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19/04/2021   19/04/21 21h13 | A+ A- | 195 visualizações

Universidade é acessível até certo ponto, diz estudante indígena da UFSM

William Gama “Krânípî” é aluno de Farmácia e analisa pontos fortes e pontos fracos do viver acadêmico


Willian (ao fundo, à esquerda, de boné escuro), em foto com colegas da UFSM

William Gama Leite ingressou na UFSM em 2018 no curso de Farmácia. O nome indígena dele é Krânípî, mas é mais conhecido como Willian Xakriabá, devido a sua origem, que é a etnia Xakriabá, de Minas Gerais, às margens do rio São Francisco. Estimulado a tecer considerações sobre o quanto a universidade é acessível, o estudante de 27 anos responde que “é acessível até certo ponto”. Para Willian, a acessibilidade não envolve somente o vestibular, o ingresso, mas também a permanência até a conclusão do curso.

Trocando em miúdos, ele ressalta que depois que ingressa na instituição, tem o dia a dia, as políticas públicas que dão condições ao aluno indígena seguir estudando, sem desistir, bem como a forma como são construídas as relações internas, com os professores, colegas. “Pensando no geral, acho que ainda tem que melhorar muito, passar por uma reestruturação na maneira de pensar a educação superior dos indígenas”, frisa Willian.

A presença de indígenas na UFSM é uma realidade desde 2009, conforme a Coordenadoria de Ações Educativas (CAEd), subdivisão de ações afirmativas, sociais, étnico-raciais e indígenas. O ingresso passou a se dar após a resolução 011 de 2007, que foi referendada como política pública a partir de 2012, com a definição do Ministério da Educação. De 2010 até 2018, segundo divulgamos na última sexta, 16, houve um crescimento de 695% da presença indígena nas universidades, conforme o Censo (publicado em 2020) da Educação Superior do Instituto de Pesquisas Anísio Teixeira (INEP), órgão ligado ao MEC.

Vejamos os números de ingressantes indígenas na UFSM de 2009 a 2020:

- Em 2009, 3 alunos; 2010, 3 alunos; 2011, 2 alunos; 2012, 4 alunos; 2013, 8 alunos; 2014, 14 alunos; 2015, 21 alunos; 2016, 19 alunos; 2017, 22 alunos; 2018, 22 alunos; 2019, 23 alunos; 2020, 25 alunos.

Mas, como diz o próprio Willian, não basta apenas o ingresso. É preciso o fortalecimento de políticas públicas que garantam a formação do estudante indígena do primeiro dia na instituição até o último dia. Ele está Santa Maria, na Casa do Estudante Indígena, desde o início da pandemia. Isso ocorreu em função da dificuldade de locomoção, já que mora bastante longe, e as passagens dele foram canceladas.

O preconceito sempre presente

O estudante de Farmácia também foi questionado se chegou a sofrer algum tipo de preconceito desde que ingressou na UFSM, há 3 anos. Willian responde que sim e comenta que isso tem a ver com uma “sociedade que ainda tem em mente que os indígenas sejam do estereótipo de 1.500 anos atrás”.

Willian cita alguns exemplos:

“Primeiro, quando perguntam se somos índios de verdade.

- Mas, você não tem cara de índio, você não tem cabelo liso, você usa roupa, tem celular, não mora em oca, mas está na faculdade, é por cotas?

Como se estar por cotas fosse um privilégio e nunca se perguntam se o genocídio é privilégio. Se nossa Resistência é privilégio, se os inúmeros desafios de estar fora do território e longe da família é privilégio”, ressalta.

Willian, com o professor do seu curso

Quando perguntado sobre o motivo de ter escolhido a UFSM, Willian relata que, onde moram, costuma sentar o grupo da juventude que está interessado em ingressar numa universidade federal. “Depois de discutir as escolhas de cada um aos cursos pretendidos, vamos até a secretaria de escola, onde tem internet, e pesquisamos cada Instituição Federal que esteja no período de inscrições abertas. E foi nesta dinâmica que escolhi a UFSM para fazer parte da minha trajetória de vida. A UFSM, além der ser uma das melhores Universidades, tem como referência o sentido de ser a primeira a construir a Casa para Indígenas, além de uma estrutura diferenciada, específica, e ter adotado ações afirmativas aos povos indígenas”.

Avanços nas ações afirmativas

Quando se fala na política de ações afirmativas na UFSM, não há como se negar os avanços obtidos. Para além dos números, um dos coordenadores do Observatório de Ações Afirmativas (Afirme), entre 2011 e 2012, professor José Luiz de Moura Filho (Zeca), do departamento de Direito, lembra do processo inicial na implantação das vagas para indígenas, quando as mesma eram definidas a partir de demanda das aldeias, com diálogo entre o cacique, a comunidade e a UFSM, a partir das visitas que eram feitas a essas comunidades.

Zeca lembra ainda que as avaliações dos candidatos indígenas no vestibular foram aperfeiçoadas para melhor atendê-los. “Se avaliou que não tinham condições de ficar quatro dias em Santa Maria, aí juntaram as provas em um único dia”. Além disso, destaca o professor, foi feito um vestibular diferenciado, com provas em temáticas indígenas, e procurando respeitar, no caso da redação, a tradição oral desses povos.

Quando se trata da permanência desses universidade, Zeca ressalta que a UFSM criou um kit de equipamentos em apoio a esses estudantes (como por exemplo, computadores, instrumental no curso de Odontologia, etc.), que eram muito caros para serem adquiridos. A construção de uma casa somente para os estudantes indígenas, depois de ouvi-los, também foi um avanço, conforme o docente. A partir da própria sugestão dos indígenas, entre um bloco e outro da casa (por enquanto só tem um), foi garantido um espaço para atividades de lazer e religiosas.

Na opinião da técnico-administrativa aposentada da UFSM, Ana Lúcia Melo, que coordenou o Afirme entre 2012 e 2017, há “mais avanços que retrocessos na política de ações afirmativas no caso dos indígenas”. Ana ressalta a importância de ter sido montada uma estrutura, à época, que permitia a existência de observadores em todos os centros de ensino e também nos colégios técnicos.

Os limites na política da UFSM e as visões divergentes

Para José Luiz de Moura Filho, entre os desafios a serem enfrentados pela UFSM, além da conclusão de um novo bloco da casa para estudantes indígenas, está o de oferecer uma dieta diferenciada para esses alunos. Estender as cotas para a pós-graduação é outra iniciativa que, na visão do professor, ainda precisa ser implementada. Afora isso, Zeca entende que o fim do Observatório foi uma perda, tendo em vista que todo esse processo que culmina nos dias de hoje, teve a participação do Afirme.

Na visão de Ana Lúcia Melo, no momento em que o Afirme foi incorporado, a ideia original se perdeu. Apesar de ter sido criado um ‘Observatório de Inclusão’, essa estrutura não cumpre mais o seu papel, segundo ela. No site da CAEd, o espaço destinado a esse Observatório tem apenas uma mensagem que diz: “em construção”. Nesse quesito, o professor Zeca também concorda com Ana. Segundo ele, atualmente o Observatório está “inativo”, deixando de fazer o acompanhamento direto sobre as políticas de ações afirmativas na instituição.

No entanto, Rosane Brum Mello, que respondeu as questões da assessoria de imprensa da Sedufsm em nome da Subdivisão de Ações Afirmativas Sociais, Étnico-Raciais e indígena, a criação do CAEd foi um grande avanço na política da UFSM. Especificamente sobre o “Afirme”, ela diz que ele “se caracterizou em um projeto que certamente foi importante para a época em que ele foi pensado e executado, principalmente porque fazia parte do Programa de Ações Afirmativas Raciais e Sociais instituído pela Resolução 011/2007.” Diz ela ainda que o “Afirme era um projeto, coordenado por um professor, enquanto a CAEd é uma Coordenadoria que possui três subdivisões e um observatório de Inclusão. E, enquanto Coordenadoria, congrega inúmeros projetos e ações próprias e também em parceria com outros setores”.

A mudança, segundo Rosane, tem relação com alterações na legislação, e teriam sido discutidas com todos os envolvidos e as envolvidas. “Em 2016, diante dos desafios que vieram a partir das políticas afirmativas, Lei 12.711/12, e também pelas adotadas pela nossa instituição, depois de um longo processo de discussão em equipe, a qual contava também com os integrantes do Afirme, e passadas todos trâmites institucionais, foi aprovado o projeto de criação da Coordenadoria de Ações Educacionais (CAEd), subunidade administrativa inicialmente vinculada ao Gabinete do Reitor e agora vinculada a Pró-Reitoria de Graduação”, diz o texto encaminhado à Sedufsm.

Encarando a realidade

Independente das divergências sobre qual a melhor metodologia para atender a estudantes que ingressam através da política de ações afirmativas e, no caso específico, os indígenas, o fato é que há um esforço institucional de acolhê-los, ainda que necessite melhorar muito, conforme analisa o próprio estudante de Farmácia, oriundo de Minas Gerais, Willian Xakriabá. Para ele, ao chegar à UFSM, “a realidade é totalmente diferente das nossas perspectivas, do nosso modo de viver, de pensar, das nossas culturas, tradições e costumes. Principalmente quando saímos pela primeira vez do nosso território pra transitar na cidade, que foi o meu caso. Essa é uma realidade que vai além de uma visão que temos teoricamente, ou seja, descobrimos na prática".


Willian, em manifestação na praça. (Foto: Dartanhan Figueiredo)

Abaixo, em anexo, o texto enviado pela CAEd/UFSM, com mais detalhes sobre a atuação da Coordenadoria.
 

Texto: Fritz R. Nunes
Fotos: Arquivo pessoal, arquivo/Sedufsm e Dartanhan Figueiredo
Assessoria de imprensa da Sedufsm

 

 



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