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22/06/2012     | A+ A- |   376 visualizações

Crise e movimento docente pautam Plenária I do Conad

No primeiro dia de debates, greve nas IFE recebe destaque

Iniciando o debate, Marinalva leu texto “Movimento Docente e Conjuntura”
Iniciando o debate, Marinalva leu texto “Movimento Docente e Conjuntura”

A primeira plenária do 57º Conad, realizada na tarde da última quinta-feira, 21, trouxe como eixo central “Movimento Docente e Conjuntura: avaliação da atuação do ANDES-SN frente às ações estabelecidas no 31º Congresso”. Dada sua relevância e força, a greve nas Instituições Federais de Ensino foi tema predominante no debate. Com mais de um mês da deflagração, o movimento conta com a adesão de 57 instituições.

O processo de discussão nas assembleias de base, a construção da greve e a postura frente a um governo sem disposição para negociar foram alguns dos pontos abordados na plenária, juntamente com uma avaliação do período de crise mundial e quais as perspectivas dos trabalhadores nesse cenário.

Para dar início ao debate, a presidente do ANDES-SN, Marinalva Oliveira, leu o texto “Movimento Docente e Conjuntura”, onde são apresentadas algumas reflexões sobre a situação econômica mundial e o crescente número de mobilizações trabalhistas ao redor do mundo.

Nesse cenário, o texto ressalta a greve como uma das mais recorrentes ferramentas de mobilização desde o início da crise, citando casos das mobilizações realizadas na Grécia e na Espanha.

Ainda sobre as greves, o texto aponta as paralisações como importantes indicadores da indignação e da revolta dos trabalhadores com as contradições do sistema do capital. Em relação ao Brasil, a análise se debruça sobre a falsa perspectiva de crescimento econômico e a chegada ao grupo das seis maiores potências mundiais. Nesse contexto, o documento questiona o poderio brasileiro, tendo em vista a manutenção do cenário de desvalorização dos trabalhadores e de desigualdade social.

A greve nas IFE

Embora a análise de conjuntura aponte para uma avaliação do cenário de crise a partir de uma perspectiva global, a atuação do movimento docente nas Instituições Federais de Ensino (IFE) não é visto de maneira separada desse processo. Conforme diversas intervenções ressaltaram, o ataque à educação pública, em detrimento de outras políticas de governo com o objetivo de remendar o sistema econômico, é um reflexo do processo que ocorre em nível mundial. Além disso, a crise desloca a educação para uma outra direção, conveniente ao cenário econômico, subvertendo a lógica do ensino, da pesquisa e da extensão.

Para o professor da Universidade de São Paulo (USP), Osvaldo Coggiola, esse período pode apresentar um processo de transição, no qual a organização dos trabalhadores é fundamental para disputar um novo modelo de sociedade. Nesse contexto, apontando para uma nova perspectiva para a educação pública, a greve das IFES apresenta-se como um processo extremamente importante. “Nesse cenário (de crise) coloca-se um momento de transição, mas essa transição não está escrita nas estrelas, ela depende da nossa atuação e nesse contexto essa greve é histórica”, afirma Coggiola, que também é 2º vice-presidente da Regional São Paulo do ANDES-SN.

O ANDES-SN como referência na greve

Nesse processo de greve, muitas foram as intervenções que ressaltaram o importante papel desempenhado pelo ANDES-SN. O trabalho da entidade, mobilizando a categoria durante o período de negociações (que, inclusive, antecede a deflagração da greve) tornou o sindicato uma referência política para o movimento, indo além dos filiados na entidade. Conforme ressaltou a 1ª secretária do ANDES-SN, Marina Barbosa, muitas são as entidades que, mesmo não filiadas ao ANDES-SN, depositam no sindicato a responsabilidade nas negociações com o governo.

Além disso, muitas dessas seções têm colaborado com o financiamento da greve, enviando também representantes ao Comando Nacional de Greve, em Brasília. Segundo Marina, que presidiu o ANDES-SN nos últimos dois anos, essa confiança é fruto do trabalho de base do sindicato, ouvindo a categoria, visitando as seções e discutindo pessoalmente o exercício docente e o modelo de universidade.

Para o professor Hélvio Mariano, da Universidade Estadual do Centro Oeste do Paraná (Unicentro), essa deve ser considerada uma das grandes vitórias do movimento. “O ANDES-SN pode não ser a representação nacional de alguns sindicatos locais. Mas enquanto direção do movimento, enquanto direção da greve, pra decidir sobre a carreira, a confiança política é do ANDES Sindicato Nacional. Eu acho que essa é a grande vitória que nós tiramos. Podemos não dirigir as seções sindicais de determinados locais, mas dirigimos politicamente o movimento docente do Brasil”, aponta Mariano.

Texto e Fotos: Rafael Balbueno
Edição: Renata Maffezoli
Assessoria de Imprensa da SEDUFSM

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