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08/10/2021   08/10/2021 15h17m   | A+ A- |   186 visualizações

Dica cultural: docente recomenda obras que destacam relevância das mulheres

Professora Teresa Campos Velho resenha filme sobre Marie Curie e livro de Rosa Montero


Sextou! Nesta sexta, 8 de outubro, a dica cultural vem da professora Maria Teresa Campos Velho, médica, atualmente aposentada do departamento de Ginecologia e Obstetrícia da UFSM. Teca, como é mais conhecida, faz a ponte entre duas obras: o filme “Radioactive” (2019), com a bela e talentosa atriz, Rosamund Pike (que interpreta a cientista polonesa, mas naturalizada francesa, Marie Curie); e o livro de Rosa Montero chamado  “La ridícula idea de no volver a verte”, edição de 2013, que não trata exclusivamente sobre Marie Curie, mas busca inspiração na vida da cientista.

A relação estabelecida entre elas pela autora da dica cultural é justamente o fato serem histórias de mulheres que, a seu tempo, a seu modo, tiveram que enfrentar duros obstáculos, em um mundo que não (nunca) facilita ao gênero feminino. E, mais não se dirá, aqui. Leia o texto da professora Maria Teresa Campos Velho e, se possível, veja o filme (disponível no Netflix) e leia o livro. Aproveite o final de semana e o feriado.

“Tecendo retalhos entre duas histórias: Marie Curie e Rosa Montero.

Nestes dois últimos anos, difíceis de qualificar em todos os sentidos, em princípio, maléficos e destrutivos, mas, obviamente, com novos aprendizados, foi preciso usar de toda a nossa força e resiliência para sobreviver à realidade de forma sadia, física e psicologicamente. Assim, nesse período de pandemia, entraram em pauta na mídia, nos nossos olhos e cérebros, a confrontação com fatos e temas complexos, em múltiplos âmbitos, sobre os quais precisamos refletir e reestruturar.

Os acontecimentos e os tópicos nos levaram a caminhar de uma estupefação incrédula até possíveis esperanças. Acreditei, ao longo de todo esse tempo de reclusão, com pouco contato com o outro, em um tipo de vida diferente, cheio de medos e cuidados que precisava continuar buscando alternativas criativas, que ensinassem, emocionassem e, de certo modo, trouxesse dentro de toda a instabilidade real vivida, um pouco de equilíbrio e alguns prazeres. Além do trabalho de todo o dia, como buscar com mais intensidade, o interesse, a alegria de novos conhecimentos e contentamentos, em ambiente tão mais restrito como as nossas casas (que bom que a temos!)?

 Procurei, com mais afinco, uma escora e uma âncora na arte (leituras, filmes, músicas etc...) que me ajudou a sustentar o desconhecido com um pouco mais de leveza. Mergulhei em filmes, documentários e livros. Em tempos normais, livrarias são uma diversão e um mundo para mim. Adoro tocar o livro físico, manuseá-lo, sentir seu cheiro. Assim, dos tantos comprados e ainda não lidos, escolhi “La ridícula idea de no volver a verte”, de Rosa Montero.  A escritora nasceu em Madrid, em 1951, e é considerada, também, uma jornalista competente e desenvolta nos países de língua espanhola. É reconhecida na Espanha e ainda trabalha no jornal “El País”. Ela criou uma maneira peculiar de entrevistar pessoas cujo método é estudado e trabalhado na academia. Recebeu diversos prêmios por seus livros, resenhas, artigos e textos de escrita clara, posicionada ideologicamente, defendendo os seus motivos e valores de vida, dentre eles, a luta pela dignidade das mulheres. Assim sendo, o que tem a ver Rosa Montero, da qual citei um livro em especial – que recomendo a leitura -, com o filme que comento, um pouco, tentando fugir dos spoilers: “Radioactive”.

O filme é uma cinebiografia de
Marie Skłodowska Curie, mais conhecida como Marie Curie, nascida em Varsóvia, Polônia, em 1867. Ela foi uma cientista importante, que descobriu os elementos químicos rádio e polônio em pesquisas realizadas, no mais das vezes, com seu esposo, Pierre Curie.  Foi uma das primeiras mulheres em sua época a estudar e depois lecionar na Sorbonne, em Paris, onde fez o seu doutorado. Era brilhante, de uma inteligência inquestionável e, em tempos duros e repressores para as mulheres, sofreu desrespeito e inúmeras contrariedades. No entanto, lutou com galhardia pelos seus direitos e espaço no mundo dessa época, predominantemente masculino em todos os âmbitos e assim, na ciência. Foi uma cientista, trabalhadora incansável, que recebeu juntamente com seu marido, Pierre Curie e Becquerel, o prêmio Nobel de Física.

O trio ganhou o prêmio e, somente ele, o marido, ainda que relutante, foi à cerimônia recebê-lo. Anos depois, Marie Curie recebeu o segundo prêmio Nobel, em outra área científica, a Química. Foi a única pessoa e mulher que, até os dias de hoje, recebeu dois prêmios desse nível, em áreas diferentes. Então, o filme mostra a sua vida e luta como mulher, cientista, esposa, mãe e amante, com muita proximidade à sua biografia real.

Traduz a inteligência incomum, a dureza e a persistência de Marie como uma pesquisadora e cientista além do seu lado humano como pessoa, em todos os seus papeis. Então: Rosa Montero e Marie Curie?  Sim! O filme não foi baseado no livro de Rosa Montero “La ridícula idea de no volver a verte”, mas a primeira autora identificou-se com a dor de Curie quando se tornou viúva. Pierre Curie faleceu precocemente, em um acidente, totalmente inesperado. Já Rosa, perdeu seu marido e companheiro de tantos anos para uma longa doença que ela acompanhou. Triste, enlutada, fechada e dolorida, Montero encontrou na escrita uma maneira de auxiliar a elaboração de seu luto. Ela espelhou-se no sofrimento de Curie, tida como uma mulher extremamente forte, mas humana, e, assim, tentou, arduamente, voltar ao mundo e a seu trabalho, como a outra o tinha feito.

Desse modo, Rosa entrelaça no livro os dados biográficos de Marie Curie com profundidade e traz relatos e reflexões suas, sobre as dores partilhadas. Ressalta a reflexão sobre a valorização das pequenas/grandes coisas da vida e do viver, dos valores como a dignidade, a verdade, a ética, a persistência, a resiliência que, da mesma forma, são salientados no filme. Encara ponderações sobre erros e acertos, a própria vida e a morte e, desse modo, o luto, as perdas, os sofrimentos e a busca por elaboração desses sentimentos.

Dessa forma, juntando os retalhos, observando fatos e datas, percebi que os temas abordados, em diferentes séculos e expressos no filme e no livro nos remetem a uma pergunta: a ciência, o respeito pela dignidade das mulheres, a vida, a morte seu significado e pretensa ressignificação tem algo a ver com os dias atuais? Assista o filme! Leia o livro e responda!”.

Maria Tereza Aquino de Campos Velho

Professora aposentada do departamento de Ginecologia e Obstetrícia da UFSM.

Imagens: Divulgação
Edição: Fritz R. Nunes (Sedufsm)

 

Fotos da Notícia

capa do livro de Rosa Montero Maria Tereza de Campos Velho

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