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21/05/2021   21/05/2021 16h54m   | A+ A- |   441 visualizações

Pesquisador defende antecipar restrições à mobilidade para frear nova onda de Covid-19

Isaac Schrarstzhaupt, cientista de dados da Rede Análise Covid, vê descontrole da pandemia no país

Site para pesquisa da Rede Análise Covid-19
Site para pesquisa da Rede Análise Covid-19

Ele fez parte de uma leva de cientistas que contraria aquela visão antiga do pesquisador (a) que vive entre quatro paredes, inacessível. Isaac Schrarstzhaupt (*), cientista de dados, juntamente com o infectologista Alexandre Zavascki (UFRGS), a epidemiologista Lucia Pellanda (UFCSPA), a biomédica e neurocientista Mellanie Fontes-Dutra (UFRGS), entre outros (as), integram um seleto grupo que usa as redes sociais (especialmente o twitter) para trazer informações sobre a pandemia que assola o Brasil e o planeta. Mellanie, inclusive, foi a idealizadora, ainda em 2020, da Rede Análise Covid-19, da qual Schrarstzhaupt faz parte e também coordena como um trabalho voluntário.

Em entrevista concedida à assessoria de imprensa da Sedufsm, na qual lhe foi perguntado o que os (as) gestores (as) públicos (as) precisam fazer para evitar a gravidade de uma nova onda de Covid-19, o cientista, que é também consultor em gestão de riscos, diz que essa contenção tem que ser feita o quanto antes, fazendo “restrições de mobilidade”. Segundo ele, “quanto mais rígidas forem, para não depender do fator ‘adesão’, menor será o aumento (de casos), justamente pelo fato de que as pessoas estarão longe fisicamente umas das outras por um período suficiente até que o vírus pereça sem passar para outra pessoa e continuar seu ciclo.”

Na visão de Schrarstzhaupt, apesar de não se ter certeza de que haverá uma terceira onda, o fato concreto é que os (as) especialistas trabalham com o “conceito de risco”. Segundo o pesquisador, “o risco de um novo aumento é bem alto e não vale a pena ‘pagar para ver’. E acrescenta: “O aumento da mobilidade sempre trará aumento de casos devido à alta transmissibilidade do vírus, então não há como dissociar isso de uma onda”.

Em relação ao aumento de casos no RS, que levou o governo do estado a emitir “avisos” e “alertas” a várias regiões, já em um novo modelo a partir da mudança do programa de distanciamento controlado, o cientista de dados comenta que não se pode afirmar que já seria resultado de uma nova variante do coronavírus, como por exemplo, a indiana, que já foi detectada na Argentina e em estados do nordeste brasileiro. Schrarstzhaupt entende que é preciso buscar mais dados para saber se a ampliação de casos no RS tem a ver com uma nova variante ou se tem relação apenas com o aumento da mobilidade.

O pesquisador também foi questionado sobre as mudanças no modelo de detecção da Covid pelo governador Eduardo Leite. Isaac Schrarstzhaupt entende que houve um aperfeiçoamento, em função de que “agora vários indicadores podem ser analisados de forma subjetiva pela equipe de técnicos do governo, e um aumento pode ser pego em uma fase anterior à de hospitalizações, que já é um indicador muito tardio”.

Confira a íntegra da entrevista a seguir, na qual ele aborda ainda temas como a importância da testagem da população, a necessidade da vacinação massiva e a perspectiva apontada pela Universidade de Washington, de o Brasil chegar a 750 mil mortos.

(*) Isaac Schrarstzhaup (foto abaixo) é cientista de dados, consultor empresarial, atuando com gestão de riscos em projetos. Divide a coordenação do grupo de modelagens da Rede Análise Covid-19.

Sedufsm- O governo gaúcho mudou o programa de distanciamento controlado, que foi chamado de três As (Aviso, Alerta e Ação) e pretende dar mais autonomia às prefeituras. No seu modo de ver, há aspectos nessa nova metodologia que aperfeiçoam (melhoram) a detecção de casos para que medidas sejam tomadas?

Isaac- Em relação à detecção, acredito sim em aperfeiçoamento. Agora vários indicadores podem ser analisados de forma subjetiva pela equipe de técnicos do governo, e um aumento pode ser pego em uma fase anterior à de hospitalizações, que já é um indicador muito tardio. Agora, por exemplo, com aumento de pessoas buscando testes, e reportando sintomas, já há a possibilidade de se ligar o alerta.

Sedufsm- Já se fala em uma terceira onda de Covid-19 no Brasil. Pelas suas análises de dados, já é possível ter certeza de que essa onda virá? A ampliação de casos em várias regiões do RS aponta o início dessa nova onda, ou isso tem mais a ver com a flexibilização de medidas de distanciamento, aumento da mobilidade, em um patamar da pandemia no estado que tinha números ainda bastante altos?

Isaac-Em uma epidemia, nunca se tem certeza, e aí se trabalha com o conceito de risco. O aumento da mobilidade sempre trará aumento de casos devido à alta transmissibilidade do vírus, então não há como dissociar isso de uma onda. O que tem de ficar claro é que, mais casos, geram mais casos. É justamente esse fator que tem de nos fazer entender que não há aumento de casos seguro em nenhuma circunstância.

Sedufsm- O que os gestores poderiam fazer para tentar estancar o surgimento dessa nova onda? Ou pelo menos evitar que se repita o colapso de hospitais e o número de mortos de março e abril no RS?

Isaac- O quanto antes forem feitas as restrições de mobilidade, e o quanto mais rígidas forem, para não depender do fator “adesão”, menor será o aumento, justamente pelo fato de que as pessoas estarão longe fisicamente umas das outras por um período suficiente até que o vírus pereça sem passar para outra pessoa e continuar seu ciclo. Como não temos cobertura vacinal o suficiente para evitar aumentos (quanto mais casos temos, maior se torna essa cobertura, por isso a importância em reduzir a taxa de transmissão enquanto vacina todo mundo) é importante reduzir os casos através dessas medidas não farmacológicas.

Sedufsm- A sinalização de um aumento expressivo de casos a partir do norte do RS, região das missões, pode indicar que essa contaminação teria a ver com a variante indiana que já foi detectada na Argentina e pode estar ingressando no Brasil?

Isaac- Sem dados, não temos como dizer, seria apenas um “chute”. Como houve um aumento significativo de mobilidade, pode ser pela mobilidade também. Precisamos ter dados o quanto antes para que aí saibamos o que estamos enfrentando.

Sedufsm- Na sua avaliação, o quanto a falta de testagem em massa potencializa a disseminação do vírus?

Potencializa bastante, mas é importante deixar claro que testagem em massa só é viável até um certo número de casos, pois não há equipe que aguente testar milhões de pessoas diariamente para detectar casos em um ambiente infestado como o Brasil hoje. O indicador que mede isso é o indicador de positivo (testes positivos/testes totais), medido com os testes moleculares, que são os testes que detectam se a pessoa está com o vírus ativo no momento do teste. Esse indicador tem de estar na casa de 3,5% a 5% no máximo para que a vigilância consiga detectar todos os casos e seus contactantes. Se a positividade começa a aumentar (devido a mais casos), significa que há um descontrole, e aí tem de aumentar a quantidade de testes, mas isso vai até um limite. No Brasil, a positividade chegou a mais de 40%, ou seja, descontrole total.

Sedufsm- Qual o impacto que a vacinação lenta causa na disseminação da doença?

Isaac- A cobertura vacinal é o que irá efetivamente criar uma situação mais tranquila, então o quanto antes chegarmos a ela, melhor. Essa cobertura vacinal depende de fatores como a eficácia das vacinas aplicadas e como está a transmissão do vírus no local vacinado. Quanto maior a transmissão, maior tem de ser a cobertura vacinal. Dito isso, o Brasil precisa acelerar muito a sua vacinação justamente por ter uma transmissão tão elevada.


Gráfico compartilhado por Isaac Schrarstzhaupt nesta sexta, 21, em seu perfil no twitter


Sedufsm- Na sua avaliação, o que favorece mais a disseminação do vírus: a liberalização de eventos, abertura de cinemas, abertura de escolas?

Isaac- Não dá para responsabilizar um setor ou uma área, pois aí criamos uma competição que só atrapalha o combate. Todos os setores têm de trabalhar juntos, ou seja: fechar juntos para zerar a transmissão, e aí abrir juntos, para prosperar economicamente. Não pode existir uma preferência. Os países que combateram melhor, como a Austrália e a Nova Zelândia, fizeram isso: se fecharam juntos no início da transmissão, zeraram a transmissão comunitária e aí abriram todos juntos. Muitos falam que eles são uma ilha, mas isso só serve para frear a entrada do vírus. No momento que o vírus entra em uma cidade, a dinâmica das cidades e de contato das pessoas não são tão diferentes.

Sedufsm- O sr. acha possível que previsões como da Universidade de Washington de que poderemos ter 750 mil mortos no Brasil se concretizem?

Isaac- Acho que é possível, sim, pelo simples fato de que não estamos fazendo nada para evitar. Abrir leitos de UTI é só para dar um conforto, pois vemos que a mortalidade em UTI é altíssima, principalmente em situações de colapso, onde a gravidade aumenta e a mortalidade aumenta junto.

 

Entrevista e texto: Fritz R. Nunes
Imagens:Twitter
Assessoria de imprensa da Sedufsm

 

Fotos da Notícia

Site para pesquisa da Rede Análise Covid-19 Isaac Schrarstzhaupt, cientista de dados Gráfico compartilhado por Isaac Schrarstzhaupt nesta sexta, 21

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