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Duelo de titãs

31/03/2021

José Renato da Silveira
Professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais

Brigas e desavenças entre gênios são comuns na história do pensamento humano. Tolstói detestava Dostoievski. Schopenhauer achava Hegel um charlatão. Mario Vargas Llosa deu um célebre soco no olho de Gabriel García Marques. No presente texto, veremos a rivalidade entre Schopenhauer e Hegel, sob o olhar do “professor do pessimismo”.  Pois, ao longo da obra de Hegel, não encontramos nenhuma alusão à mera existência da obra ou da pessoa de Schopenhauer.  

“Nobre  “atualidade”, magníficos epígonos, uma geração amamentada pelo leite materno da filosofia de Hegel!" (Schopenhauer).

Ser reconhecido. Ser respeitado. Ser admirado. Todos querem isso. Dizem que o ser humano deve saber o que quer e saber o que pode. Assim mostrará caráter e poderá cumprir algo de bom.

Schopenhauer estava ansioso por chegar nesse estágio da vida.

Em 1819, “O mundo como vontade e representação” foi finalmente publicado. Era a sua grande obra. Era seu legado para a posteridade. Era o livro para estimular e criar seguidores e discípulos. O livro para inspirar e refletir. Ele reconhecia nessa obra singular, todo o seu sistema filosófico e o apogeu de seu pensamento.

Um ano após o lançamento, Schopenhauer começou a ficar impaciente com a demora de seu reconhecimento. Imaginou que se tornando Privat-dozent na Universidade de Berlim, onde Hegel dava aulas, seria o principal expoente intelectual alemão do período.

Schopenhauer considerava Hegel um impostor e charlatão.

Diz ele sobre a fugacidade da filosofia de Hegel: “...a filosofia de Kant, após um curto período de brilho, atolou-se no pântano da capacidade de julgar alemã, enquanto os fogos-fátuos da pseudociência de Fichte, Schelling e finalmente de Hegel desfrutam, sobre esse pântano, de sua vida fugaz...”.

A partir disso, o filósofo do pessimismo anunciou que daria suas aulas exatamente no mesmo horário que Hegel. Ficou perplexo e atônito quando poucos alunos apareceram. E pior, a sala do rival estava cheia de alunos. Desistiu da Universidade de Berlim.

Embora fora da Universidade, Schopenhauer desferia golpes ferinos e sagazes contra seu principal rival. Reconhecia em Hegel a ininteligibilidade: “(...) ela foi introduzida por Fichte, aperfeiçoada por Schelling e finalmente alcançou seu clímax em Hegel, obtendo sempre o maior sucesso. Não há nada mais fácil do que escrever de tal maneira que ninguém entenda; em compensação, nada mais difícil do que expressar pensamentos significativos de modo que todos os compreendam. O ininteligível é parente do insensato, e sem dúvida é infinitamente mais provável que ele esconda uma mistificação do que uma intuição profunda”.

Continua Schopenhauer: “querem dar a impressão, como Fichte, Schelling e Hegel, de saber o que não sabem, de pensar o que não pensam, de dizer o que não dizem. Pois alguém que tem algo certo a dizer iria fazer esforço para falar de modo obscuro ou claro? (...) muitos escritores procuram esconder sua pobreza de pensamento justamente sob uma profusão de palavras?”.

Diversas passagens afrontosas fazem menção a Hegel. Em muitas delas, as críticas repousam na falta de clareza, a prolixidade e os neologismos, que seriam indícios de uma “tentativa de dar aparência erudita e profunda a textos sem conteúdo”.

Após mais de trinta e cinco anos de espera, “o Nilo chegara ao Cairo”, segundo as palavras de Schopenhauer. Famoso e reconhecido. Adorou a fama que realmente merecia, mas morreu sete anos depois, em 21 de setembro de 1860. Nunca reconciliou com Hegel (que faleceu em 1831). Nietzsche exprimiu algo genial sobre os dois: “...Hegel e Schopenhauer....esses dois gênios-irmãos, hostis em filosofia, que tendiam para os polos opostos do espírito alemão, e que por isso mesmo se faziam mutuamente injustiça, como só dois irmãos podem cabalmente fazê-la”.

 

Fontes:

SCHOPENHAUER, Arthur. A arte de escrever. Porto Alegre: L&PM, 2011.

SCHOPENHAUER, Arthur. A arte de ser feliz: exposta em 50 máximas. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

STRATHERN, Paul. Schopenhauer em 90 minutos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.




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