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'El Caudillo', Leonel Brizola

23/06/2014

Daniel Arruda Coronel
Professor do departamento de Economia e Relações Internacionais.

No dia 21 de junho completaram-se dez anos do falecimento do ex-governador Leonel Brizola, que, indubitavelmente, foi um dos grandes estadistas brasileiros e inspira ainda uma fiel legião de seguidores e admiradores. Brizola, ao longo de sua intensa vida política, deixou várias marcas e ações em prol da democracia e do povo brasileiro: em 1961, liderou a Campanha da Legalidade, a qual foi fundamental para o respeito à ordem e à Constituição, ao garantir a posse de João Goulart; em 1964, lutou até os últimos instantes para que o presidente Goulart resistisse ao golpe militar em curso; após quinze anos de exílio, foi, juntamente com Darcy Ribeiro, o idealizador dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), os quais foram fundamentais para que centenas de crianças tivessem uma educação de qualidade. Além disso, prestou a maior homenagem à cultura autóctone do país com a criação do Sambódromo, em 1984. Com a redemocratização do país, candidata-se, em 1989, à presidência da República e, por menos de 1% dos votos, não disputou o segundo turno. Porém, em um gesto de grandeza e amor à pátria, apoia, no segundo turno das eleições presidenciais, a candidatura Lula, em detrimento da de Collor. Nos seus últimos anos de vida, embora não tivesse o mesmo prestígio político e a capacidade de arrastar multidões em seus comícios, como nas duas vitórias para o governo do Rio de Janeiro, não se deixou abater e seguiu fiel aos seus princípios e ideais trabalhistas, aproveitando todas as oportunidades que tinha para dar o seu recado. Prova disso é que, uma noite antes de seu falecimento, embora já acamado, estava articulando sua possível candidatura à prefeitura do Rio de Janeiro. Com certeza, Leonel Brizola não foi em vida e não será depois de sua partida uma unanimidade, mas foi um líder que, inegavelmente, faz falta, não apenas porque, em toda sua vida pública, jamais se envolveu em nenhum escândalo de mau uso do erário público (embora a ditadura militar esmiuçasse e investigasse toda suas ações, jamais encontrou alguma ação que desabonasse sua conduta), mas por manter-se sempre fiel e coerente ao nacional desenvolvimentismo e por entender que a educação é o caminho mais seguro para termos um país mais justo. (Publicado no Diário de Santa Maria, edição de 21 e 22 de junho de 2014)

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