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29/01/2021   30/01/21 11h49 | A+ A- | 324 visualizações

“Se não vacinarmos, não sairemos da pandemia”, afirma epidemiologista

Ethel Maciel analisa a vacinação contra a Covid-19 em entrevista ao Ponto de Pauta


Para Ethel, hoje não é possível afirmar quando teremos uma imunização satisfatória

Enquanto a bandeira de cientistas do mundo inteiro defende a importância da vacinação para o controle da pandemia do novo Coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro parece ter uma outra bandeira inegociável: a de que a vacinação no Brasil pode até ocorrer, mas jamais será obrigatória. Questionada sobre isso, a professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), enfermeira, epidemiologista e pesquisadora do CNPq, Ethel Maciel, é taxativa em sua resposta: “O impacto disso é de que a gente permaneça nessa pandemia por muito mais tempo, enquanto os outros países vão sair. Vacinar é um ato cívico. Se nós não fizermos isso, nós não sairemos dessa pandemia”. Ethel é a entrevistada da nova edição do Ponto de Pauta, programa de entrevistas da Sedufsm. Na entrevista, que pode ser conferida na íntegra no player ao final desta nota, a professora abordou alguns dos principais desafios impostos à vacinação contra a Covid-19 no Brasil – e que começam muito antes da discussão sobre obrigatoriedade ou não. Confira alguns dos principais tópicos abordados na entrevista.

Desinvestimento

Para a professora da UFES, todo o imbróglio gerado pela produção da Vacina no Brasil nos ajuda a entender também uma questão muito anterior à própria pandemia: o Brasil retira investimentos da produção científica nacional e, assim, se torna um país totalmente dependente. “Nós tivemos um desfinanciamento da pesquisa no Brasil, em toda essa parte de produção farmacêutica, produção química, de insumos que são utilizados em vários medicamentos e hoje o Brasil é dependente de muitos insumos de doenças que são endêmicas, que a gente tem todo o ano e que a gente tem números grandes. Se a pandemia tivesse impedido as nossas ações comerciais, impedido as importações, nós estaríamos em uma situação muito complicada sem ter medicamentos para tratar doenças básicas no Brasil”, afirma Ethel. E se a questão da importação do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) está no cerne da produção das vacinas, também impacta diretamente na capacidade do Brasil de se organizar para tal tarefa.

Cronograma

“Se essa IFA chegar aqui amanhã, a gente já vai poder pensar em um cronograma, porque nós vamos saber quantas doses temos por dia e a gente vai estabelecer um cronograma um pouco mais preciso, porque hoje o que está acontecendo no Brasil é que nós temos pouquíssimas doses”, avalia Ethel ao ser questionada sobre o quão perto (ou longe) estamos da vacinação em um nível considerado realmente impactante. Para a professora, a aprovação do uso emergencial pela Anvisa é algo a ser comemorado. Contudo, apostar todas as fichas em uma produção interna foi e segue sendo um erro do governo federal. Hoje, segundo informações oficiais, divulgadas pelas próprias instituições, o Brasil teria capacidade de produzir diariamente 1 milhão de doses, no Instituto Butantan, e 700 mil doses, na Fundação Oswaldo Cruz. Enquanto isso, segundo Ethel, apenas para uma primeira fase, que abarcaria o grupos mais prioritários, seriam necessárias cerca de 30 milhões de doses, enquanto uma imunização realmente massiva precisaria de aproximadamente 150 milhões de pessoas vacinadas. Mas para isso ainda é preciso a chegada da IFA, o que nos impede de saber, segundo a epidemiologista, quando conseguiremos alcançar esses números.

A condução do governo

Segundo Ethel Maciel, muitas são as questões que explicam a dificuldade brasileira em conseguir a IFA necessária para a produção da vacina, Contudo, é inegável que a condução dessas tratativas por parte do governo de Jair Bolsonaro está entre as principais causas do problema. Dentro dessa lógica de dependência de insumos, estão como nossos principais fornecedores países como a China e a Índia, parceiros comerciais de longa data, com os quais o Brasil inclusive compõe o BRICS (somando-se ainda Rússia e África do Sul), mas dos quais o governo Jair Bolsonaro se afastou e atritou com muita frequência nos últimos anos. Já com a busca pela vacina em curso no mundo todo, relembra a professora, Índia e África do Sul lideraram uma luta pela quebra das patentes, em especial aquelas que receberam forte investimento público. Na ocasião, o Brasil votou contra. “Votamos alinhados com os países que detém as patentes, sem deter nenhuma patente. Então votamos contra nós mesmos e agora estamos nessa situação, com relações muito ruins com esses parceiros que sempre foram parceiros, com quem nós tinhamos boas relações, e que somos dependentes”, analisa Ethel.

O desafio “comunicacional”

Para Ethel, a sistemática utilização de notícias falsas contra a vacina representa um dos grandes problemas a serem enfrentados no Brasil. Um dos principais impactos disso, para a professora, será o risco de uma baixa adesão da imunização. “Essa questão da obrigatoriedade ela é ultrapassada. Nós discutimos isso em 1904. Isso já está muito bem estabelecido no Brasil. Inclusive o presidente, só pode prestar serviço militar se a pessoa tiver comprovação de toda a vacinação”, afirma a professora, que destaca ainda que a vacinação em massa é central para que a imunização seja alcançada. “Ela tem que ser obrigatória porque nós só vamos combater o vírus se nós tivermos um número grande de pessoas vacinadas. Nós chegamos em um ponto que é tão absurdo que nós estamos discutindo questões que já estão consagradas pela ciência”. Como exemplo da importância da vacina, a docente menciona países liberais como os Estados Unidos, nos quais sequer existe sistema de saúde pública e que mesmo assim as vacinas estão sendo aplicadas de forma gratuita, pelo governo. “Se alguém naqueles grupos prioritários ficar sem vacinar, nós não vamos deter essa pandemia em relação ao número de doentes e o número de mortos”, conclui Ethel. Por Fim, a docente ainda menciona o alerta feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a respeito de uma vacinação incompleta em nível global: com um vírus que promove mutações tão rapidamente, vacinar os países ricos e não vacinar os pobres, não irá conter a pandemia.

Confira a íntegra da entrevista.

Texto: Rafael Balbueno
Imagem: Divulgação
Assessoria de imprensa da Sedufsm



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