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30/04/2021   30/04/21 19h57 | A+ A- | 233 visualizações

Transtornos psíquicos lideram ranking do adoecimento docente na UFSM

Rotina acelerada de trabalho leva professores(as) a desenvolverem depressão e ansiedade


Desde o início da pandemia, 115 docentes mulheres e 44 docentes homens afastaram-se para tratamento de saúde na UFSM

Com a proximidade do 1º de Maio, Dia do(a) Trabalhador(a), vários aspectos poderiam ser abordados a respeito do trabalho docente. Mas escolhemos, aqui, tratar de um problema muitas vezes silencioso e que vem afetando cada vez mais professores(as) em nossa instituição: o sofrimento psíquico. Se a incidência de doenças mentais e comportamentais sob a categoria docente já era alta no mundo pré-pandêmico, as novas formas de trabalho demandadas pela pandemia, aliadas aos encargos domésticos e a inquietude de um isolamento que parece não acabar, tendem a intensificar tais transtornos.

Entre o dia 16 de março de 2020 e o dia 27 de abril de 2021, 159 docentes da UFSM solicitaram afastamento para tratamento de saúde.  Desses, 115 foram solicitações de docentes mulheres, e 44 de docentes homens.

As doenças mentais e comportamentais lideram as causas de afastamento, sendo responsáveis por 32 dos pedidos. Em segundo lugar, com 26 solicitações, vêm as doenças infectocontagiosas, seguidas das doenças neoplásicas (25 pedidos). A ordem dos pedidos e das doenças que os motivaram é a seguinte:

Principais patologias motivadoras das Licenças Tratamento de Saúde (LTS)

Mentais e comportamentais: 32

Infectocontagiosas: 26

Neoplásicas: 25

Cardiovasculares: 16

Traumatológicas: 11

Osteomusculares: 10

Outras: 8

Respiratórias: 6

Obstétricas: 6

Oftalmológicas: 5

Neurológicas: 3

Renais: 3

Gastrointestinais: 3

Odontológicas: 2

Neoplasias benignas: 2

Ainda, cinco docentes solicitaram Licença por Motivo de Doença em Pessoa da Família (LTSF). Os dados foram fornecidos à Assessoria de Imprensa da Sedufsm pela coordenadora do Serviço de Perícias Oficiais em Saúde/PROGEP da UFSM, doutora Liliane Brum.

Depressão e Síndrome de Burnout

Na UFSM, as doenças mentais e comportamentais lideram as causas de afastamento docente. Segundo Luis Felipe Lopes, professor do departamento de Ciências Administrativas da UFSM e coordenador do Grupo de Pesquisa ‘Comportamento Inovador, Estresse e Trabalho’, as doenças comportamentais são aquelas que demandam uma grande quantidade de tempo ou uma intensa carga de trabalho, afastando os(as) trabalhadores(as) de atividades de lazer e bem-estar.

Exemplos de doenças consideradas comportamentais seriam o estresse, a depressão, a ansiedade e a Síndrome de Burnout. Segundo Lopes, os(as) profissionais que mais desenvolvem esses tipos de doenças são os(as) da área da saúde, seguidos pelos(as) profissionais da educação e pelos(as) funcionários(as) da segurança pública (policial carcerário(a), policial militar e policial civil).

“Na docência a principal atividade que leva ao adoecimento é a rotina de trabalho (preparar aula, elaborar atividades, corrigir trabalhos, corrigir provas, etc.) - isso acompanhada pelas atividades domésticas do dia a dia [...] Na atual circunstância eu diria que a depressão e a ansiedade são as principais doenças que estão afetando a vida mental dos docentes e dos discentes universitários”, explica.

Outra doença muito observada nos(as) docentes e, por vezes, difícil de ser diagnosticada, é a Síndrome de Burnout. Lopes explica que a doença é classificada, na legislação brasileira, como transtorno mental e comportamental relacionado ao trabalho, podendo ser considerada até mesmo um acidente de trabalho – para o qual são considerados fatores de risco o ritmo penoso do labor e dificuldades físicas e mentais a ele relacionadas.

“Os primeiros sintomas da doença estão mais relacionados ao estresse laboral, estaria ligado à danificação cognitiva e afetiva, que prejudicaria o modo como o professor desempenha sua função; outros sintomas estariam relacionados às consequências dos primeiros sintomas, como sentimento de culpa, entristecimento, isolamento social, por determinadas ações”, salienta Lopes.

O docente diz que uma forma de diagnosticar a doença é observando mudanças no comportamento diário de uma pessoa, especialmente se tais mudanças apontarem para desânimo, intolerância, falha de memória, tensão, falta de paciência, sonolência, desmotivação, irritabilidade e desinteresse.

Esses sintomas levam a uma queda no desempenho do(a) professor(a), fazendo com que ele(a) apresente aulas menos dinâmicas e de menor qualidade, reduza as exigências e diálogos com alunos(as) e se dedique menos às suas atividades dentro e fora da sala de aula.

UFSM

Lopes orientou, recentemente, três pesquisas que se dedicavam a entender como o processo de adoecimento psíquico se dá entre docentes e discentes da UFSM. Uma das pesquisas originou a tese de doutorado intitulada “A espiritualidade e religiosidade são antecedentes do engajamento no trabalho/envolvimento pessoal? Percepção dos docentes universitários frente à pandemia Covid-19”, defendida neste mês de abril.

“Na tese, dos 591 professores avaliados em uma das dimensões da Síndrome de Burnout, dimensão envolvimento pessoal no trabalho, observou-se que 15,07% dos professores apresentam baixo envolvimento no trabalho, o que levaria a possíveis sintomas de estresse ocupacional”, comenta Lopes.

Outra pesquisa, também defendida em abril deste ano, foi a dissertação de Mestrado intitulada “Adaptabilidade de carreira e os sintomas de ansiedade em discentes de pós-graduação frente à pandemia covid-19”, segundo a qual, dos 709 alunos pesquisados, 41,89% apresentaram sintomas depressivos, e 43,87% sintomas de ansiedade.

A última das três pesquisas já finalizadas e publicadas ainda em 2020 dizia respeito à ansiedade em estudantes de graduação da UFSM e os efeitos de tal transtorno em seu bem-estar. Os dados foram coletados antes da pandemia e estão disponíveis no artigo “Analysis of Well-Being and Anxiety among University Students”, publicado no International Journal Environment Research Public Health.

Há, atualmente, mais três pesquisas em andamento no Grupo de Pesquisa de Lopes. São elas: “Aprendizagem discente, Ansiedade e o Technostress frente a pandemia COVID-19, nas atividades remotas nos Cursos Superiores”; “Atenção plena, ansiedade generalizada e bem-estar em estudantes dá área da saúde em tempos de pandemia da Covid-19” e “Conflito trabalho-família em professores universitário antes e durante a pandemia Covid-19”.

Quando a docência faz sofrer: relato de uma educadora

Joana (*) é docente da UFSM há 13 anos, tendo passado antes alguns anos vinculada a uma instituição privada. Ela conta que vinha sofrendo um processo de adoecimento, de forma silenciosa, com sinais em meados de 2019, e que aflorou com a pandemia, em 2020, através de manifestações de ansiedade e depressão. “Fiquei com aversão ao trabalho”, diz a professora, que acabou entrando em licença saúde em abril do ano passado, e retornando, já recuperada, em setembro de 2020.

A professora integra um departamento considerado altamente produtivo, o que gera uma pressão para que todo o corpo docente se enquadre nessa lógica. Ter uma conduta “workaholic” é o normal, e quem não age assim é que está fora do padrão, ressalta ela. Afora o produtivismo acadêmico, que é muito cobrado em sua área de atuação, Joana aponta outras pedras no caminho diário. “Temos um departamento em que o machismo é bastante acentuado. Somos menos de 40% do corpo docente e percebemos que somos mais cobradas. Com a gente, muitos colegas se acham no direito de levantar a voz”, comenta.

Em um episódio ocorrido no curso, no qual intercedeu em favor de uma aluna da pós-graduação, que estaria sendo perseguida, Joana relata que foi chamada para uma reunião (sem aviso sobre a forma como ocorreria) em que foi colocada frente a frente com o docente envolvido diretamente na questão com a aluna, tendo enfrentado uma situação intimidadora, que ela considera assédio moral. “Jamais isso seria feito se eu fosse um homem”, reclama.

Depois de superada a fase depressiva, e o retorno em setembro de 2020, Joana voltou a se deparar com a volta de todos os sintomas anteriores no início de 2021. Ela explica que soube “pelos corredores de outro local que não o seu centro”, que estava correndo uma sindicância contra ela, desde 2019. A motivação seriam avaliações de alunos feitas a partir de 2016, nas quais ela seria considerada inassídua, que cancelaria muitas aulas, e que também costumava se atrasar.

Joana argumenta que as anotações negativas dos alunos são em bem menor quantidade que as positivas, e que sobre aulas canceladas possui cópias dos e-mails em que transferiu aulas em função de incidentes ocorridos em seu curso. Ela diz ainda que não se nega a ser questionada, e dar explicações, mas que o problema é que, desde 2019, a primeira vez que ela soube da sindicância já em andamento e com depoimentos de terceiros foi no início deste ano. No entendimento dela, isso é injusto e prejudica o seu direito de defesa.

Diante de tantas situações desagradáveis e geradoras de adoecimento, Joana avalia que, mesmo que o ensino remoto na pandemia seja complicado, ela não sente vontade de retornar ao trabalho presencial, pois terá que conviver com uma boa dose de colegas que geram um ambiente tóxico. “Sigo apaixonada pela minha profissão, adoro estar em sala de aula, mas o momento é bastante difícil. Além de antidepressivo estou tomando remédio para poder dormir. Já pensei até em pedir transferência para outra instituição”, desabafa.

(Leia mais sobre a transformação do trabalho docente e a opinião de alguns dirigentes sindicais em matéria no site).

(*) Nome fictício.

 

Texto: Bruna Homrich, com colaboração de Fritz Nunes

Imagem: Divulgação

Assessoria de Imprensa da Sedufsm

 

 

 

 



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