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O político criminoso II

20/05/2014


Por: Nilton Bertoldo


A análise da Metropolitan Life, de 1923, demonstrou que, em cada 146 homicídios cometidos nos Estados Unidos, somente 69 indiciados foram encontrados, e, destes, apenas 37 foram sentenciados. Depois, uma comissão do Instituto dos Advogados Americanos observou que a pessoa que planejasse um arrombamento na cidade de New York teria treze chances contra uma de escapar a toda punição. Por outro lado, quem cometesse qualquer espécie de felonia teria sete oportunidades contra uma a seu favor – menos de 200 mil culpados por esse crime eram condenados cada ano. A Associação dos Banqueiros Americanos, nesta mesma ocasião, avaliou as perdas produtivas, pelos crimes contra a propriedade, em cerca de 3,5 milhões de dólares por ano, nos Estados Unidos. As fraudes de crédito carregavam perto de 400 mil dólares. Não se podia dizer qual a média de fraudes de crédito, nem quantas eram cometidas, no curso de um ano, pelo mesmo chantagista. O número de ladroeiras insignificantes, cada qual de menos de 100 dólares, era prodigioso e devia superar, de sobejo, a média que era de 500 dólares. O terrível total beirou 7 milhões de crimes contra a propriedade e - pasmem – ao que se sabia, nenhum político envolvido, indiciado, condenado ou preso! Ora, os crimes contra o patrimônio são combatidos por imensas e astutas organizações de homens de negócio, banqueiros e investigadores particulares. As vítimas têm dinheiro com que fazer a guerra aos ladrões e aos chantagistas e têm cérebro para realizá-la. Mas, onde a riqueza, a inteligência e os poderosos interesses econômicos não se combinam no ataque ao crime, a razão entre as ofensas cometidas e as condenações torna-se ridícula. O perjúrio, por exemplo, tem sido considerado, geralmente, como um crime de peculiar repugnância, mas pouca gente vai presa, e, coisa surpreendente, poucos indiciados surgem, basta lembrar o Mensalão. O que se encontra, hoje, no sistema prisional brasileiro? Um fato surpreendente. Tomando as ofensas e os ofensores em geral, a população carcerária não pode abarcar, em tempo algum, mais do que 1% do total de ofensores e, provavelmente, não abrange mais de ¼ de 1%. Desse total, a metade da população de prisões é constituída por criminosos habituais, de inteligência subnormal e, a outra metade, na maioria, é constituída por delinquentes juvenis e ocasionais, de inteligência ligeiramente subnormal. Comparada com a média de inteligência nacional, a razão dos criminosos que se encontram nas prisões para aqueles que nunca foram presos, revela uma surpreendente semelhança com a razão das mentes marcadamente inferiores para todas as mentes medianas ou superiores. Compare-se, agora, o número de criminosos presos e os que permanecem libertos. Estes últimos perfazem, aproximadamente, 40 vezes mais que os primeiros. Como se pode esperar que um criminoso inteligente e, muitas vezes, poderoso, faça caminho numa prisão? A competição de baixo é terrível. E, quanto mais de perto se estudam as estatísticas da inteligência e dos êxitos mundiais, mais evidente se torna que a aristocracia brasileira jamais verá o interior de uma penitenciária, exceto na qualidade de diretor ou de governador de Estado. Portanto: - o êxito permanente no crime é, com toda a probabilidade, tão comum como aquele nos negócios rentáveis e legais; - relativamente, tanto indivíduos alcançam sucesso em carreiras criminosas quanto em não-criminosas; - assim como o êxito é mais difícil quando a competição é mais acirrada, alguns setores do crime são mais difíceis do que outros, mormente naqueles em que os riscos são maiores – o Mensalão é um exemplo; -os criminosos de tipo mais astuto sabem que a maneira mais fácil de evitar complicações é aprovar leis que autorizem ou, de algum modo, protejam os seus atos criminosos. Assim, os criminosos mais bem sucedidos são aqueles que colocam, em setores importantes do Estado, pessoas importantes da sua confiança e aprovam estatutos que lhes dão algo – por nada! (Publicado em A Razão de 20.05.2014)

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