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Megaeventos esportivos e subordinação

12/06/2014


Por: Maristela da Silva Souza
Prof.ª CEFD/UFSM, diretora da SEDUFSM


Falar de Esporte hoje, nos remete a falar de megaeventos esportivos, uma vez que estamos no país desses grandes eventos (Copa das Confederações de 2013; Copa do Mundo de Futebol de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016). Não é pouca coisa para os brasileiros receberem uma Copa do Mundo e uma Olimpíada. Aquilo que pensávamos que somente acontecia longe de nós, agora está aqui, junto de nós. Muito se fala sobre isto e timidamente se questiona “Por que o Brasil?” Uma vasta literatura demonstra que o Esporte historicamente foi uma “presa” fácil para o Capitalismo, que sempre integrou o esporte ao seu movimento, seja na condição ideológica ou econômica. Qual é a condição do esporte hoje neste movimento e qual é o papel do Brasil neste processo? O esporte passa juntamente com outros mercados, a atuar no equilíbrio da atual crise do capital, em que o Capitalismo necessita criar meios que acelerem a circulação de capital, para não cair mais uma vez na crise da superprodução. Nada melhor para isso, que a exploração de novos mercados, digo, novos países, em que a partir do valor da força de trabalho somado às garantias dadas pelo Estado nacional, aumentam a taxa de lucro contribuindo para a contenção da crise. Os megaeventos esportivos são a expressão mais avançada deste processo, os quais têm circulado pelos países ditos em “desenvolvimento” (China, Rússia, Brasil, México, Coréia do Sul). Neste contexto globalizado, o esporte apresenta novas formas. Os ídolos do esporte já não representam somente os seus países e seus clubes. Passam a serem mercadorias que carregam os slogans de monopólios que os compram e vendem no mercado global. O Brasil, portanto, se subordina a esta lógica e, através dos megaeventos, tem promovido, entre outras questões, mudanças na geografia urbana das cidades que sediarão os jogos, em que milhares de pessoas estão sendo removidas de suas moradias. Segundo o comitê popular da copa, cerca de 250 mil famílias foram retiradas de suas casas. Tudo isso em nome de supostos benefícios trazidos à população, mas que quando analisamos de forma aprofundada, percebemos que estes são direcionados às grandes empreiteiras, à especulação imobiliária e ao setor de serviços (isso fica claro na Lei Geral da Copa). Eis uma grande contradição: recursos públicos aplicados para a reforma e construção da infraestrutura, mas que não beneficia o público e sim o privado. Quando se fala em recursos públicos, não se imagina o que significam 30 bilhões de reais (montante este que está sendo investido na Copa do Mundo de 2014, em que 98% deste valor são de investimento público), já que o governo declara que não tem dinheiro para investir em educação, saúde, saneamento básico. E, por incrível que possa parecer, nem em políticas públicas de esporte de lazer e escolar. A lista de contradições resultante deste cenário chamado megaeventos esportivos é grande, impossível de ser listada em pouco espaço, mas, a expectativa é que o exposto tenha provocado o querer saber mais sobre esses megaeventos, para além da aparência. (Publicado em A Razão de 12.06.2014)

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