à condição de maternidade e paternidade, Fabiane questionou: “e quem cuida de nós?”. Somado a essas angústias, a docente menciona, por exemplo, o controle que o governo federal tem tentando impor à categoria, questionando-a a respeito de atividades desenvolvidas. “Então a pandemia é um elemento de catalização de muitos processos. Eu tento viver um dia de cada vez. Porque se eu for pensar para frente, as angústias ainda são maiores”, questionando ainda: “como vai ser o nosso retorno em termos da nossa saúde física, psíquica? E até agora nosso calendário não está suspenso. Quais vão ser as formas de lidar com toda essa metodologia ampla em relação aos nossos colegas e aos nossos alunos?”.

Uma universidade já fragilizada

Vera Sirlei Martins, do campus da UFSM em Frederico Westphalen, foi a segunda falar. E ela partiu do que considera uma questão básica para analisar o momento: é preciso admitir que individual ou coletivamente sabemos muito pouco sobre a pandemia: o que ela é e o que ela poderá representar. “Tudo que nós podemos fazer é ir tateando informações recentes”, afirmou. Nisso, ainda temos uma particularidade especial quando falamos a partir da universidade. Conforme lembrou a docente, no atual cenário, a universidade já é um lugar fragilizado, com orçamento enxugado, trabalho precarizado e imagem cotidianamente atacada. Tudo isso, para ela, significa que as posturas que a universidade adotará perante a pandemia poderão e possivelmente serão usadas contra a própria universidade, dentro de uma política que já trata a educação pública como alvo.

No entendimento da professora de Comunicação, no que tange à vulnerabilidade, é importante observar a situação vivida por docentes e estudantes durante a pandemia. E, na opinião dela, o que é possível se perceber até o momento são os sérios abalos na saúde mental, motivados principalmente pela falta de informação e a consequente insegurança entre o segmento estudantil, inclusive a respeito do calendário acadêmico. Somam-se a isso as dificuldades financeiras, por exemplo. Vera trouxe relatos de estudantes que estão precisando buscar empregos para pagar aluguéis de imóveis que em alguns casos não estão nem sequer sendo usados, já que muitos estudantes voltaram para a casa da família. Mesmo o caso de voltar ao meio familiar também há impactos, diz ela, visto que voltar para o contexto familiar implica, em muitos casos, no cumprimento das tarefas acadêmicas realizadas de forma remota ou via REDE.

Cansaço pode gerar desistência

E é nesse cenário de dúvidas e incertezas, que a docente relata receber diversos questionamentos, aos quais não se tem o que responder concretamente. “Sem um posicionamento urgente sobre o calendário temos observado que essa tendência de cansaço vai se converter em desistência”, aponta ela. Assim como Fabiane, Vera também é crítica às tentativas do governo federal de controlar as atividades docentes, e faz menção especial ao método adotado: um relatório fechado, no qual não se podia relatar impressões sobre o que a universidade está vivendo. “Como estamos lidando com o medo de morrer e de perder pessoas que gostamos muito”, exemplifica a docente do campus de Frederico Westphalen.

Para a professora, a universidade perdeu um tempo precioso por não ter suspendido o calendário, no qual poderia ter discutido o que estamos passando. Em contrapartida, enquanto docentes, técnicos-administrativos em educação e estudantes estavam envolvidos no REDE, a universidade não “parou para pensar”, aponta. Exemplos de tais discussões que poderiam ter sido promovidas nesse período, segundo Vera, são as ações de combate à Covid-19, a assistência a estudantes durante esse período e até a projeção de cenários pós-pandemia.

Na avaliação da docente, “não sabemos como resolver, estamos presos em um limbo de gestão e com isso não avançamos com a solução”. Ela também defende que uma decisão sobre o calendário leve em consideração aspectos múltiplos como os de ordem social e emocional. Já sobre a retomada das aulas, Vera menciona também a necessidade de serem pensados uma série de aspectos, dentre eles os técnicos (também ligados aos mecanismos que garantam a segurança da comunidade acadêmica), aspectos legais e aspectos políticos.

Responsabilidade não assumida

Ao final de sua fala inicial, a professora ainda afirmou que a Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) tem em mãos um mapeamento socioneconômico dos estudantes, através do qual pode identificar as condições de acesso ao REDE, por exemplo. Na opinião dela, a responsabilidade, até o momento, não foi assumida institucionalmente, mas jogada nos ombros de professoras e professores.

Nesse sentido, Vera ressalta que a comunidade acadêmica precisa de “escuta” e questiona, por exemplo, o que fazer com estudantes em vias de formatura. “O normal não existe mais. Nós vamos errar em muitas coisas até encontrar a forma correta. Até a universidade retomar o seu diálogo com os seus públicos para iniciar um processo de ajustes e adaptações que está só começando”, ponderou.

Competição ao invés de cooperação

Gianfábio Franco, que é docente na Enfermagem da UFSM/Palmeira das Missões, ressaltou a complexidade do momento, em que, mesmo o cientista, não analisa o fenômeno de fora, mas emite opinião a partir da sua própria experiência e vivência. Nesse sentido, o professor entende que “perdemos a oportunidade de aprender um pouco mais”, pois o debate sobre uma série de aspectos deveria ter começado a partir de 16 de março, quando foram suspensas as atividades acadêmicas presenciais.

Para Gianfábio, mesmo entendendo que o futuro passa por uma espécie de ‘hibridismo’, no qual haja uma mescla entre o ensino presencial e o virtual, há necessidade de que isso seja feito com planejamento. Contudo, o que ocorreu no período recente, a partir da pandemia e o consequente distanciamento social, é que todos precisaram “correr atrás” para dar conta de demandas até então inexistentes. “A acessibilidade não está disponível a todos”, frisa, ao mesmo tempo em que relata que soube de alunos que tiveram que carregar créditos em seus telefones praticamente de forma diária, para poder acompanhar os conteúdos repassados por seus professores.

Na visão do docente, quando fala em “aprender um pouco mais”, isso pode ser traduzido como uma maneira de discutir melhor o que iria ser feito, quanto a calendário e outros assuntos, para que todos pudessem ser contemplados e não prejudicados. Da forma como foi feita, avalia Gianfábio, o que ocorreu foi o acirramento da competição, ao invés de estimular a cooperação, tendo em vista que o cenário é de gravidade, com a possibilidade concretas de perdas de vidas. Ele sintetiza com o seguinte raciocínio: “cada um pensa no individual sem levar em conta aquele que não tem acesso”.

Consulta à comunidade

Conforme o entendimento do professor, a situação vivida pela universidade é bastante peculiar. Citou o plano em debate pela Administração Central, que prevê um possível retorno, ainda que não no curto prazo. Gianfábio questiona que, se não tem como voltar todo o mundo ao mesmo tempo, pois a universidade não comporta fazer distanciamento com a presença de 30 mil pessoas lotando sala de aulas, restaurantes universitários e transporte coletivo, como fazer esse retorno. “Quem vai dizer qual atividade é essencial ou não”, sublinha.

Na condição de docente da área da saúde, ele lembrou que os dados mostram que a curva da pandemia ainda está em ascensão e, que, dificilmente se terá condições sanitárias “normais” ainda este ano. Para Gianfábio Franco, que em determinando momento desabafou afirmando que “chegamos à exaustão, pois não temos mais horário para nada”, a melhor saída seria uma consulta à comunidade acadêmica para que se possa definir o melhor caminho para questões fundamentais que afetam todos os segmentos da instituição.

Confira abaixo, a íntegra da ‘live’, que foi transmitida tanto pelo facebook como pelo youtube da Sedufsm.

Texto: Rafael Balbueno/Fritz R. Nunes

Assessoria de imprensa da Sedufsm


 



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