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O Bonapartismo de hoje

21/01/2021

José Renato da Silveira
Professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais

O Bonapartismo pode ser definido como uma ideologia política e um culto à personalidade. De acordo com Felipe Demier:
“Na ampla e heterogênea literatura marxista de cunho mais propriamente político, o vocábulo bonapartismo e suas variantes (bonapartista, bonapartistas, semibonapartismo, filobonapartismo etc.) apresentam uma frequência perceptível, ainda que, diferentemente de outros tantos mencionados à porfia e indiscriminadamente, não possam ser tomados propriamente como termos batidos. Suas não tão correntes aparições nos permitem, entretanto, perceber que distintos tratos, alguns cuidadosos e sofisticados, outros nitidamente reducionistas e imprecisos, já foram (são) dispensados a este conjunto terminológico”.

No modelo bonapartista, o governante quer ser um ditador, mas busca construir uma imagem carismática de um representante popular. Para Demier: “a adjetivação ‘bonapartista’ é imputada a qualquer governo ou regime mais ou menos ditatorial, cujo teor repressivo, ainda que elevado, não chega a justificar, segundo a lógica do autor, a sua caracterização como ‘fascista’.”

“O bonapartismo é a forma de governo em que é desautorizado o poder legislativo, ou seja, o parlamento, que no Estado democrático representativo, criado pela burguesia, constitui o poder primário, e em que se efetua a subordinação de todo o poder ao executivo, dirigido por um grande personagem carismático, que se apresenta como representante direto da nação, como garante da ordem pública e como árbitro imparcial diante dos interesses contrastantes das classes” (BOBBIO, 1994, p.118).

Hoje, defrontamo-nos com as novas variações do bonapartismo.  Conforme o professor Ricardo Antunes:

“Trump que converteu o grande império em exemplo trágico de combate à pandemia. Negacionista e anticientífico, “o medonho se tornou o maior responsável pelas quase 400 mil mortes em seu país. Foi derrotado nas urnas, mas tentou resistir com sua indigência decrépita”.

Ainda, segundo Antunes: “O quase símile londrino começou mal e só mudou quando soçobrou. “Por pouco não foi desta para melhor”. Foi salvo pela dedicação de dois imigrantes que labutam no sistema público de saúde inglês”.

Por aqui, existe a variante mais escroque do bonapartismo contemporâneo.

Tratado como “mito” por seus admiradores, Bolsonaro se apresentou na campanha eleitoral como sendo contra o “sistema” e “contra todos”. Apesar de três décadas de trajetória política, produção legislativa pífia, nunca ocupou lugar de destaque na Câmara (nunca relatou proposições e nem presidiu comissões ou liderou bancada) e sempre integrou o baixo clero.

Para o professor Romualdo Pessoa, “Bolsonaro é um defensor funesto da ditadura militar, e entusiasta de torturadores, usou seu mandato para atacar de forma desrespeitosa e agressiva os que dedicaram sua vida a combater as injustiças sociais e a lutar por democracia e liberdade em nosso país”. Não era de se esperar outra coisa de Bolsonaro como presidente da República.

Diante da pandemia, Bolsonaro se apresenta, nas palavras de Antunes, como “um pícaro do caos e da destruição, negou desde logo a pandemia e jogou o país no precipício, acumulando um débito de mais de 200 mil mortes, muitas por asfixia, como tragicamente ocorreu nestes últimos dias em Manaus”.

De fato, estamos diante de uma geração de bonapartistas medíocres.  


Fonte:

FOLHA DE SÃO PAULO – RICARDO ANTUNES. A PESTE E OUTROS BICHOS. (19/01/2021).

Bonapartismo: o fenômeno e o conceito.  Felipe Demier. http://outubrorevista.com.br/wp-content/uploads/2016/03/8_Felipe-Demier.pdf

https://www.correiodobrasil.com.br/bolsonaro-bonapartismo-mediocre/

ADAMO, D. A. e OLIVEIRA, Marcelo A. D. de. A história do conceito de Bonapartismo: os Bonapartes vistos por Tocqueville e Marx.

 

 




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