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08/01/2021   08/01/21 16h22 | A+ A- | 209 visualizações

Entidades criticam decisão de acatar nomeação de Bolsonaro na UFPel

Chapa eleita diz que, embora vá contestar nomeação da segunda colocada junto ao MEC, universidade será gerida de forma conjunta


Isabela Andrade (à esq.) e Paulo Ferreira Júnior assumirão juntos comando da reitoria

A ADUFPel, assim como outras entidades sindicais e estudantis da UFPel, teceu críticas à decisão da chapa eleita de nomear a professora Isabela Andrade como reitora da instituição, ainda que ela não tenha sido a escolha da maioria da comunidade acadêmica.

Na última quarta-feira, o Diário Oficial da União publicou a decisão de Bolsonaro de, ao invés de nomear o candidato mais escolhido pela comunidade da UFPel – professor Paulo Ferreira -, escolher a segunda candidata mais votada. Mesmo que ambos pertencessem à mesma chapa, a decisão de Bolsonaro foi encarada como antidemocrática e desrespeitosa.

Ainda na última quinta, 7, a chapa eleita realizou uma live no facebook e comunicou que, embora vá buscar reverter a nomeação arbitriária, Isabela tomará posse como reitora e a gestão da universidade se dará de forma compartilhada. Dessa forma, Isabela Andrade, segundo lugar na lista tríplice, irá dividir o comando da Universidade com Paulo Ferreira, reitor eleito democraticamente.

Segundo a ADUFPel, a decisão foi tomada de maneira unilateral por integrantes e anunciada em live transmitida pelo Facebook nesta quinta-feira (07). “A deliberação ocorreu sem qualquer consulta à comunidade acadêmica, desconsiderando o posicionamento das entidades representativas dos três segmentos da Universidade: ADUFPel-SSind, ASUFPel-Sindicato e Diretório Central dos Estudantes (DCE), responsáveis por realizar o processo de Consulta Informal”, diz a nota da entidade.

A presidente da ADUFPel, Celeste Pereira, destacou que, em encontro convocado pela Reitoria na quinta, 7, um dia após a nomeação, as entidades foram informadas de que haveria uma reunião aberta com a comunidade, na qual seria definido o posicionamento acerca da nomeação da docente do Centro de Engenharias. A reunião não ocorreu e a informação de que ela seria uma live foi divulgada via redes sociais. “Desse modo, nos pareceu incongruente nossa participação na atividade”, destacou Pereira. 

O ASUFPel (sindicato dos servidores), que, assim como a ADUFPel, optou por não participar da live da Reitoria, repudiou em nota a decisão da chapa, reforçando que foi tomada de maneira antidemocrática e que a “atual gestão da UFPel busca de forma disfarçada aceitar a referida nomeação, dando o nome de ‘democracia de alta intensidade’.”

Gestão se compromete a garantir a nomeação do reitor eleito

Segundo afirmou o agora ex-reitor da UFPel, Pedro Hallal, na live de quinta-feira, “reitor eleito é reitor nomeado”. O professor apontou que essa é a concepção de toda a gestão, a qual assinou um documento com este comprometimento. Para ele, “essa defesa é uma defesa histórica, de muitas gerações, só que essa defesa não pode representar qualquer desrespeito com a professora componente do grupo UFPel Diversa, que foi eleita junto conosco para administrar a universidade”. Por esse motivo, ambos, Paulo e Isabela, dividirão a administração, e destacou que o projeto eleito será tocado de uma maneira “criativa”. 

Apesar disso, explicou que a gestão estará em luta incessante e fará de tudo para reverter a decisão do presidente Jair Bolsonaro. “Já estamos entrando com recurso administrativo junto ao MEC [Ministério da Educação], estamos em reunião com a OAB [Ordem dos Advogados do Brasil], e levaremos o assunto a todas as instâncias políticas e jurídicas para que o reitor eleito pela comunidade seja o reitor nos próximos quatro anos”. No entanto, afirma que este é um momento de “serenidade” e de “responsabilidade” e, enquanto lutarem pela nomeação de Paulo, é necessário que a UFPel “funcione”. O ex-reitor defende que se Isabela não assumisse, abriria a possibilidade de um interventor na Universidade. 

Embora afirme que a chapa tentará reverter a situação, Hallal, em entrevista na RádioCom, já explicou como se dará a gestão. Isabela será a reitora, assinará os despachos, mas nada impede que o professor Paulo presida o Conselho Universitário (Consun) e represente a UFPel em reuniões com professores. “Essa postura que está dentro da legalidade é desafiadora demais para o presidente. Esse desafio é um desafio que eles [bolsonaristas] não sabem lidar.  (...) Eles estão sem chão. Essa é uma decisão da nossa comunidade”.

Conforme o reitor não nomeado, Paulo Ferreira, “a Universidade amanheceu golpeada por um governo federal que foi irresponsável, assim como outras dezenas de universidades”. Ele avalia que, com essa atitude, o Executivo busca gerar conflito, o que não deve ser permitido, e, tendo um método de um governo que não respeita a ordem da lista tríplice, o método de escolha da UFPel é o mais apropriado. Além disso, Ferreira não concorda com a denominação de intervenção e diz que estarão aptos a “fazer muitas realizações na UFPel”.

Segundo conta Isabela, ela estava trabalhando até o momento da nomeação para assumir a Pró-Reitoria de Planejamento e Desenvolvimento, sob a liderança de Paulo. Ainda, reforçou que toda a equipe construída pela chapa permanecerá a mesma. “Todo cargo público carrega consigo o ônus e o bônus. Não era a minha intenção assumir a reitoria da Universidade, pelo menos não neste momento. Tinha outros planos profissionais e principalmente pessoais. Lamento a decisão pela não nomeação do reitor eleito pela nossa Universidade. Contudo, a partir da minha nomeação, me foi atribuída a tarefa de assumir, principalmente, o ônus de tudo isso. Porém eu não sou eu, somos nós e nós somos um grupo”.

Intervenção é realidade, conforme diretoria da ADUFPel 

Na concepção da diretoria da ADUFPel a situação é outra. A nomeação de uma docente que não encabeçou a lista tríplice e não foi eleita democraticamente pela comunidade universitária consiste em uma intervenção em curso. 

“Nós compreendemos que a não nomeação do reitor eleito caracteriza uma intervenção. Respeitamos a decisão tomada pela gestão, mas não concordamos com a interferência do governo federal na autonomia da Universidade e com o desrespeito ao processo democrático ocorrido através da consulta informal conduzida pelas três entidades representativas da comunidade UFPel e ratificada pelo Conselho Universitário.  Aliás, com diferença significativa entre o primeiro e o segundo nome da lista tríplice. Estamos organizados e não aceitaremos qualquer intervenção”, enfatiza. 

Assembleia docente debaterá assunto

Na próxima segunda-feira,11, a ADUFPel realizará Assembleia Geral virtual para debater exclusivamente a intervenção na UFPel - ações e mobilização.

ANDES-SN repudia não nomeação de primeiro colocado

Em circular encaminhada na última quinta, 7, a diretoria do ANDES-SN manifestou seu repúdio à não nomeação do primeiro colocado da lista tríplice para a reitoria da UFPel. “O ANDES-SN historicamente defende o fim da lista tríplice e a garantia da decisão autônoma em cada Instituição do Ensino Superior. Defende que o processo de escolha do(a)s representantes se inicie e se encerre no âmbito das IES. Nesse sentido, várias ações têm sido realizadas com as demais entidades da Educação em defesa da autonomia e da democracia para exigir que reitor(a) eleito(a) seja reitor(a) empossado(a)!!!”, aponta trecho da nota, que pode ser lida na íntegra no anexo ao fim desta página.
 

Fonte e imagem: ADUFPel

Edição: Bruna Homrich/Assessoria de Imprensa da Sedufsm



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